"Hulk" chega antes aos camelôs

Na semana passada, uma semana antes de estrear nos cinemas americanos, o filme Hulk, de Ang Lee, era facilmente encontrável em DVD nas bancas de camelô do centro de São Paulo, vendido pela módica quantia de R$ 10,00. A imagem é ruim, os recursos são parcos, não tem legendas, mas é ele mesmo, o longa-metragem que revive o monstro verde dos quadrinhos criado por Stan Lee e Jack Kirby em 1962. O fenômeno tem se repetido com os blockbusters da temporada. Homem-Aranha, Demolidor e Matrix Reloaded chegaram antes às bancas de madeira do que aos cineplex.O Hulk dos camelôs é bem mais verde do que o do cinema. Terrivelmente copiado, vem com algumas tarjas laterais e causa barulhos fantasmagóricos no aparelho. Na trama, Eric Bana faz o papel de Bruce Banner e Jennifer Connelly é Betty Ross, o grande amor da besta. Os prejuízos da pirataria cinematográfica, no Brasil, não podem ser grandes, dada a pequena quantidade de consumidores de DVD ainda existente. Mas pode se tornar expressiva num futuro muito próximo. Dados do boletim Screen Finance, um relatório encomendado recentemente pela Comissão Européia, mostra que, hoje, o cinema americano tem 34% da sua receita oriunda das bilheterias. Outros 40% são provenientes da venda de DVDs e vídeos, 17% da TV paga e 9% da TV aberta. Na Europa, DVD e vídeo representam 17% da receita.Música - No setor fonográfico, os números da pirataria só crescem. Somente no primeiro trimestre deste ano, mais de 1,5 milhão de CDs falsificados foram apreendidos no País, segundo dados da Associação para a Proteção do Direito Intelectual Fonográfico (APDIF do Brasil). São Paulo foi o Estado mais afetado, com cerca de 560 mil unidades falsificadas, seguido por Brasília e Nordeste.A pirataria musical, de acordo com a associação, causou o seguinte cenário: foram fechados 2 mil pontos de venda de discos; houve uma queda de 30% no número de artistas contratados por grandes gravadoras; houve uma queda de 24% no lançamento de novos produtos no mercado; houve uma redução de 30% nos postos de trabalho e deixaram-se de arrecadar 28% de impostos diretos.

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