"Império" mostra mundo do tráfico nos EUA

Sônia Braga ou Leila Diniz? Ainda são os maiores mitos eróticos do cinema brasileiro. A jovem Sônia era um assombro. Leila, que morreu no auge, não deixou outra imagem senão a da mulher que representava todas as mulheres do mundo. Sônia está agora no elenco de Império. Isabella Rossellini, que virou cult com David Lynch em Veludo Azul e Coração Selvagem, também está no filme de Franc Reyes. Sônia faz a espalhafatosa sogra do protagonista, interpretado por John Leguizamo. Isabella é a Colombiana, a poderosa chefona de uma rede do narcotráfico. O filme não se chama Império por acaso. É o nome da droga que Leguizamo trafica (e lhe rende ao mínimo US$ 30 mil por semana). Mas o Império também é a América atual, que restou como a única superpotência, após a derrocada do comunismo. Fala-se muito em dinheiro em Império. Em dinheiro e consumo, uma coisa levando à outra, ambas indesligáveis, como no passado se dizia que dinheiro e sucesso estavam na base do ´sonho americano´. Virou pesadelo. A América, agora, é o território dos predadores. O traficante, convidado para a festa do corretor de Wall Street, ouve dele que ninguém, ali dentro, é santo. O traficante observa que a diferença é que podem dormir certos de que estão agindo dentro da ordem. Surge a proposta de lavar o dinheiro adquirido no tráfico. Leguizamo abandona os três amigos que o ajudaram a construir seu pequeno império. Distancia-se da própria mulher. Cai nas garras do corretor e de sua namorada, femme fatale. No início, parece que Reyes vai seguir a trilha de Caetano Veloso ou Julio Bressane, fazendo um cinema falado. Logo a violência deixa de ser só verbal para ser física, também. Como em Brás Cubas, de Machado de Assis, e Crepúsculo dos Deuses, de Billy Wilder, a história é contada por um morto que acreditou que poderia burlar a lei da selva do Império. Você pode fazer objeções ao estilo ´moderninho´ de Império, mas é bom ver o filme de Reyes. É um antídoto para quem acredita numa sociedade que só é democrática na aparência. Como o velho Império Romano, a América criou uma categoria de modernos gladiadores que matam (e morrem) na arena das ruas. Sônia Braga é uma atração extra para o público brasileiro. Representa como se a amante cucaracha de Luar sobre Parador realmente tivesse envelhecido 20 (ou mais) anos. Mas é sempre Sônia.

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