Hollywood vive tensão por ameaça de greve dos atores

O último capítulo da tumultuadagreve dos roteiristas já foi escrito, mas Hollywood poderáenfrentar uma possível consequência da custosa paralisação --desta vez estrelando os atores de cinema e televisão. Enquanto a indústria da TV correu para levar de volta ao arprogramas que estavam parados, depois que os roteiristasvoltaram a trabalhar há três semanas, a ameaça de uma greve deatores nos próximos meses colocou os estúdios de cinema numasituação de tensão. Os produtores estão relutantes a lançar qualquer produçãoque não possa ser concluída antes do término do contrato com aScreen Actors Guild (SGA, a Associação dos Atores de Cinema eTelevisão), que termina no dia 30 de junho. Considerando os 60 dias que geralmente se leva para fazerum filme, mais alguns dias de folga, mais os dias adicionais ere-filmagens que podem ser necessárias, isso significa quepoucos filmes de grandes estúdios começarão a ser filmadosdepois do fim deste mês, de acordo com especialistas daindústria cinematográfica. "Os estúdios não estão autorizando nenhum filme que teriade ser produzido depois de 30 de junho", disse um membro de umadas agências de atores que não foi autorizado a falarpublicamente sobre os clientes. As agitações inclusive fizeram com que a maior seguradorade Hollywood, a Firemans Insurance Co, oferecesse uma coberturainédita de "custos de greve" para os estúdios. O plano cobriria os custos de produções paradas casoocorram greves, dano de equipamentos, atores doentes, entreoutras perdas inesperadas que adiem as filmagens para depois de30 de junho. Para entrar na cobertura, as filmagens devem estar previstapara terminar dia 15 de junho e precisam já ter uma apólice definalização, que cobre os prejuízos caso um filme não possa serterminado a tempo ou estoure o orçamento. PREJUÍZO DE US$3 BI A própria SAG procurou nesta terça-feira dar assistência aprodutores menores e independentes com dificuldades paraconseguir apólices, oferecendo documentos que permitem empregaratores do sindicato durante uma greve. Em troca, os produtoresprecisam aceitar os termos de um contrato interino que a SAGpossa oferecer e concordar com qualquer acordo final com osgrandes estúdios. Vários produtores já assinaram "contratos de finalizaçãogarantida" com a SAG, e muitas outras propostas estãopendentes, segundo fontes do sindicato. Os ânimos ainda estão tensos depois da greve de 14 semanas,que envolveu 10.500 roteiristas e paralisou grande parte daindústria televisiva, adiando vários projetos de filmes,deixando milhares de produtores parados e gerando um prejuízode 3 bilhões de dólares para a economia norte-americana. A paralisação terminou no dia 12 de fevereiro, depois queos dois lados concordaram em dar mais dinheiro aos roteiristaspelo trabalho publicados na Internet. O contrato foi ratificadoformalmente pela Associação de Roteiristas da América (WritersGuild of America) na semana passada. O SAG também apresenta as mesmas demandas por melhoras nocontrato, mas também reclama de questões específicas a seus120.000 membros, como propagandas forçadas que os atores fazemquando um produto aparece em filmes ou programas de TV. Em Hollywood, muitos acreditam que o desgaste causado pelagreve foi grande demais para que outra aconteça novamente. Mas,com as dezenas de milhões de dólares que entram em jogo quandoum filme pára de ser produzido, os estúdios de cinema estãosendo cautelosos.Steven Spielberg desistiu de começar a filmar em abril com aDreamworks um filme sobre o julgamento de ativistas antiguerraem 1968, de acordo com o jornal Daily Variety. Os líderes da SAG têm sido pressionados a discutir oscontratos com os estúdios o mais rápido possível, causandotensão dentro da associação e seu sindicato-irmão, a FederaçãoAmericana de Artistas de Rádio e Televisão (Aftra, na sigla eminglês). O presidente da SAG, Alan Rosenberg, afirmou que aassociação não irá rever nenhum contrato até abril. Rosenberg e Doug Allen, diretor executivo da SAG,recentemente sugeriram que conversas informais como as quelevaram a contratos com a WGA e o Directors Guild of America jáestavam encaminhadas."Nós definitivamente vamos continuar a nos reunir com os CEOsdas maiores redes de televisão e estúdios, enquanto nospreparamos para negociações formais", escreveram os dois no dia28 de fevereiro, num memorando para os membros da SGA. (Reportagem de Steve Gorman)

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