"Hora do Rush 2" é comédia policial

Parece que os Estados Unidos são o único lugar digno para o desfecho dos grandes filmes policiais. A recente prova disto está em Hora do Rush 2, continuação do sucesso que quase cobriu seu custo, US$ 35 milhões, só no fim de semana de estréia. Em ambos, a ação migra da Ásia à América. O chinês Jackie Chan não deixa barato e brilha na viagem compulsória que faz a Los Angeles e Las Vegas. A história é simples, só um pouco mais elaborada que a do primeiro Hora do Rush. O detetive Lee (Chan) e o tira americano James Carter (Chris Tucker) têm suas férias em Hong Kong interrompidas por uma grande explosão na embaixada dos EUA. Um dos suspeitos é Ricky Tan (John Lone), ex-policial corrupto que agora falsifica dólares. Além da vilã Hu Li, encarnada pela chinesinha Zhang Ziyi, há uma femme fatale (Roselyn Sanchez) que vai bagunçar a cabeça do policial chinês. Chris Tucker assume, sobretudo em Hong Kong, o americano malandro que ensina os chineses a cantar hits de Michael Jackson e que galanteia a mulherada local. Seria um clichê não fosse sua voz aguda, que faz rir antes de irritar. Com 98 atuações e 18 direções, Jackie Chan tem misturado engenhosamente a comédia e lutas marciais em seu currículo. Não é por menos que Hora do Rush 2 cresce quando o chinês parte para Los Angeles, lugar que evidencia seu traquejo para driblar golpes, balas e algemas. O problema do filme é que o conflito entre os personagens de Chan e Tucker fica diluído em relação ao filme original. O embate com o lugar é que move os personagens, que se entendem melhor agora. Tal conflito de personalidades já foi muito bem explorado em fitas como Operação França, Sem Medo da Morte, Butch Cassidy e até no subestimado Inferno Vermelho, de Walter Hill. Curioso, contudo, é que Hora do Rush 2 vira a mesa em cima dos seus supostos problemas. Ao relevar o estranhamento geográfico e desesperar-se em resolver sua história nos Estados Unidos, o filme denuncia a hipocrisia da globalização, que prega um mundo sem fronteiras e sem distinção étnica. E é nesse universo que surge um nome como Jackie Chan, que despreza a geopolítica e usa sua criatividade e talento para fazer de uma pequena comédia policial um bom e rentável entretenimento.

Agencia Estado,

04 de outubro de 2001 | 17h48

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