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Identidade animada

Maior festival do gênero no Brasil vai exibir mais de 400 filmes de 53 países

Flavia Guerra, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2013 | 19h37

Quem é fã de animação já sabe que agosto é mês de o Anima Mundi trazer o melhor da produção nacional e internacional para as telas de Rio e São Paulo. O segundo maior festival do gênero do mundo começa na sexta, na capital carioca, e chega à paulista no dia 14. Entre os mais de 1.500 inscritos e 500 selecionados para compor as diversas mostras do evento, falar de um ponto comum que una, seja em questão de linguagem seja temática, todas as obras é praticamente impossível. Afinal, uma das maiores características do mercado de animação mundial é que a cada momento surge uma nova técnica, uma nova forma de se contar histórias animadas.

Mas Cesar Coelho, um dos diretores do Anima Mundi, aponta a crise de identidade como questão comum a filmes que chegam tanto da Coreia quanto do Canadá, da França e do Brasil. “Observamos em longas e curtas de vários países. Há uma crise. E as pessoas querem se expressar. A animação serve de forma de expressão individual”, comenta Coelho. “Hoje, com a tecnologia, é mais fácil produzir animação. Com um bom computador, é possível fazer um filme em casa. Tendo paciência e talento, consegue-se fazer boas coisas”, comenta. “E percebi muita coisa neste tom. De gente que quis dizer ‘quero falar de um problema da minha vida particular, da minha família, de uma questão política da minha cidade’.”

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Quanto à produção nacional, vale destacar a fase de amadurecimento do setor. Além de contar com a exibição fora de competição de Uma História de Amor e Fúria, de Luiz Bolognesi, que venceu o festival de Annecy (na França, o Cannes da animação), o festival recebe, no Anima Forum, três diretores brasileiros que finalizam seus longas: Paolo Conti, que apresenta Minhocas, O Filme; Otto Guerra, com Até que a Esbórnia nos Separe; e Alê Abreu, de O Menino e O Mundo. “Falam do processo de trabalho e são atração forte do fórum, que ocorre semana que vem no Rio”, comenta Coelho.

Ainda na lista dos nacionais, Luz, Anima, Ação!, de Eduardo Calvet, é o segundo longa a ser exibido hors concours. Um passeio pela história do cinema animado no Brasil, o filme vem em boa hora, quando o País avança em políticas públicas de incentivo à produção nacional, principalmente para a TV. “Avançamos muito. Há alguns anos, era impensável um cenário em que há tantos longas em finalização, séries de TV, feitas em coprodução com o exterior”, analisa o diretor, que pondera que o Brasil ainda tem muito a percorrer.

Para Coelho, o último desafio da animação brasileira é se firmar na produção de longa-metragem. “O longa requer expertise, roteiro mais elaborado, preparação mais trabalhosa, trilha sonora mais complexa. E nisso ainda temos muito o que fazer.”

Por esses motivos é que o diretor comenta ainda que, tão importante quanto o incentivo à produção, é a capacitação de mão de obra. “Em determinadas etapas, ainda estamos começando. Se precisarmos uma técnica mais avançada, ainda vai haver falta de profissionais.” Para tentar preencher esta lacuna, está em discussão a criação de bolsas de estudos para profissionais em escolas internacionais.

Na lista do que ainda é preciso fortalecer, está o incentivo a eventos do porte do Anima Mundi, que já recebe mais 100 mil pessoas. Se por um lado, no Rio, o festival se mudou do Centro Cultural Banco do Brasil para a Fundição Progresso para melhor acolher o público que cresce a cada ano, em São Paulo perdeu seu QG no Memorial da América Latina por conta da queda da verba – em 2013, o Anima se muda para o Cine Olido e o Espaço Itaú de Cinema. “Captamos verba por meio das leis de incentivo. E algumas empresas que nos apoiaram em outras edições, desta vez, entraram com menos verba. Muito se diz que, em questão de marketing cultural, foi por conta da verba já canalizada para ser investida nos grandes eventos de esportes que vêm por aí”, diz Coelho.

Nas Master Classes e no Anima Forum, há atrações que vêm do Canadá, com Wendy Tilby e Amanda Forbes, que concorreram ao Oscar 2012 com o curta Wild Life; o irlandês David O’Reily, que subverte a computação gráfica a cada projeto; e o artista e ilustrador americano Andrew Probert. Criador de ícones como o DeLoren de De Volta para o Futuro e a Enterprise de Jornada nas Estrelas, Probert vem ensinar técnicas de design.

ANIMA MUNDI

De 2 a 11/8, Fundição Progresso e Oi Futuro, Rio de Janeiro

De 14 a 18/8, Espaço Itaú de Cinema e Cine Olido

www.animamundi.com.br

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