Sony Pictures via AP
Benedict Cumberbatch como Doutor Estranho em 'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa', estrelado por Tom Holland. Sony Pictures via AP

‘Homem-Aranha': Após novo filme do ‘cabeça de teia’, o céu é o limite para Marvel

Depois de mostrar o multiverso em séries como ‘Loki’ e ‘What If?’, Marvel abraça de vez as possibilidades de universos paralelos

Matheus Mans, Especial para o Estadão

16 de dezembro de 2021 | 05h00

Homem-Aranha: Sem Volta para Casa é um marco, um ponto de virada no cinema da Marvel Studios. Deixe de lado, pelo menos por enquanto, as teorias sobre o possível retorno de Andrew Garfield e Tobey Maguire, atores que interpretaram o “cabeça de teia” em outras oportunidades. Concentre-se, enfim, no que aparece no trailer: o Doutor Estranho perde o controle de um feitiço e abre uma brecha para que antigos vilões retornem.

Só isso já basta para sabermos que o conceito de multiverso é abraçado de uma vez por todas pela Marvel Studios, depois de ensaiar a temática nas séries Loki e What If?, disponíveis no Disney+. Agora, a ideia de que universos paralelos coexistem fica ainda mais real. Não é apenas devaneio dos quadrinhos, imaginação de fã. Um personagem pode estar morto em uma realidade, mas vivo em outra. Nada mais é concreto.

Com isso, o futuro da Marvel Studios passa pelo questionamento: como seguir com uma linha de histórias coesa, que agrade ao público geral, usando o multiverso?

Afinal, são mais personagens a serem explorados e mais possibilidades abertas. A chance de algo ficar confuso demais nas telonas se torna mais real. Kevin Feige, produtor da Marvel e responsável por orquestrar esse “universo compartilhado”, se torna uma figura ainda mais indispensável. É preciso alguém para delimitar o que pode ou não ser feito, já que erros e tropeços podem acontecer mais facilmente. 

Como funciona

Nos quadrinhos, o multiverso já é explorado há décadas e, com isso, são vários os universos apresentados, como Universo Ultimate (Terra-1610), Zumbis Marvel (Terra-2149) e Marvel 1602 (Terra-311). Cada história tem suas particularidades, algumas bizarrices. Mas há uma graça, no geral, com essas tramas que brincam com as emoções do leitor. Um erro de uma HQ pode ser corrigido rapidamente usando o multiverso.

Nos cinemas, porém, as coisas não são tão simples. Ainda que a DC esteja seguindo esse caminho, é complicado fazer filmes simultâneos passados em diferentes universos, com personagens interpretados por vários atores ou, pior, mortos em um filme e vivos em outro. Isso daria um nó na cabeça do público, que poderia ter dificuldades de acompanhar o que está de fato acontecendo ali, sem falar da quebra de vínculo emocional.

De olho no que foi divulgado até agora sobre os próximos filmes da Marvel, como Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e Thor: Amor e Trovão, o estúdio vai seguir pelo caminho de unir universos. Variações de personagens podem se enfrentar ou, então, servir como substituto - é uma boa maneira de encontrar um novo herói para Pantera Negra 2 após a morte de Chadwick Boseman, ou para introduzir Natalie Portman como “a nova Thor”. E que tal trazer os X-Men para dentro dos filmes da Marvel Studios?

As possibilidades que se abrem são valiosas. Novos personagens vão surgir, antigos reaparecem. A Marvel não terá mais limites para sua criatividade - e nem mesmo o espaço será uma barreira. Fica apenas a torcida para que os filmes saibam dosar o que há de melhor nas HQs e no cinema, usando imaginação para continuar a emocionar fãs por aí.

 

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Homem-Aranha no cinema: Resumo de todos os filmes

De 'Homem-Aranha' (2002) a 'Homem-Aranha: Longe de Casa' (2019), o super-herói já passou por três atores, três diretores e três universos diferentes

Redação, O Estado de S. Paulo

03 de julho de 2019 | 11h43
Atualizado 13 de dezembro de 2021 | 07h55

Com Homem-Aranha: Sem Volta para Casa chegando aos cinemas, esta é uma boa hora para relembrar os outros oito filmes do super-herói que já passaram pela tela grande. Veja os resumos abaixo.

