'Iluminados' coloca diretores de fotografia na telona

No documentário, seis dos mais importantes diretores brasileiros da atualidade trabalham em uma mesma cena

Alysson Oliveira, da Reuters, REUTERS

08 de setembro de 2011 | 13h32

A fotografia no cinema ainda é uma questão que confunde muita gente. Qual é realmente a função de um diretor de fotografia? Como ele pode ajudar o diretor de um filme a transformar uma idéia em imagem? São questões como essas que emergem no documentário Iluminados, de Cristina Leal, que estréia em São Paulo e Rio nesta sexta-feira, 12.     Veja também: Trailer de 'Iluminados'   Iluminados é um documentário que parte de uma boa idéia e a executa muito bem. A diretora convidou seis dos mais importantes diretores de fotografia brasileiros da atualidade e deu uma mesma cena para eles iluminarem e enquadrarem de acordo com seus gostos e opções pessoais. O que se vê na tela são seis momentos completamente distintos, o que só comprova o pluralismo do cinema. Antes de cada cena, porém, o filme conta com depoimentos dos diretores sobre sua formação e influências. Dib Lutfi (Como Era Gostoso o Meu Francês), por exemplo, se mostra o mais interessado nas novas tecnologias. Em 2006, ele filmou Carreira, de Domingos de Oliveira, em digital. Na sua versão da cena de Iluminados, ele usa câmera no ombro e faz um plano-sequência (uma longa tomada sem interrupção). Edgar Moura (A Hora da Estrela) também opta por um plano sem cortes, mas sua concepção é completamente diferente da do colega. Fernando Duarte (Ganga Zumba) trabalhou uma fotografia mais naturalista, enquanto Pedro Farkas (Não Por Acaso) faz o mesmo, porém, com uma iluminação diferente. Ele, aliás, relembra a sua carreira e mostra que trabalhar com fotografia foi praticamente algo que estava no sangue. Seu pai é o famoso fotógrafo e produtor Thomas Farkas. Walter Carvalho (Central do Brasil) é quem faz as opções mais criativas, usando luz de velas e de relâmpagos para iluminar o cenário. Além de fotógrafo, ele é diretor bissexto e prepara primeiro longa de ficção que dirigirá sozinho, Budapeste, baseado no romance homônimo de Chico Buarque. Em seu currículo tem outros em co-direção, como Cazuza - O Tempo Não Pára e o documentário Janela da Alma. O último diretor de fotografia a dirigir a cena é Mario Carneiro (morto em outubro do ano passado), cujo currículo inclui 500 Almas e O Padre e a Moça. Nos últimos anos, ele também se dedicou a filmes sobre artes plásticas - para ele, a mãe da fotografia - e co-dirigiu Milton Dacosta: Construções Íntimas (1998), ao lado de Roman Stulbach. O maior acerto da diretora Cristina Leal é não deixar o filme didático, sem esquecer no entanto o espectador que não possui conhecimento técnico. As cenas que ilustram os depoimentos, garimpadas das obras dos entrevistados, mostram a abrangência do cinema brasileiro e são muito bem aproveitadas pela edição de Marcelo Moraes e Luiz Guimarães de Castro. Talvez a maior ausência sentida entre os entrevistados é Antonio Luiz Mendes, diretor de fotografia de filmes como Eternamente Pagu e Das Tripas Coração. Mas ele está presente em Iluminados, do outro lado da câmera, filmando seus colegas.

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