Hollywood desova bombas em agosto

Agosto cada vez mais se torna o mês emque Hollywood aproveita para desovar nos cinemas suas produçõesque não deram certo. Os estúdios vêm escolhendo o final do verão quando o público da já está cansado de tantos megalançamentos ea temperatura em boa parte dos Estados Unidos está nas alturas,para lançar bombas que estavam engavetadas ou produções quedesapontaram em sessões feitas para audiências de testes. É ocaso este ano de The Adventures of Pluto Nash, filme deEddie Murphy rodado há quase dois anos, e Serving Sarah,cujas filmagens foram interrompidas quando Matt Perry foi parauma clínica de reabilitação, em 2001.Agosto compete apenas com janeiro na categoria de depósito delixo. O início do ano é quando os estúdios ainda estãocapitalizando em cima dos filmes de Natal e não querem tirar aatenção dos possíveis concorrentes ao Oscar. Boa parte dosfilmes que estréiam no último mês das férias de verão poderiamir direto para as locadoras, mas o problema é que muitoscontratos envolvendo nomes famosos obrigam os estúdios a lançaras fitas nos cinemas. Algumas redes de locadoras também serecusam a disponibilizar filmes que não passaram pelas telasgrandes, assim, o público acaba tendo que engolir produções comoA Cela, estrelado por Jennifer Lopez em 2000, e BubbleBoy, com Jake Gyllenhaal, de 2001. O público, no entanto, está desenvolvendo um bom faro para oesquema: o thriller de Lopez custou US$ 33 milhões para serfeito e só arrecadou US$ 18 milhões, enquanto a comédiapoliticamente incorreta (produzida pela Disney, para surpresa demuitos) custou US$ 13 milhões e faturou apenas US$ 5 milhões.The Adventures of Pluto Nash é o campeão destatemporada. A comédia estrelada por Eddie Murphy não foi mostradaà imprensa em sessões prévias, o que é sempre um sinal de bombanas telas. A produção de Ron Underwood, que custou US$ 80milhões para ser produzida, era para ter estreado em abril de2001. Depois foi adiada para janeiro de 2002 e, em seguida,abril, quando o estúdio resolveu colocar nos cinemas outra bombado comediante, o fracasso Showtime. Um leitor do web siteaintitcoolnews.com, que viu o filme em janeiro, escreveu que elenão rende nenhuma risada. A bomba faturou apenas US$ 2milhões em seu fim de semana de estréia.Serving Sarah, que estréia amanhã, tem a missão impossívelde tentar convencer o público de sair de casa para ver MattPerry, o maior pé-frio dos atores de Friends, que, por contade seu problema com drogas e bebida nos últimos anos, perdeu oapelo e teve um aumento substancial no número do guarda-roupa. Acomédia problemática sofreu porque o ator estava no auge dabebedeira durante as filmagens, que foram concluídas mesesdepois de ele passar por um tratamento. Os atores de Friendstambém vêm sendo vítimas da superexposição: analistas daindústria acham difícil que o público queira ver nos cinemas asmesmas caras que podem ser encontradas sete dias por semana emnada menos que três canais de TV americanos.A ainda vêm aí as bombas Simone, em que Al Pacino brinca decriar uma estrela virtual em computador, e City By Sea, comRobert DeNiro. O aclamado ator, por sinal, cada vez mais mostraque perdeu o faro para escolher seus papéis no cinema (é bomlembrar que entre seus últimos trabalhos estão Showtime e amegabomba As Aventuras de Alceu e Dentinho). Por outro lado,dois bons filmes aproveitam a entressafra para abocanhar odinheiro dos americanos: Triplo X, com Vin Diesel, eSigns, com Mel Gibson.

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