Homem-Aranha (2002)

Um dos primeiros filmes de super-heróis a iniciar a “nova era” dos filmes em Hollywood, o original de Sam Raimi é hoje considerado um clássico por muitos fãs. Apesar de algumas críticas mais recentes considerarem o filme “datado” (especialmente pela falta de tiradas bem humoradas do Peter Parker de Tobey Maguire), é difícil ignorar os méritos do filme, entre eles, a história tão bem contada das origens do herói e o incrível casting de J.K. Simmons como J. Jonah Jameson, o jornalista que contrata o fotógrafo em início de carreira. E, claro, aquele beijo de ponta-cabeça.

Homem-Aranha 2 (2004)

Dois anos depois da morte do Tio Ben, Peter Parker continua lutando contra o crime, mas sua vida pessoal está prestes a desmoronar: falido, com problemas na faculdade e de coração partido (Mary Jane/Kirsten Dunst vai se casar com outro cara). A mutação do seu mentor para o Doutor Octopus deixa tudo ainda mais complicado — mas Tobey Maguire não tem tempo a perder e entrega aqui sua melhor atuação do herói. Ninguém nunca vai esquecer da cena do trem.

Homem-Aranha 3 (2007)

Considerado o pior de toda a série por muitos fãs, o fim da trilogia do diretor Sam Raimi traz James Franco e Thomas Haden Church como os vilões que aparecem num momento em que Peter Parker parece ter tudo sob controle. Apesar da fama ruim, o filme tem vários bons momentos, como a cena em que o Homem de Areia tenta, mas não consegue, segurar o pingente de sua filha com suas mãos se desintegrando.

O Espetacular Homem-Aranha (2012)

Apesar das críticas, Homem-Aranha 3 foi bem nas bilheterias — mas a Sony e o diretor Sam Raimi não conseguiram chegar a um acordo para os próximos filmes, e ele decidiu sair, levando consigo Tobey Maguire e Kirsten Dunst. Andrew Garfield e Emma Stone assumiram seus lugares, e o diretor Marc Webb passou a comandar a franquia. O reboot tentou contar a história da origem do super-herói num prisma um pouco mais sombrio do que seus antecessores.

O Espetacular Homem-Aranha 2 (2014)

Apesar de repetir muitas falhas de Homem Aranha 3, como tentar estufar diversos plots no mesmo filme, o diretor Marc Webb conseguiu tirar de Andrew Garfield e Emma Stone (namorando na época na vida real) algumas das melhores atuações de toda a saga. A Sony também tenta aqui acrescentar o “humor Marvel” tão bem sucedido nos Vingadores, e essa talvez seja uma das decisões que fez o filme se perder.

Homem-Aranha: De Volta ao Lar (2017)

O filme é o primeiro da franquia no acordo histórico da Sony com a Marvel: a Sony ainda detém os direitos do personagem e produz os novos filmes, e a Marvel determina a direção criativa deles, além de poder usar o personagem em suas próprias produções. O filme também marca a estreia de Tom Holland no papel principal, e aqui, mesmo sem tantas cenas de ação inesquecíveis, o ator consegue dar ao personagem um ritmo e um tom cômico bastante consistentes.

Homem-Aranha no Aranhaverso (2018)

Miles Morales, o jovem do Brooklyn protagonista dessa animação, é um dos personagens mais legais criados no “cinemão” recente, e seu encaixe no mundo de Homem-Aranha, aqui, é mágico. Conforme Peter Parker vai chegando à meia-idade, o vilão Wilson Fisk começa a juntar realidades paralelas para tentar recuperar entes queridos. Mas os riscos para a humanidade são imensos. A junção de Homens-Aranhas de diferentes realidades funciona tão bem que o filme levou um Oscar.

