REUTERS/Mario Anzuoni/Files
REUTERS/Mario Anzuoni/Files

Hugh Jackman se mostra à vontade cantando e dançando em 'O Rei do Show'

Musical também conta com a presença de Michelle Williams, Zac Efron, Zendaya, Rebecca Ferguson e Keala Settle

Albert Rigol, EFE

01 Janeiro 2018 | 06h00

LONDRES - A possibilidade de “contar histórias que mexem com as pessoas” e a forte mensagem por trás de O Rei do Show, o novo musical de Michael Gracey, são os motivos que convenceram Hugh Jackman a atuar no filme, afirmou o ator. 

Ambientado no século 19, o filme narra a vida de P.T. Barnum, vivido por Jackman, um “visionário e pioneiro” do mundo dos espetáculos que se transforma no “showman” mais importante do mundo por meio de espetáculos transgressores que chocam a moral da época.

+ 'O Rei do Show' cumpre seu papel e levanta o astral

O Rei do Show, que estreou no Brasil em 28 de dezembro, também conta com a presença de Michelle Williams, Zac Efron, Zendaya, Rebecca Ferguson e Keala Settle, que protagonizam boa parte das coreografias e canções apresentadas ao longo do filme.

“Atuar em um filme como este é maravilhoso. A mensagem e a música são encantadoras, e acredito que a história é poderosa porque se dirige a todas as pessoas”, explicou à Jackman, em um hotel de Londres.

A mensagem do longa se condensa em duas importantes ideias: a busca pelos sonhos, encarnada em Barnum, que começa sem nada, e a ideia de aceitar a si mesmo, representada em todos os integrantes do circo, os quais viviam marginalizados por uma sociedade pouco tolerante. Esta última, de acordo com Jackman, tem especial importância quando se é jovem, porque “a ideia de que o que te faz diferente te faz especial, e de que a vulnerabilidade te faz mais forte é tudo”.

+ ‘Star Wars: Os Últimos Jedi’ passa marca de US$1 bilhão no feriado

Michael Gracey, também em entrevista à EFE, considerou que se deve recorrer aos musicais “quando as palavras já não são suficientes”, algo que justificou com a tendência que temos de utilizar a música em nossos altos e baixos emocionais.

“Um exemplo disso é quando Lettie Lutz (Keala Settle) é expulsa de uma festa, a porta fecha na sua cara e ela começa a cantar. No início, sua voz é fraca, e ela canta para si mesma, mas no final está de pé, no meio do circo, cantando e declarando, ‘Esta sou eu!’”, adicionou Gracey.

Apesar de estrear um ano depois de La La Land – Cantando Estações, a ideia de apostar no gênero musical já vinha há algum tempo, explica Gracey, que também contou em sua equipe com Benj Pasek e Justin Paul, roteiristas musicais da obra de Damien Chazelle.

“Quando falamos de grandes musicais, como Cantando na Chuva e Mary Poppins, basta apenas dizer os títulos para que suas canções nos venham à cabeça. É preciso ter canções que sejam memoráveis”, explicou Gracey quando questionado quanto aos ingredientes necessários para fazer um bom musical. 

Sobre seu personagem, Jackman considera que Barnum “era uma pessoa muito disruptiva” e que, tal e como o conhecemos hoje, “seria uma espécie de Steve Jobs ou Elon Musk”.

Barreiras. É daí que vem o maior desafio para a interpretação desse personagem, uma vez que “o fato de serem personagens conhecidos publicamente torna difícil descobrir o que os fazem ser como são”, apontou o ator.

“Barnum rompeu com o que era considerado correto e com a maneira pela qual o entretenimento era concebido. Todas essas barreiras se romperam graças a ele”, ressaltou.

Além disso, Jackman acredita que as atitudes pouco tolerantes enfrentadas Barnum e os integrantes do circo ainda estão presentes em nossa sociedade, sobretudo “o medo e a desconfiança” em relação àqueles que são diferentes de nós por sua religião, seu país de origem, sua idade ou sua orientação sexual.

“Todas as coisas que nos tornam diferentes deveriam ser motivo para a inclusão, para o entendimento, para a tolerância, para estarmos lado a lado. De fato, quando estamos todos juntos, somos muito mais poderosos, e isso pode trazer resultados positivos e surpreendentes”, concluiu.

Seguindo a mesma linha, Gracey considerou que os temas abordados pelo filme são relevantes atualmente e acredita no poder de influência do cinema.

“Um filme como esse tem a responsabilidade de utilizar esse fantástico formato para, no mínimo, apresentar uma mensagem – que, neste caso, é a aceitação”, destacou. / TRADUÇÃO DE SIRLENE FARIAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.