"Homens de Preto 2" é cheio de boas gags

O agente Jay (Will Smith) agoraestá por cima da onda, é o maioral da agência. Ele trocou o"velho" Ford LTD do primeiro filme por uma Mercedes E-500anabolizada e anda por Nova York com um novo parceiro, umex-fuzileiro naval que tem apenas dois neurônios - e um delesestá seriamente danificado. Então, ele troca de parceiro de novo desta vez recrutando o buldogue Frank, um cachorro alienígenaque fala e canta o tempo todo - hits inapeláveis como I WillSurvive, de Gloria Gaynor, e aquela canção Who Let the DogsOut, que deu origem ao Funk das Cachorras. Homens de Preto 2 é menos um filme do que umasucessão de gags, mas o fato é que são boas gags, garantem boasrisadas. Por exemplo: todo mundo acha que Michael Jackson andaparecendo um extraterrestre. Pois não é que ele mesmo, em pessoa aparece no filme para pedir um emprego na agência de controlede E.Ts.? O plot do filme é o mesmo do primeiro da série, de 1997.Homens de Preto tira sarro de uma grande teseconspiracionista que envolve as autoridades americanas desde osanos 50, aquela crença popular de que seres interplanetáriosentraram em contato com o Pentágono e sua existência é muito bemencoberta por uma decisão do Estado. Ou seja: haveria hoje E.Ts. vivendo entre nós,trabalhando em agências dos Correios, escondidos dentro dearmários da Grand Central Station, controlando o trânsito,vendendo antigüidades no SoHo ou pizzas na região do CentralPark. Para trabalhar na América, como imigrantes comuns, elessofreriam uma triagem numa espécie de alfândega intergaláctica,controlada pelos chamados Homens de Preto (MiB), agência secretado governo. Numa triagem de aliens esquisitões, o agentealfandegário aconselha: "Vocês não podem sair em sua formanatural para andar pela cidade - a não ser no East Village",diz ele. Script - O script aqui é o que menos importa, já que épossível criar uma infinidade de situações bizarras com essecenário. Há de fato um script (de autoria de Robert Gordon, deGalaxy Quest, e Barry Fanaro, de The Crew), mas é completamenteesquizofrênico e descabeçado. Por meio desse fio da meada, ficamos sabendo que ahistória consiste no seguinte: o planeta Terra pode serdestruído se a Luz de Zartha cair nas mãos da poderosa Serleena(Lara Flynn Boyle, maravilhosa, vestindo o tempo todo ummodelito de lingerie Victoria´s Secret, a medusa dos sonhos detodo o homem). "Basta um par de peitos para alguém conquistareste planeta", ela brinca. Serleena é uma criatura kylothianaque toma a forma que quiser - e a primeira que ela vê é a fotode uma modelo seminua numa revista no chão do Central Park. Ao lado da vilã Serleena está um atrapalhadoajudante-de-ordens de duas cabeças, Scrad ou Charlie (JohnnyKnoxville). Para impedir o intento da terrível criatura, sóexiste uma pessoa no universo: o aposentado agente Kay (TommyLee Jones), que hoje é agente dos Correios e não lembra patavinado que foi no passado. Recuperar Kay, torná-lo de novo um agente de primeira,salvar a Luz de Zartha (seja lá o que for isso) com a ajuda dosVermes bebedores de café e de um ex-convicto, Jeebs (TonyShalhoub, que fez o comerciante de armas que perde a cabeça nofilme anterior), é a missão dos Homens de Preto agora. Aliderá-los, está o inabalável chefe da agência, Zed (Rip Torn). O diretor é Barry Sonnenfeld, o mesmo que filmou JamesWest. Ele também não faz a menor diferença. Arruma umascenas-clichês que quase fazem o filme desmoronar (como aderradeira, o "grande armário" em que vivemos), não fosse suasimbologia já tão simpática aos espectadores. Esse, na verdade, é um filme para as criaturas de RickBaker, que deitam e rolam, e para a química especial entre doisatores, Smith e Jones, o torto e o mal-humorado. Smith pareceque ajeitou um pouco as suas antigas orelhas de abano com umacirurgia e até arruma tempo para um flerte (que obviamente nãovai vingar) com a charmosa Laura (Rosario Dawson).

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