​Homem-Aranha: Longe de Casa (2019)

Depois de apresentar o novo Peter Parker de Tom Holland, o cineasta Jon Watts volta para o comando do personagem. Só que, desta vez, ele sai do conforto de Nova York e cai em uma viagem de férias na Europa. Lá, ele começa a trabalhar ao lado de Mystério (Jake Gyllenhaal) para enfrentar ameaças de monstros que parecem surgir do nada. Seria já o começo do metaverso? A partir daí, vemos Homem-Aranha enfrentar o maior desafio de sua vida ao ser obrigado a crescer e, ainda por cima, ver sua identidade revelada. Apesar de seguir o caminho de não apresentar grandes cenas de ação, Homem-Aranha: Longe de Casa continua firme no caminho de fortalecer laços ao redor de Peter Parker.

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'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa' é um filme para agradar os fãs; o Estadão já viu

Longa faz universo do Peter Parker de Tom Holland colidir com a trilogia de Sam Raimi e a dupla de filmes de Marc Webb

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

15 de dezembro de 2021 | 09h06

Os boatos sobre o novo filme do Homem-Aranha correram soltos nos últimos meses. Alguns spoilers não foram contidos, como a volta de vilões do passado – Doutor Octopus (Alfred Molina), Duende Verde (Willem Dafoe), Homem-Areia (Thomas Haden Church), Electro (Jamie Foxx) e, quem sabe, Lagarto (Rhys Ifans), os três primeiros das versões dirigidas por Sam Raimi e protagonizadas por Tobey Maguire, os dois últimos, das adaptações de Marc Webb com Andrew Garfield. 

Outros, como o retorno dos Peter Parkers anteriores e até a incorporação de personagens que apareceram fora do Universo Cinematográfico Marvel, serviram para atiçar ainda mais o apetite dos fãs. O diretor Jon Watts colocou fogo, chamando Homem-Aranha: Sem Volta para Casa de “Homem-Aranha: Ultimato”, uma brincadeira com a enormidade de Vingadores: Ultimato. O resultado: a pré-venda dos ingressos derrubou sites e, segundo o Ingresso.com, superou a de Ultimato

O todo-poderoso dos Estúdios Marvel, Kevin Feige, tentou controlar as expectativas em entrevista à revista Empire. “Boatos são divertidos, porque alguns são verdadeiros, e muitos não são”, disse. “Mas queremos que as pessoas fiquem empolgadas pelo filme que têm, e não desapontadas pelo filme que não têm.” 

Pois os fãs vão ficar aliviados de saber que os presentes que pediram de Natal foram entregues por Papai Noel na terceira aventura solo do herói, dirigida por Jon Watts e estrelada por Tom Holland, que estreia hoje. “É o melhor filme do Homem-Aranha que já fizemos. Não acho que os fãs estejam preparados para o que aprontamos. Sei que eu não estou pronto e que vai ser brutal”, disse Holland à revista Total Film. 

Sem Volta para Casa entra com os dois pés no multiverso, que a bem da verdade já tinha sido introduzido na animação Homem-Aranha no Aranhaverso, de 2018, e na série Loki. Depois de ter sua identidade revelada para o mundo pelo herói de araque Mysterio (Jake Gyllenhaal), em uma das cenas extras de Homem Aranha: Longe de Casa (2019), a vida de Peter Parker vira um inferno. Sua namorada MJ (Zendaya) e seu melhor amigo Ned (Jacob Batalon) também sofrem as consequências. Por isso, o adolescente decide procurar o Doutor Estranho (Benedict Cumberbatch), pedindo um feitiço para o mundo se esquecer de que Peter Parker é o Homem-Aranha. “Peter sempre é otimista. Neste filme, não sabe o que fazer. É um aspecto do personagem que eu nunca tinha visto”, disse Holland à Total Film.

O feitiço dá errado, abrindo uma caixa de Pandora que traz outros universos do Homem-Aranha para o universo deste Homem-Aranha. O passeio nostálgico às produções anteriores vai causar comoção na plateia – não se assuste se ouvir gritos e palmas no meio da projeção. É uma delícia, afinal, ver Molina e Dafoe depois de 20 anos. Sobram piadas sobre essa colisão de mundos. 

