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Homenageado do ano no Festival do Rio, Schrader encara o sexo em ‘The Canyons’

Diretor fala sobre o filme com James Deen e Lindsay Lohan e relembra influências do início da carreira

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

01 de outubro de 2013 | 19h40

Homenageado do Festival do Rio, que apresenta uma retrospectiva de seus filmes, Paul Schrader veio especialmente para mostrar o mais recente – The Canyons. Filho de pais calvinistas holandeses, Schrader não viu nenhum filme até os 17 anos. O primeiro foi da Disney – O Fantástico Super-Homem – e teve um impacto tão grande que o jovem Paul se mudou para Los Angeles. Descobriu um mundo regado a sexo, drogas e rock’n’roll. A sexualidade, desde então, tem sido uma obsessão, que retoma em The Canyons. O filme começa e termina com duas conversas de casais. Na primeira, o produtor James Deen diz que confia na mulher, mas não é verdade. Suspeitando de que Lindsay Lohan o trai, o dominador Deen prepara sua vingança.

James Deen é um astro pornô. Foi duro encontrar uma atriz classe A que aceitasse contracenar com ele. Lindsay Lohan topou (e até coproduziu o filme). Mas Schrader conta que também foi complicado convencer Deen a fazer uma cena de sexo que incluía beijo e sexo oral com outro homem. “Meu negócio é com mulher, cara. É o que meu público quer.” Para atender o público de Deen, Schrader sabia que teria de mostrá-lo em nu frontal. “Pelo menos uma vez eu teria de mostrar a genitália dele. Quanto a isso James não teve problemas.”

Como toda obra do diretor, mesmo em seus roteiros para Martin Scorsese, The Canyons trata de um homem preso numa armadilha. “Meu personagem típico é alguém que mente. Pode dizer que está sendo sincero, mas é mentira.” Boa parte da ‘dramaturgia’ schraderiana nasce daí, e The Canyons não é exceção. O filme tem roteiro de Bret Easton Ellis, autor de Psicopata Americano. “Íamos fazer um filme que não se viabilizou. Hollywood mudou muito. Eu lhe propus – e se você escrevesse um roteiro que a gente mesmo produzisse?” O filme nasceu assim.

“Bret escreveu no Facebook que o personagem era inspirado em James Deen e o próprio James se ofereceu para fazer o papel. Todo mundo botou dinheiro, num esquema de cooperativa. Saiu muito barato, mas não creio que vá fazer outro filme desse jeito. Valeu como experiência, mas nem todo projeto pode ser feito assim.” Sobre a parceria com Scorsese – Motorista de Táxi, Touro Indomável etc –, ele diz que terminou para que permanecessem amigos. “Marty virou uma instituição”, e isso deixa subentendido os problemas que travaram a relação profissional.

O cineasta confirma as duas iluminações que teve, na vida e na carreira. Admirador de Robert Bresson, Carl Theodor Dreyer e Yasujiro Ozu, ele descobriu o tipo de cinema que queria fazer ao assistir a Pickpockett, do autor francês. Anos mais tarde, viu O Conformista, de Bernardo Bertolucci. “Mais que a política, a forma me seduziu.” Mas ele concorda – “O que me move é a busca da transcendência de meus mestres.”

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