<i>300</i> traz Rodrigo Santoro irreconhecível como Rei Xerxes

Rodrigo Santoro vive em 300 de Esparta o papel mais pop e, ao mesmo tempo, mais esdrúxulo de sua carreira. Depois de ganhar credibilidade no cinema brasileiros com atuações em filmes como Bicho de Sete Cabeças, de Laís Bodanzky, e Carandiru, de Hector Babenco, e ganhar fama no exterior por papéis em As Panteras e no seriado Lost, o ator interpreta o rei Xerxes da Pérsia na super produção 300 de Esparta, que tem pré-estréia mundial durante o Festival de Cinema de Berlim. O longa-metragem, ao qual o Estado assistiu com exclusividade em uma sessão para a imprensa mundial na semana passada, em Los Angeles, é baseado na grafic novel homônima de Frank Miller e conta a Batalha das Termópilas, episódio histórico das Guerras Médicas, em 480 A.C. As sangrentas batalhas foram travadas entre os gregos (aqueus, jônios, dórios e eólios) e os persas, que disputavam o território da Jônia, na Ásia Menor, quando as colônias gregas da região, principalmente Mileto, tentaram se livrar do domínio persa. A Batalha das Termópilas, travada durante a II Guerra Médica, no verão de 480 a.C., ganhou este nome por ter ocorrido no desfiladeiro das Termópilas, na Grécia Central. Ali, segundo conta o historiador Heródoto de Halicarnasso, 300 espartanos, sob o comando do seu rei Leonidas I, acompanhados por não mais de 7 mil aliados de outras cidades-Estado gregas, enfrentaram milhões de persas liderados por Xerxes, filho de Dario I. O episódio foi de tal forma sangrento e heróico que se tornou mito e exemplo de bravura e motivação até os dias atuais. Assim como Sin City, outro mega sucesso do cinema que levou para a tela a obra de Miller, 300 de Esparta presta fidelidade extrema e surpreendente ao episódio histórico e, mais que isso, ao traço de Frank Miller, que não poupou detalhes para recontar em quadrinhos esta batalha mitológica. As cenas de batalha são, para se dizer o mínimo, de uma riqueza cirúrgica. Muito sangue, suor e testosterona na tela. No filme, Santoro divide a cena com Gerard Butler, que faz seu inimigo espartano Rei Leonidas, Lena Headey, a rainha Queen Gorgo, David Wenham, o guerreiro Dilios, Dominic West, o guerreiro Theron; e Vincent Regan, o Capitão. O atro brasileiro está praticamente irreconhecível e, para se preparar para o papel, teve de raspar a cabeça, as sobrancelhas e ser submetido diariamente a uma longa sessão de maquiagem e de implante das dezenas de piercings e adereços de ouro, tal qual o real Xerxes usava. Além disso, sua voz foi modificada digitalmente, dificultando sua identificação, coisa que não aconteceu com os outros atores do elenco. O blockbuster estréia em breve no Brasil e deve sacudir a temporada de filmes baseados em quadrinhos. Além de 300 de Esparta, chegam em breve às telas as adaptações Ghost Rider (em 02 de março) e Homem Aranha 3 (com pré-estréia mundial em abril, em Tóquio). Santoro em Berlim Em Berlim, o ator brasileiro disse aos jornalistas nesta quarta-feira, antes da exibição de 300 de Esparta no Festival de Cinema de Berlim, que nem tudo na vida é músculo, referindo-se às imponentes massas musculares que do filme de Zack Snyder e da HQ de Frank Miller. Seu papel no filme exigiu "muito mais que presença física, tive que passar por um processo interno para interpretar o personagem de um ser que acredita estar no tipo do mundo". Santoro participa da Berlinale com o ator Gerard Butler e o diretor Snyder, cuja adaptação para o cinema da história em quadrinhos de Miller foi projetada na sessão oficial, apesar de fora de concurso. O filme foi rodado em um estúdio no Canadá, e os cenários das grandes batalhas e corpos destroçados foram obra dos gênios digitais. A produção custou US$ 65 milhões (cerca de R$ 130 milhões). Snyder defendeu sua obra como fiel "à perspectiva de Miller" e disse que nos dois líderes que se enfrentam, Leônidas e Xerxes há "certa semelhança" com o presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.

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