'Homem Aranha 2' oferece diversão completa

O começo do segundo resgata para o público a euforia do herói, que não deixa de ser um garoto

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

29 de abril de 2014 | 19h53

Coreia do Sul, Rússia, Taiwan, Venezuela, Turquia, Itália, Argentina, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Equador, Ucrânia, África do Sul, Polônia. São os países em que O Espetacular Homem-Aranha 2 já estreou, e disparou nas bilheterias. Em muitos deles, as rendas superam em 60%, 70% as do primeiro filme da nova série realizada por Marc Webb. OK, o sucesso de público não é a única ferramenta para se auferir a qualidade de um filme, mas não é só a propaganda que está fazendo tanta gente correr para ver A Ameaça de Electro.

Quando visitou a ilha de edição do n.º 2, o repórter ouviu do próprio diretor que estava muito mais feliz com esse segundo filme. No primeiro, ele não teve muito tempo para formatar o projeto a seu gosto. O 1 era bom, mas o 2 é (muito) melhor. Webb retoma o começo do outro filme – a fuga dos pais de Peter Parker, a luta no avião, o acidente. O avião está caindo e um corte vertiginoso lança o público em pleno voo do Homem-Aranha. Peter está descobrindo seus superpoderes.

No primeiro filme, o adolescente que virava herói sentia desconforto – com as mudanças em seu corpo, com as novas responsabilidades. O começo do segundo resgata para o público a euforia do herói, que não deixa de ser um garoto. Mais seguro da técnica, Webb aprimora a cena do avião e faz dos voos do herói experiências mais vertiginosas. A técnica não para de evoluir, disse Webb, e para o 3 ele vai conseguir fazer coisas mais ousadas, mas você terá de esperar para ver.

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O importante é a química entre Andrew Garfield e Emma Stone, o prazer de atuar de Jamie Foxx, a dramaturgia. Que dramaturgia, perguntará o espectador emburrado? Esses filmes são só pipoca e refrigerante. Não é verdade. Em 500 Dias com Ela, Webb já se firmou como o autor do comportamento teen. Joseph Gordon Lewitt amava Zooey Deschanel. O fim do romance era como uma morte para ele. É preciso renascer, por meio de um novo amor, ou de um interesse renovado pela vida. A euforia (e o cansaço) de ser super-herói. O desconforto de achar que poderá prejudicar a mulher amada, Gwen.

Só o tema de amor, já faria o encanto de O Espetacular Homem-Aranha 2: A Ameaça de Electro, mas há a vingança de Electro. O sujeito que vive anônimo numa sociedade que cultiva a imagem vira um monstro por causa de acidente ocorrido nos laboratórios da Oscorp. Ele tinha uma relação com o Homem-Aranha, ou pensava que tinha. O que ocorre em Times Square, as imagens projetadas nos telões, faz dele um outro homem. Mas o próprio Electro não é um vilão nem mesmo o bad guy. O vilão de Homem-Aranha 2 é a Oscorp, que já destruiu o pai de Peter. Decifrado o mistério da deserção do pai, Peter Parker restaura sua identidade para sofrer nova perda. É um belo filme. Fala de amor, identidade, família, morte. E tem ação, efeitos. E humor. Diversão completa, de alta qualidade. Não é por acaso que tantos, em todo o mundo, estão adorando.

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