Ibermedia quer integração de público latino

O Fundo de Financiamento para Filmes Ibero-Americanos (Ibermedia) divulgou ontem, durante o festival do Rio BR, os novos projetos contemplados com a verba de apoio do grupo. Do Brasil, foram escolhidos seis projetos mais uma bolsa de formação pessoal. São três prêmios diferenciados, um para distribuição e promoção de filmes, outro para desenvolvimento de projetos. O prêmio para co-produção entre os países integrantes, ganhou maior vulto e representa quase a totalidade do orçamento do grupo. O cineasta Gillo Pontecorvo, de A Batalha de Argel, também aposta na co-produção para o crescimento do cinema latino e veio ao Rio para discutir um projeto de integração de um público que segundo ele, chega a mais de 650 milhões de espectadores.O Vestido, uma co-produção Brasil/Argentina, da Vitória Produções e Uma Vida Em Segredo, da Raiz Produções, uma parceria com o Chile, receberão cada um 150 mil dólares para produção. O prêmio de 10 mil dólares para desenvolvimento de projeto ficou com É Proibido Proibir e M 8 - Quando a Morte Socorre a Vida. Os distribuidores brasileiros dos títulos Capitães de Abril, de Maria de Medeiros e Palavra e Utopia, de Manoel de Oliveira, ambos da Mostra Internacional de Cinema, receberão, além de um apoio promocional, uma verba de US$ 24 mil ao todo.O Ibermedia tem normalmente dois encontros anuais. Em junho é feito um balanço do resultado dos investimentos anteriores e inicia-se a avaliação dos novos projetos. O comitê se reúne em outubro, para a divulgação dos contemplados nas classes diferenciadas de prêmios. Este ano serão distribuídos, ao todo, mais de US$ 3,5 milhões entre produções da Argentina, Brasil, Colômbia, Cuba, Chile, Espanha, México, Portugal, Uruguai e Venezuela.O Secretário do Audiovisual, José Ávaro Moisés, representante brasileiro no comitê, explica que o País frisou a necessidade de investir em co-produções como o melhor caminho para o desenvolvimento da indústria de cinema. "Uma produção em parceria permite que os países produzam coisas novas, além de facilitar a integração dos mercados", explica Álvaro Moisés. Segundo ele, para o Brasil é mais vantajoso esse sistema porque o governo já dispõe de um programa de distribuição de bolsas de estudos e o cinema nacional precisa de mais que acordos de cooperação." Havia uma resistência à idéia que foi quebrada. Agora 80% do investimento será para as co-produções", explica o secretário.Outra questão discutida durante o encontro foi a proposta da representação da Espanha de transformar o Ibermedia numa entidade oficial internacional. "É preciso amadurecer melhor esta idéia, precisamos ver se já existe uma organização como esta, além de pressupor necessidades burocráticas que despendem muito dinheiro", explica Moisés.Co-produções também é o caminho que o cineasta Italiano Gillo Pontecorvo vê para o desenvolvimento do cinema latino. Pontecorvo sabe bem as dificuldades do cinema de baixo orçamento; seu filme Queimada foi rodado com uma equipe mínima e utilizando-se da eletricidade dos moradores locais e em A Batalha de Argel ele sofreu com a falta de um continuísta.Gillo veio ao Festival do Rio trazendo seu sonho de integração dos países de língua de origem latina; América Latina, Itália, França, Espanha e Portugal, como explicou ao Estadao.com.br. Ele acalenta essa idéia desde que dirigia o festival de Veneza, mas segundo ele, "ninguém deu muita atenção, na época". Agora, o diretor está totalmente voltado para a idéia de criação de um novo bloco cinematográfico de cooperação mútua, com intercâmbio, co-produção e estudo de produções audiovisuais. "São países com muita coisa em comum, cultural e historicamente", diz Pontecorvo. A idéia é multiplicar as possibilidades de cooperação: "Podemos ter muitas co-produções, acordos de distribuição, publicidade, e até um ´star system´ latino". Ele deixa claro que a iniciativa não é um ato político contra o cinema norte-americano, mas uma alternativa para que o latino veja a sua cultura estampada na tela. Ele lamenta a dificuldade de acesso às produções e diz que, por isso, não conhece bem o cinema brasileiro. "Isso é uma situação terrível, é como viver numa casa onde não há espelhos. As pessoas não podem olhar para elas mesmas. Ter um olhar para si é importantíssimo para a vida em sociedade", conclui Pontecorvo.

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