"Homem-Aranha" bate recorde de 2002

Deu no The New York Times: OHomem-Aranha, de Sam Raimi, foi a maior bilheteria do cinemaamericano no ano que se encerra. O filme faturou US$ 404 milhõessomente no mercado interno, o que compreende os cinemas dos EUAe do Canadá. O jornal americano também publicou hoje outra listade blockbusters. O Homem-Aranha segue nela, como um dos dezmaiores sucessos de bilheteria da história de Hollywood, masnessa segunda lista sua posição baixa para quinto lugar, cabendoo primeiríssimo ao imbatível Titanic. Essa segunda lista, a dos dez mais de todos os tempos,encerra algumas surpresas, pelos critérios adotados. Titanicfaturou US$ 601 milhões, que corrigidos chegam a US$ 671milhões. Mas se forem considerados os valores atualizados deStar Wars, o primeiro da série de George Lucas, os US$ 461milhões faturados desde a estréia viram estratosféricos US$ 1,1bilhão e o filme é o número um da história de Hollywood. Outrofilme que se beneficia da atualização de valores é E.T., deSteven Spielberg. Os US$ 435 milhões da estréia viram US$ 808milhões em valores de 2002 e o filme é o segundo da lista. Nessanova interpretação dos números, Titanic baixa paraterceiro. Spielberg e Lucas não têm do que se queixar. São osúnicos que conseguiram emplacar dois filmes cada um entre os dezmais de todos os tempos: Star Wars Episódio 1 - A AmeaçaFantasma faturou US$ 474 milhões em valores atualizados (foramUS$ 431 milhões em 2000). É o quarto lugar. Em sexto, com US$443 milhões (US$ 357 milhões na estréia), está Jurassic Park -Parque dos Dinossauros. Completam a lista dos dez maioressucessos de bilheteria do cinema americano: Forrest Gump - OContador de Histórias, de Robert Zemeckis, com US$ 399 milhões(US$ 330 milhões em valores da época da estréia), Harry Pottere a Pedra Filosofal, de Chris Columbus, com US$ 322 milhões(US$ 318 milhões na estréia), O Senhor dos Anéis - A Sociedadedo Anel, de Peter Jackson, com US$ 317 milhões (US$ 313milhões na estréia) e O Rei Leão, a animação da Disney, comUS$ 379 milhões (US$ 313 milhões na estréia). Esses podem ser os campeões em matéria de faturamento,mas com certeza não seriam os campeões em número deespectadores. Clássicos como ...E o Vento Levou, de VictorFleming, Ben-Hur, de William Wyler, e A Noviça Rebelde,de Robert Wise, tiveram mais público, embora nem a própriaAcademia de Hollywood consiga fornecer números atualizados deespectadores pagantes desses filmes. E o problema é que, naépoca, o valor dos ingressos era muito menor. Nem atualizados osvalores arrecadados em 1939, 1959 e 1965 atingem os números dehoje. A lista das dez maiores bilheterias do ano, liderada porO Homem-Aranha - que foi um êxito colossal também no Brasil,com mais de 8 milhões de espectadores -, prossegue, pela ordem,com Star Wars Episódio 2 - O Ataque dos Clones, de GeorgeLucas; Harry Potter, o primeiro da série; Sinais, de M.Night Shyamalan; Casamento Grego, de Joel Zwick; AustinPowers e o Homem do Membro de Ouro, de Jay Roach; O Senhordos Anéis, também o primeiro; Homens de Preto 2, de BarrySonnenfeld; A Era do Gelo, de Chris Wedge; e Scooby-Doo,de Raja Gosnell. É interessante assinalar nas duas listas que elasprivilegiam o cinema espetacular, à base de efeitos. Comprovam osucesso do cinemão, que não concentra apenas maiores recursos deprodução, mas também o maior investimento de mídia paralançamento, o que somado ao boca-a-boca resulta em númerossuperlativos. Alguns desses filmes, caso de O Senhor dosAnéis, extrapolam e muito esse conceito do espetáculo e dadiversão e se oferecem como experiências estéticasverdadeiramente intensas. Mas O Senhor dos Anéis é umaexceção. Você pode até divertir-se com Austin Powers eHomens de Preto, mas dificilmente eles ficarão na lembrançamais do que as duas horas que duram. Ou seja, há um cinema mais crítico e autoral que ficafora dessas listas e, no entanto, oferece possibilidades muitoricas e densas de entendimento da vida e do próprio cinema. OHomem-Aranha foi a maior bilheteria do ano, no País e no mundomas você não encontrará nenhum crítico disposto a avalizar omegassucesso de O Homem-Aranha como o melhor filme do ano.Nem a própria indústria de Hollywood acredita nisso. Um filmecomo O Homem-Aranha habilita-se a ganhar muitas indicaçõespara o Oscar nas categorias técnicas, mas para o melhor filmesuas chances são mais remotas. Não é para polemizar, não, mas umfilme como O Homem-Aranha pode deixar produtores edistribuidores milionários, mas o espectador fica muitíssimomais rico, interiormente, com um filme modesto, quaseinexistente em termos de recursos, como o chinês Abandono doSucesso, de Zhang Yang. Em termos de humanidade, esse, sim,talvez seja o melhor do ano.

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