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Homem-Formiga nos cinemas, Paul Rudd compartilha seus estudos para o filme

Ator que também colaborou no roteiro fala sobre suas impressões sobre os diferentes tipos de insetos que estudou para atuar no recordista de bilheteria

Entrevista com

Paul Rudd

Dave Itzkoff, THE NEW YORK TIMES

22 Julho 2015 | 03h00

Neste inverno, no seu multiplex local, Paul Rudd é o Homem-Formiga, o super-herói de tamanho variável capaz de encolher para proporções minúsculas e se comunicar com insetos, no filme de ação da Marvel que alcançou o topo das bilheterias brasileiras no fim de semana passado, levando 721 mil pessoas aos cinemas nos quatro primeiros dias e desbancando Minions.

Mas Rudd, um astro de comédias como Faça o que eu digo e Ligeiramente grávidos, é um homem formiga de outra maneira séria. Na preparação para Homem-Formiga, cujo roteiro ele ajudou a escrever (com Adam McKay, Edgar Wright e Joe Cornish), ele estudou a fundo as formigas – para padrões do show business – e veio a apreciar todos os pequenos detalhes que aprendeu sobre os insetos rastejantes. 

“Ao fazer este filme, você quer sentir uma conexão com as formigas”, disse Rudd numa entrevista. “Você quer compreendê-las um pouquinho.”

“Comecei a ler cada vez mais sobre elas”, acrescentou. “Elas são muito avançadas em termos de sobrevivência, e as maneiras como os muitos tipos de formigas se distinguem são simplesmente fascinantes. E também, bizarros demais."

Nestes trechos dessa conversa, Rudd (que não é nenhum mirmecologista de carteirinha) explora seus estudos para Homem-Formiga, suas lembranças e a ajuda ocasional da internet para falar sobre alguns de seus membros favoritos da família Formicidae.

Formiga Trap-Jaw. Esta foi uma das que achei particularmente intrigantes em minha pesquisa. Elas são muito especializadas e têm mecanismos de defesa tão bons que se houver um bando delas e elas se sentirem ameaçadas, começarão a saltar para um lado e para outro usando suas mandíbulas num efeito parecido com pipoca estourando, para confundir o atacante. É assustador. E essa formiga consegue encostar sua mandíbula no chão, abri-la e usar a força para saltar para o alto e para longe de qualquer tipo de situação perigosa – quase oito centímetros. E isso é o equivalente a alguém de 1,75 metro saltando 13 metros. Este poderia ser o tamanho de Jon Stewart. Uma formiga trap-jaw encostando a cabeça no chão e saltando para trás é o equivalente a Jon Stewart saltando 13 metros no ar. Eu sempre gostei desse tipo de comparação palpável, fácil de digerir.”

Formiga-tartaruga. "Tem uma espécie de líquen em árvores para o qual as formigas-tartarugas são atraídas, e o líquen deixa a árvore branca, e é fácil para elas enxergá-lo. Mas seus corpos tem uma habilidade tão aerodinâmica que se elas saltam ou caem e, mesmo no último instante, percebem que é apenas a luz do sol atingindo uma folha ou algo assim, elas podem girar seus corpos 180 graus em pleno ar. Existe um tipo de besouro que faz furos numa árvore, e quando ele se afasta, as formigas se apoderam dos túneis. Essas formigas fecham o buraco que os besouros perfuraram como uma rolha – basta um indivíduo usando sua cabeça enquanto o resto da colônia vive na árvore. Elas são as criaturas mais altruístas que já encontrei. Seu trabalho é: ´Vou prender minha cabeça num buraco e proteger o resto da turma`. Eu adoro meus filhos mais do que tudo na vida. Mas se tivesse de enfiar minha cabeça na porta da frente do meu apartamento 24 horas por dia para manter pessoas fora, não sei se conseguiria aguentar.”

Formiga tocandira. “Tem uma coisa chamada o Índice de Dor Schmidt, e nele a tocandira figura em primeiro lugar. As mordidas da tocandira são registradas, por esse sistema, como a coisa mais dolorosa existente à qual se pode sobreviver. Existe uma tribo com um ritual no qual a pessoa tem de enfiar as mãos numas luvas repletas de tocandiras. Elas mordem a pessoa, e este é um daqueles rituais em que o menino se torna um homem. É o mais doloroso bar mitzvah que alguém já teve. É mil vezes pior do que vestir um terno de riscas e ser apunhalado com canetas tinteiro. Tenho uma resistência muito alta à dor. Eu me lembro que quando era garoto, me queixava a minha mãe que estava com dor no ouvido. Ela dizia, ´Há quanto tempo você está sentindo?` Eu dizia ´Não sei – acho que um mês, talvez`. E ia ao médico só para descobrir que estava com uma enorme infecção do ouvido, e ele não sabia como eu até conseguia andar. Mas vendo isso, eu não entrava nessa em hipótese nenhuma.”

Formiga-drácula. "Elas não são canibais, mas são uma espécie de coisa mais próxima, pois sugam o sangue de suas larvas. Elas não as matam, mas é como conseguem sua nutrição normal. Você pensa, esta é a natureza no que ela tem de mais abjeto e mais fascinante. E elas foram descobertas não faz muito tempo. O primeiro gênero da formiga-drácula foi identificado em Madagascar em 1993. É o oposto daqueles caras chatos da Nasa que vivem nomeando as estrelas com números e letras. Os cientistas que estão descobrindo formigas compreendem desenvoltura e estilo de uma maneira muito mais descolada. Não há uma nova formiga sendo chamada de PT-296. Eles as estão chamando de formigas-dráculas. Você sabe o que esperar dessas formigas."

Formiga tecelã. "As formigas tecelãs vivem em árvores onde fazem ninhos tecendo folhas com seda larval. E as colônias podem ser muito, muito grandes. Bem, isso é menos abjeto do que sugar o sangue dos próprios filhos. ´Por que não usar simplesmente a seda e construir um lar para nós?` Dá para se entender com esses caras." / Tradução de Celso Paciornik 

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