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'Imortais' carnavaliza a mitologia grega

Dirigido pelo indiano Tarsem Singh ('A Cela'), todo o empenho do filme está no visual

REUTERS

29 de dezembro de 2011 | 08h21

Imortais, que estreia no País em cópias 2D e 3D, parece mais um desfile de escola de samba com o tema da mitologia grega do que propriamente um filme. Estão lá praticamente todos os elementos que fizeram de "300" (2006) um carnaval em Esparta: fantasias espalhafatosas, centenas de figurantes em cenas de batalhas e um samba do grego doido como enredo - agora localizado em outra região da Grécia.

Dirigido pelo indiano Tarsem Singh (A Cela), todo o empenho de Imortais está no visual. Figurinos que não fariam feio na Sapucaí, corpos esculturais e filosofadas - muita filosofada em cima da mitologia grega - dão a medida do filme.

Não é preciso lembrar-se das aulas de História Antiga para perceber que a trama é mais sem pé nem cabeça do que algumas estátuas gregas . Há um herói, Teseu (Henry Cavill, que no próximo ano será visto como o novo Super-Homem), uma sacerdotisa (Frieda Pinto, de Você Vai Conhecer o Homem dos seus Sonhos), um rei maligno (Mickey Rourke, de Os Mercenários) e deuses irados (John Hurt e Luke Evans são duas versões do mesmo Zeus). Todos brigam - mas não pergunte a razão.

Eles se encontram em alguma ilha da Grécia antiga em algum período a.C. - quando era possível cultuar os mais diversos deuses, conforme a necessidade do momento. Fora isso, não há muito que faça sentido, ou que valha o esforço de concentração para entender "Imortais". O protagonista nutre uma afeição pela mãe que está mais para Édipo do que Teseu - mas tudo bem, afinal, Athena também troca olhares lânguidos com o pai, Zeus, e não é nenhuma Electra.

Há também prisioneiros escravizados - o que inclui Stephen Dorff, que parecia ter se reencontrado em "Um Lugar Qualquer", mas derrapa novamente aqui - e uma série de atitudes misóginas, especialmente vindas do Rei Hiperion, que quer-porque-quer conquistar o mundo (entenda-se apenas a Grécia e seus arredores). Para isso, liberará os Titãs, seres aprisionados e nervosinhos que lutam feito ninjas e foram treinados sabe-se lá por quem. Já o Minotauro parece qualquer coisa menos o ser mitológico que todos conhecemos. No fundo, a única coisa que "Imortais" pega da mitologia grega são os nomes dos personagens.

Imortais situa-se em algum lugar entre o remake de A Fúria de Titãs e Conan, o Bárbaro. É difícil dizer, no entanto, exatamente onde o filme se coloca, porque a distância que separa aquelas duas produções é muito pequena. Não espere cabeças gigantescas de estátuas falantes - não seria uma má ideia - nem um herói carismático. Teseu é chato, Hiperion é misógino ("A semente de um homem pode ser sua arma mais mortal", diz ele).

Contente-se em ver as sacerdotisas como mero objeto de desejo, fazendo caras e bocas ou banhadas em sangue - e isso não é bem um fetiche.  (Alysson Oliveira, do Cineweb)

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