Sony Pictures Animation
Sony Pictures Animation

Hora de dizer adeus a ‘Hotel Transilvânia’

Quarto e último filme da franquia de animação já mostra sinais de esgotamento

Lindsey Bahr, / AP

13 de janeiro de 2022 | 19h59

Aqui vão algumas coisas boas do quarto filme da franquia Hotel Transilvânia: Kathryn Hahn fazendo uma dubladora tão evocativa quanto é no live action; os monstrinhos dublados por David Spade, Keegan-Michael Key, Steve Buscemi e Brad Abrell; uma piada sobre um marshmallow (é sério); a revelação de que o homem invisível esteve pelado esse tempo todo; a duração de 94 minutos; e sua fácil acessibilidade no Amazon Prime Video a partir de 14 de janeiro.

Mas a melhor coisa de Hotel Transilvânia: Transformania talvez seja que é o fim. O poço de ideias da franquia aparentemente secou e eles tomaram a sábia decisão de se dirigirem para a porta de saída. Embora não tenha sido uma decisão sábia o suficiente para terminar tudo em alta.

Aquilo que começou como uma história bem esperta sobre relacionamento entre pai e filha, monstros e setor hoteleiro está no piloto automático desde seus primeiros dias e foi ficando sem combustível no meio do caminho. É difícil evitar a sensação de que todo mundo estava meio desanimado com esta última tentativa. Na verdade, nem é “todo mundo”, já que Adam Sandler, que foi o maior chamariz nos três anos anteriores como o Conde “Drac” Drácula, conseguiu sair fora mais cedo. Kevin James também.

Desta vez, sob a direção de Derek Drymon e Jennifer Kluska, Drac é dublado por Brian Hull, que faz um bom trabalho se aproximando do estilo vampírico de Sandler. Mas, mesmo que o personagem tenha tido três filmes para se acostumar com a ideia do relacionamento da filha, ele não evoluiu muito desde o primeiro filme, quando cai na cadeira horrorizado ao saber que Mavis (Selena Gomez) conheceu e se apaixonou por um humano, Johnny (Andy Samberg). No mundo do Hotel Transilvânia, eles se casaram e tiveram um filho, mas Johnny ainda se sente um estranho e Drac ainda detesta a ideia de ter de aceitá-lo como parte da família. Então, nesta edição, que foi produzida e co-escrita pelo criador da franquia, Genndy Tartakovsky, Drac decide no pânico do último minuto não fazer um grande anúncio público sobre passar o hotel para Mavis e Johnny.

Johnny, pensando que a culpa é sua por não ser monstro, pede a Van Helsing (Jim Gaffigan) que o ajude a mudar. O plano funciona. Ele se torna uma abominação pateta, escamosa e cheia de dentes, e dá tudo errado. Drac se torna humano, o que para ele significa estar fora de forma e ser meio patético, o estereótipo de um americano de férias - o que levanta questões incômodas sobre a possibilidade de as transformações serem um comentário sobre os eus essenciais do sujeito ou os humanos em geral. A coisa toda fica ainda mais estranha por causa das formas humanas que Frank, Murray, Wayne e Griffin assumem. Apesar de tudo isso, ninguém se importa muito com as transformações e todos precisam viajar pelo mundo todo para encontrar um cristal que pode devolver sua forma original antes que as transformações se tornem permanentes.

É difícil exagerar o quão espalhafatoso e frenético é todo o empreendimento. Mesmo com a explosão de cores ainda é difícil manter o interesse. O maníaco Hotel Transilvânia: Transformania não parece ser para os pais nem para crianças muito pequenas. Talvez haja algum apelo para crianças de 8 a 12 anos, que conseguem gostar desse tipo de personagem e embarcar em qualquer aventura que encontrem, mesmo que precisem de um pouco de paciência. / Tradução de Renato Prelorentzou

 

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