Identidade cultural é tema de mostra de curtas

O curso de Cinema da Universidade Federal Fluminense, um dos mais tradicionais do País, promove de hoje a segunda-feira, o 1.º Araribóia Cine, mostra composta com 18 curtas brasileiros que trabalharam o tema da identidade cultural. Niterói, sede da UFF, festeja hoje 429 evocando Araribóia, o líder indígena que dá nome à mostra e simboliza a ex-capital fluminense. O 1.º Araribóia Cine conta com apoio da Faperj (Fundação de Apoio à Pesquisa) e tem caráter reflexivo. Cineastas de todo o Brasil vão debater seus filmes com professores, ensaístas e pesquisadores que se dedicam ao estudo do cinema brasileiro. As sessões ocorrerão no Cine Arte UFF (Rua Miguel de Frias, n.º 9, em Icaraí) . O primeiro programa vai debater o tema Imagens da Periferia e exibir os filmes Couro de Gato, do cinema-novista Joaquim Pedro de Andrade (1960), Rota ABC, de Francisco César Filho (1991), Dadá, de Eduardo Waisman (2002) e À Margem da Imagem, de Evaldo Mocarzel (2002). Para debater as representações da pobreza, dos excluídos nas periferias, subúrbios, favelas, mocambos e palafitas, a curadoria da mostra escalou Ivana Bentes, autora da mais polêmica das teses geradas no meio acadêmico brasileiro (Sertão e Favela: Da Estética à Cosmética da Fome). Ao estudar a representação cinematográfica da miséria brasileira no período do Cinema Novo (pautado pelo manifesto Estética da Fome, de Glauber Rocha) e compará-la com a do "cinema da Retomada", Ivana cunhou o explosivo conceito da Cosmética da Fome (ao referir-se a filmes que maquiam a realidade ou museificam o sertão ou a favela). O conceito tornou-se o mais inflamável dos combustíveis de reflexão cinematográfica do País. Além de Ivana Bentes, professora da UFRJ, os debates contam com os cineastas Francisco César Filho e Eduardo Waisman, e as pesquisadoras Mariana Baltar e Tetê Mattos (ambas da UFF). O segundo dia será dedicado ao tema Relações de Gênero, com quatro filmes: Cartão Vermelho, de Laís Bodanzky (1994); El Macho, de Ennio Torresan (1993); Jugular, de Fernanda Ramos (1997); Sargento Garcia, de Tutti Gregianin (2000); e Vaidade, de Fabiano Maciel (2002). O tema do terceiro dia da mostra é Identidades Regionais, com os curtas Negócio Fechado, do mineiro Rodrigo Costa; Maracatu, Maracatus, do pernambucano Marcelo Gomes; Passadouro, do paraibano Torquato Joel; e Copa Mixta, do fluminense José Joffily. No quarto e último dia da mostra, o Araribóia Cine presta homenagem ao curta-metragista niteroiense Eduardo Nunes, exibindo e debatendo os filmes A Infância da Mulher Barbada (1996), Tropel (2000) e Reminiscência (2001). Na mesa, além do homenageado, estará Eduardo Valente, autor do premiadíssimo Um Sol Alaranjado e mestrando em cinema na ECA/USP.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.