Hugo Chávez é cartaz em mostra de cinema venezuelano

Sete produções venezuelanas realizadas nos anos 90 serão exibidas, de hoje a domingo, no Centro Cultural São Paulo. O grande destaque é Amanheceu com o Golpe. O filme recria, ficcionalmente, a tentativa de golpe liderada pelo então tenente-coronel Hugo Chávez, hoje presidente eleito da Venezuela. Mas o melhor filme da mostra é Jericó, de Luis Alberto Lamata, vencedor do Festival de Havana de 1991.A trama de Jericó traz semelhanças com o superestimado A Missão, de Roland Joffé (Inglaterra/1986). Em foco, um religioso (Santiago, frade dominicano) que, embrenhando selva adentro, tenta transformar o mundo. Na época do desembarque do colonizador espanhol no Novo Mundo (em busca de ouro e outras riquezas), o frade mergulha em aventura cruel e alucinada.Quem se interessa pela história venezuelana deve conferir Amanheceu com o Golpe (1998). O protagonista do filme é ninguém menos que o atual presidente Hugo Chávez. Na época (abril de 1992), ele era um jovem tenente-coronel e se propunha, pela via da rebelião militar, a "derrubar o governo e acabar com a corrupção". A história do golpe foi roteirizada pelo dramaturgo José Inacio Cabrujas (autor das peças Colombo, o Genovês Alucinado e El Dia Que Me Quieras). Faltam, porém, leveza e nuance à direção do mão-pesada Carlos Azpurua. É um típico telefilme. Oportunista e apressado. Mas Hugo Chávez, eleito presidente, assistiu ao docudrama e gostou do que viu.Na quinta-feira será exibido Rio Negro (1990), de Atahualpa Lichy, realizador que se divide entre Caracas e Paris. A espanhola Angela Molina lidera elenco do drama passado em 1912, quando o ditador Juan Vicente Gómez comanda o país com mão de ferro. Em Rio Negro, a população aguarda a chegada de Osuna, novo governador (nomeado por Gómez). Manifestações de desagrado acontecem durante a recepção ao novo mandatário. Carrera, o chefe local, faz questão de reafirmar sua autoridade. Manda prender o opositor. A população se desilude com Osuna. Há uma intervenção para "purificar radicalmente a região".Completam a mostra os filmes A Voz do Coração, de Carlos Oteyza; Batidas na Minha Porta, de Alejandro Saderman (que competiu no Festival de Gramado/94); Nu com Laranjas, de Luis Alberto Lamata (o diretor de Jericó, mas aqui sem a mesma garra); e Pele, de Oscar Lucien.Mostra do Cinema Venezuelano. Terça, às 16 h, domingo, às 18 h, ´A Voz do Coração´/97, de Carlos Oteyza; terça e quarta, às 20 h, ´Amanheceu com o Golpe´/98, de Carlos Azpúrua. Grátis. Centro Cultural São Paulo - Sala Lima Barreto. Rua Vergueiro, 1.000, tel. 3277-3611. Até 10/3.

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