Hollywood procura novos heróis em convenção de HQ

A atenção de Hollywood está voltada San Diego, neste fim de semana, onde acontece a maior convenção sobre histórias em quadrinhos (HQ) do mundo, na qual a indústria do cinema procura novos heróis para seus filmes. "Todo mundo vem buscando o Homem-Aranha", disse à EFE Phillipe Dugenou, da editora Sunday Press, um dos 7.900 expositores que participam da 36.ª edição da mostra. A busca não é em vão. A estréia, esta semana, de O Quarteto Fantástico, a última adaptação para o cinema de uma HQ, teve um faturamento de US$ 56 milhões nas bilheterias, mostrando que os super-heróis continuam atraindo a audiência. Homem-Aranha, X-Men e suas seqüências, e as sagas de Batman e do Super-Homem ainda são sinônimos de dinheiro para Hollywood. Assim, a convenção sobre histórias em quadrinhos de San Diego, conhecida popularmente como Comic-Com, é para Hollywood o encontro obrigatório da cultura pop. Nela, não está presente apenas o mundo das HQ, mas da ficção científica, do terror, da fantasia e da animação. "Muitos de nós se sentem fascinados e atraídos por este mundo mágico das histórias em quadrinhos. Queremos vê-lo além das páginas de um gibi, com toda sua força", explicou à EFE o ator latino Wilmer Valderrama, que vive o jovem fez na série That´s 70 Show. Já o ator espanhol Antonio Banderas foi recebido em San Diego com todas as honras. Ele está à frente do filme El Muerto, baseado na HQ de mesmo nome e com aspirações de se transformar no novo "super-herói latino". A indústria da animação também encontra uma grande fonte de inspiração na Comic-Com. Enquanto futuras estréias, como The Corpse Bride e Wallace & Gromit: The Curse of the Were-Rabbit, ganham adeptos entre os visitantes da convenção, um clássico das histórias em quadrinhos, Groo, desenhado pelo espanhol Sergio Aragonés, está mais perto de ser adaptado para o cinema. "Estamos negociando um filme de animação computadorizada", garantiu à EFE o desenhista, contente com o interesse de Rob Minkoff, diretor de "Stuart Little", em sua história. Hollywood também está em San Diego em busca de público entre os 100 mil seguidores que visitam a mostra todos os anos e que depois divulgam suas opiniões na internet. Neste ano, a Comic-Com serve como plataforma publicitária para 56 filmes, oferecendo muitas vezes a exibição das primeiras imagens das produções mais aguardadas. Ninguém poupa para criar a expectativa necessária para fazer das estréias um sucesso. O ator Bryan Singer deixará um pouco de lado as filmagens de Superman Returns, em Sydney (Austrália), para participar neste sábado, em San Diego, de um encontro de uma hora com seu público. A expectativa também é grande nos estúdios Universal, que estão se preparando para lançar King Kong. O novo filme do gorila gigante é tão esperado que até os cartões de crédito estão se deixando influenciar por sua volta às telonas. A Mastercard está fazendo uma promoção nos corredores da convenção e mostrando seu novo cartão com o desenho do primata. São lições aprendidas no ano passado. Para os fãs, os estúdios Warner não quiseram dividir com eles as primeiras exibições de Batman Begins. O momento da revanche foi na estréia do último filme do homem-morcego, quando os fãs se negaram a demonstrar o fervor antecipado com o personagem. Já O Quarteto Fantástico, na mesma edição da Comic-Com, escapou das duras críticas dos fãs com a valente presença de todos os componentes da HQ no filme. "Achava que iriam me comer porque eu não era loira e sou hispânica. Além disso, esse público é muito duro. Mas quando me viram foi só aplauso", disse Jessica Alba, que viveu "a mulher invisível". Além de aplausos, o filme foi o único que conseguiu deter a contínua queda na bilheteria americana.

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