<i>Hollywoodland</i> traz história de um ator de Super-Homem

É um caso muito curioso. Ben Affleck eMatt Damon dividiram o Oscar de roteiro por Gênio Indomável,que Gus Van Sant dirigiu de forma um tanto decepcionante (é seufilme estruturalmente mais convencional, embora não destituídode qualidade). Na seqüência, Affleck tentou virar herói de açãoe, após uma série de fracassos (O Demolidor, Pearl Harbor,A Soma de Todos os Medos), aceitou um papel dramático e ganhouo prêmio de melhor ator no festival de Veneza do ano passado comHollywoodland - Bastidores da Fama, que estréia na sexta-feira, 9. Seguindo o caminho praticamente inverso, Damon nãoconvenceu num papel complexo como o de O Talentoso Ripley -fazendo o escroque criado pela escritora Patricia Highsmith, elenão se compara nem de longe ao frio e cínico Alain Delon de OSol por Testemunha -, mas virou astro de ação, o que Affleckhavia tentado sem êxito, na série Bourne. Mais curioso é observar que, se Ben Affleck é bom,Adrien Brody talvez seja melhor ainda no filme de Allen Coulter,diretor daquele poderoso chefão mexicano chamado O Traficantee de episódios da minissérie Roma. Hollywoodland é seu filmemais ambicioso e proporciona uma interessante mistura derealidade e ficção. O ponto de partida é real - a morte, em 16de junho de 1959, de George Reeves, um ator cuja fama se deve aofato de haver interpretado o papel de Super-Homem nos 104episódios da série que foi ao ar entre 1951 e 58. Catalogadacomo suicídio, a morte não mereceu uma investigação mais acuradada polícia de Los Angeles e o caso foi encerrado, por mais queas circunstâncias fossem (e permaneçam até hoje) obscuras. Natrama imaginada por Coulter, um detetive cujo prestígio anda embaixa - o personagem de Brody - resolve reabrir o caso einvestigá-lo por conta própria, o que faz com que a narrativa,em formato de quebra-cabeças de mistério, se desenvolva antes edepois da morte de Reeves. Em 1988, no que talvez tenha sido o modelo paraHollywoodland, Blake Edwards já havia misturado realidade eficção num relato policial, fazendo de Bruce Willis o caubói datela Tom Mix que se unia ao lendário xerife Wyatt Earp parainvestigar um crime em Assassinato em Hollywood. A diferença éque Edwards trabalhava no registro da comédia e Allen Coultertrabalha no do drama, mas em ambos os casos o crime possuiconotações sexuais. Brody, que se chama Louis Simo, descobre queGeorge Reeves era amante da mulher (Diane Lane) de um poderosoexecutivo da Metro. A história torna-se mais e mais complicada,com desdobramentos inesperados e, diante do poder e do dinheiro,contra os quais se choca Simo, o diretor descobre o verdadeirotema do filme - é o retrato amargo de dois perdedores,justamente o detetive e o astro (de segunda grandeza), cujamorte carrega tantos segredos. Hollywoodland possui qualidades, mas não parecetalhado a fazer história por suas revelações sobre os bastidoresda indústria. Não se compara a filmes cults como Crepúsculo dosDeuses (Sunset Boulevard), de Billy Wilder, nem Assim EstavaEscrito (The Bad and the Beautiful), de Vincente Minnelli,mas Ben Affleck e Adrien Brody agarram-se aos papéis. E a belezade Diane Lane é um colírio, com o acréscimo da intensidade queela imprime a suas personagens sempre sensuais. Hollywoodland - Bastidores da Fama (Hollywoodland, EUA/2006,125 min.) - Drama. Dir. Allen Coulter. Cotação: Regular

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