'Inatividade Paranormal 2' pisa fundo em sua sátira a filmes de terror

Nem só de flatulência e escatologia vive o humor de "Inatividade Paranormal", que agora ganha uma sequência. Embora empregue esses subterfúgios em "Atividade Paranormal 2", o roteirista, produtor e protagonista Marlon Wayans usa como pano de fundo filmes de terror ("Atividade Paranormal" e "Invocação do Mal" em especial) para destilar piadas sexistas e com forte cunho étnico-racial.

Reuters

23 de abril de 2014 | 16h32

Há poucas cenas em que os personagens não acusem um ao outro de preconceito, depois de verbalizarem o que há de pior nos estereótipos culturais fixados no imaginário americano. Wayans, assim, faz com que todos expressem o próprio grau de estupidez e ignorância, sem deixar que se tornem apenas vítimas nesta história.

No centro dessa esculhambação irrestrita está Malcolm (Wayans). Depois de sobreviver à possessão de sua namorada Kisha (Essence Atkins), mote do primeiro filme, ele vai morar com sua nova mulher Megan (Jaime Pressly) e seus dois enteados Becky (Ashley Rickards) e Wyatt (Steele Stebbins).

Não demora muito para que novas aparições passem a ser frequentes em sua casa. Entre elas a boneca Annabelle (de "Invocação do Mal"), com quem Malcolm simula sexo -- tal como fez com bichos de pelúcia na produção anterior. Acreditando estar em um relacionamento, a boneca passa a perseguir o rapaz, inspirada na personagem Alex Forrest (Glenn Close, em "Atração Fatal").

Além de Annabelle, Kisha ressurge dos mortos e um demônio desajeitado (apanhou da última família que tentou matar) coabitam na casa de Malcolm. Tudo flagrado em imagens gravadas nos moldes da franquia "Atividade Paranormal".

Apesar da incredulidade de Megan, que vê no comportamento estranho de seus filhos (possessões e amigos imaginários) nada mais que uma "fase", a família acaba aceitando a ajuda de um time de especialistas incompetentes. Os principais são Noreen (Missi Pyle) e Ned (Hayes MacArthur), uma paródia do casal verídico Lorraine e Ed Warren, também extraídos de "Invocação do Mal".

Quem acompanha os filmes de terror, que referenciam Wayans, pode encontrar graça quando ele achincalha seus ícones. Da mesma forma que o fez com muito sucesso ao criar, em 2000, a franquia "Todo Mundo em Pânico", ao lado de seu irmão Shawn. Porém, não deixa de causar certo estranhamento quando as piadas se restringem à cultura que os personagens representam.

No Brasil, a produção de "Inatividade Paranormal 2", da mesma forma que séries de televisão como "South Park" e "Uma Família da Pesada", seria inconcebível pelo humor no limite da ofensa gratuita. No entanto, Wayans quer ilustrar e ridicularizar as relações que ocorrem no país em que nasceu e vive, e é preciso ter isso em mente ao rir durante a sessão de cinema.

(Por Rodrigo Zavala, do Cineweb)

* As opiniões expressas são responsabilidade do Cineweb

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