Mas, além das reuniões divertidas e das longas cenas de ação esperadas em um filme do UCM, o roteiro de Chris McKenna e Erik Sommers encontra espaço para drama de verdade. “Este filme não é divertido. É sombrio e triste e vai ser tocante”, disse Holland à Total Film. 

Nas duas horas e meia de duração, há tempo ainda para uma discussão sobre o verdadeiro papel do super-herói, sobre a natureza do bem e do mal, sobre destino e escolhas. Os vilões de Sam Raimi e Marc Webb eram cientistas que se perdiam na busca pela inovação ou homens comuns azarados. E Peter Parker é sempre um bom garoto que quer fazer a coisa certa.

“Com grandes poderes, vêm grandes responsabilidades” é o lema ouvido por ele em todas as suas versões. Vale para o personagem Homem-Aranha e serve para o filme Homem-Aranha, que tem a missão de trazer de volta os espectadores aos cinemas, em meio a uma nova onda da covid-19 na Europa e outras partes do mundo. No Brasil, a expectativa é a de que o longa alcance os 8 milhões de espectadores apenas em dezembro, segundo o site Filme B. Nos Estados Unidos e Canadá, espera-se uma bilheteria de no mínimo US$ 130 milhões no fim de semana de estreia. Entregar exatamente o que os fãs querem é um tanto temeroso para o futuro do cinema. Que, neste caso, seja para o bem. 

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Crítica: 'Homem-Aranha: Sem Volta para Casa' usa humor para ‘rever’ e ‘corrigir’ os vilões

Novo filme da franquia com Tom Holland no papel do herói estreia nesta quinta-feira, 16

Luiz Carlos Merten, Especial para o Estadão

15 de dezembro de 2021 | 17h38

Começa exatamente onde terminava Homem-Aranha: Longe de Casa. Antes que surjam as imagens de Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, o som já reproduz a fala de Mysterio, que está morrendo, supostamente devido a um ataque do herói teen. Ele revela o mistério da identidade do aracnídeo. A vida nunca mais será a mesma para Peter Parker, sua namorada e o melhor amigo. Com a vida tornada pública, o que faz o garoto? Pede ajuda ao Doutor Estranho, que aciona um feitiço - uma mágica? - para que todo mundo se esqueça de que Peter é o Aranha. Todo mundo? Na tentativa de preservar algumas memórias, Peter interfere no feitiço e aciona vilões espalhados pelo multiverso, todos convergindo para o mesmo território. 

Primeiro houve a trilogia de Sam Raimi com Tobey Maguire, depois a tentativa de Mark Webb com Andrew Garfield e agora o Aranha de Jon Watts, com Tom Holland. O herói investe-se de grandes responsabilidades. O garoto - Spider Boy - vira homem. Para evitar spoilers e dar ideia do clima, Doutor Estranho é a grande força por trás do novo filme. Está por aqui com as indecisões de Peter/Aranha. Do passado, do multiverso, vão surgindo não apenas os vilões, mas os heróis. O segredo é de polichinelo. Há trailers circulando com outros Aranhas em cena. 

É interessante assistir à cabine de Sem Volta para Casa em meio a um festival de cinema como o do Rio, como fez o repórter. O blockbuster em meio a filmes de um perfil “de arte”. Cabe a constatação. O MCU, o Universo Marvel, tem sido um território inesgotável de técnicas e estilos de narrar. Cada filme, cada super-herói é único. Só neste ano tivemos o estilo mítico, trágico de Eternos, da diretora que venceu o Oscar, Chloé Zhao, e as narrativas mais humoradas de Venom e, agora, Aranha. De herói solitário, ele mostra que integrar o time dos Vingadores preparou-o para a atividade em grupo. O filme é ambicioso, em termos de forma, de produção. Para tratar o excesso de referências, de heróis e vilões, abrangendo todo o multiverso, o diretor Watts investe no humor. Heróis e vilões são revistos e corrigidos. Entre nostalgia e farsa, o filme trata as piadas como palitos de fósforo. Deflagrados, perdem o uso. É preciso ser muito fã para achar que o efeito vai perdurar. O bom torna-se regular. 

 

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