Homem de Ferro volta ao mundo real no novo filme 'O Juiz'

Robert Downey Jr. reconhece que este é seu melhor filme recente

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

22 de outubro de 2014 | 19h00

Na recente entrevista que deu ao Estado sobre O Juiz, Robert Downey Jr. não teve pudor em expor sua vulnerabilidade. Apenas cinco dias antes de se encontrar com a imprensa em Los Angeles, Downey Jr. havia enterrado a própria mãe. O filme começa com o advogado que, em pleno tribunal, recebe mensagem de texto dizendo que sua mãe morreu. Hank, o personagem de Downey Jr., vive de fachada. 

Advogado famoso (e caro), urina no colega e o humilha duplamente, ao descrever seu luxuoso estilo de vida. Só que as coisas não são bem assim. A parte do carrão e da casa é verdadeira, mas a mulher com bumbum de atleta, sentindo-se relegada para segundo plano, encontrou antigo namorado no Facebook e ficou com ele.

A vida de Hank está desmoronando, e não é fácil voltar à cidadezinha de Indiana da qual fugiu, há 20 anos. O pai é o juiz do título. Um irmão é deficiente mental e o outro desistiu de uma carreira brilhante no esporte por causa de acidente provocado por Hank. 

A mãe era sua única ligação com esse mundo destroçado, e agora se foi. Para complicar, Hank está voltando a seu mundo de aparência - o pai nem falou com ele - quando recebe, no avião, outra mensagem de texto que a faz voltar imediatamente. O juiz virou réu e está sendo acusado de provocar um acidente com morte.

Filmes sobre julgamentos - dramas de tribunal - formam uma categoria à parte no audiovisual dos EUA. Não são só filmes, mas também shows de TV, as muitas variações das séries Law and Order e The Good Wife. Na tentativa de defender o pai, mesmo a contragosto do juiz, Hank vai renovar laços familiares, reencontrar a antiga namorada (e descobrir que a traição do presente já ocorreu no passado, e pelo mesmo motivo). Dirigido por David Dobkin, um cineasta mais conhecido por suas comédias, o drama desenvolve-se em muitas frentes. E, como ocorre com frequência na produção de Hollywood, é uma história de redenção. No velho espírito fordiano, o juiz e o filho, cada um do seu jeito, terão de perder para dar a volta por cima. A grandeza dos derrotados.

O Juiz mantém o público ligado, prende a atenção, joga com humor e drama, inclusive com boa dose de sentimentalismo. O irmão ‘rain man’ usa uma câmera como muleta emocional, mas seus filmes domésticos terminam registrando e documentando a vida familiar. 

O que faz a diferença não é tanto o roteiro nem a realização, por mais qualidades que tenham. É o elenco. Definindo o próprio trabalho, Downey Jr. disse ao Estado que O Juiz é, sem dúvida, o melhor filme com o qual se me envolveu nos últimos tempos. Esqueça, por um momento, a fantasia de O Homem de Ferro. O Juiz é sobre pessoas reais e Downey Jr. acerta ao propor que o público se identifique com os relacionamentos da trama.

Todo o mundo está muito bem - Vera Farmiga como a ex, Vincent D’Onofrio e Jeremy Strong como os irmãos, Billy Bob Thornton como o promotor -, mas as cenas de Robert Duvall possuem uma textura especial. Ele faz o juiz, que tenta disfarçar que está morrendo porque teme que assumir a doença poderá destruir o que espera que seja o legado de sua vida. Embutida nessa história, está uma pergunta - pelo que gostaríamos de ser lembrados? Pela vida pessoal, ou profissional? O Juiz surpreende, e emociona. 

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