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‘Hoje Eu Quero Voltar Sozinho’ ganha o prêmio da crítica na seção Panorama

Festival anuncia vencedores no sábado e terá sessão de gala no domingo

Luiz Carlos Merten, Berlim - O Estado de S.Paulo

14 de fevereiro de 2014 | 18h57

E foram duas belas surpresas na sexta-feira. Embora o festival prossiga neste sábado com a premiação do Urso de Ouro e só termine domingo com a gala de uma comédia estrelada por Catherine Deneuve – Dans la Cour, de Pierre Salvadori –, a Fipresci, Federação da Imprensa Cinematográfica Internacional, iniciou a temporada de prêmios na Berlinale de 2014.

Alain Resnais, um jovem de 91 anos, ganhou o prêmio da crítica por seu longa da competição, Amar, Beber, Cantar. Mas você, leitor brasileiro, talvez goste muito mais de saber que um garoto do Brasil, por seu primeiro longa, venceu o prêmio da crítica para a seção Panorama. Hoje Eu Quero Voltar Sozinho estreia em março no Brasil. Você pode ir se preparando, mas é bom, já que o filme mostra um garoto deficiente visual que sai do armário, que você ponha seus preconceitos no armário, enquanto ele sai.

Andre Dussolier, que tem trabalhado regularmente com Resnais nos últimos anos, foi quem recebeu o prêmio pelo mestre. Disse que Resnais, permanecendo fiel a si mesmo, conseguiu se tornar uma unanimidade. E ele se declarou muito feliz de pertencer à família Resnais. É um autor que filma (quase) sempre com os mesmos atores, um ou outro é acrescentado à sua equipe, a cada novo filme. Na entrevista que deu ao Estado, Sabine Azema, mulher de Resnais, disse que ele é um homem câmera – tem o filme pronto na cabeça e, por isso, quando termina de montar, quase nada que rodou vai para o lixo. Sabine disse também que o marido é um mágico, um ilusionista que ama o espetáculo e quer sempre surpreender e maravilhar o público.

Michel Ciment, que presidiu o júri da Fipresci para a competição, disse que havia, em concurso, filmes originais, mas não muito bem feitos, e outros bem feitos mas nada originais. Resnais, segundo ele, foi o único a reunir competência e originalidade, e por isso ganhou. Justamente sexta-feira, último dia da competição – e antes da premiação da Fipresci –, a Berlinale fechou um ciclo. Logo no começo, o repórter do Estado se perguntara se seria possível que Jack, do alemão Edward Berger, fosse ganhar o Urso de Ouro?

Berlim sempre contou muitas histórias de pais e filhos, mas este ano foram histórias de irmãos. O garoto de Jack, face à irresponsabilidade da mãe, assume para si a educação do caçula. É um pouco como Donato/Wagner Moura, guardião de Airton em Praia do Futuro, de Karim Aïnouz. Para se assumir e viver sua história de amor, Donato abandona o irmão e viaja para a Alemanha, distante como o Polo Norte, lhe atira na cara Jesuíta Barbosa, quando o reencontra. O irmão mais velho deixou de ser super-herói, como Jack talvez deixe de ser um dia para o irmão dele.

Em Macondo, de Sudabeh Mortezai, o garoto também é arrimo de família. Sente-se responsável pela mãe, pelas duas irmãs, mas no fundo é uma criança – tem 11 anos. Devotado à lembrança do pai, que em sua cabeça é um herói – mas nunca sabemos se é mesmo –, ele termina fazendo coisas terríveis com um veterano que voltou estropiado da guerra.

Na narrativa de Mortezai, o garoto precisa matar metaforicamente o pai, como o protagonista do filme argentino de Celina Murga, La Tercera Orilla. Destruir a casa num filme, ou enterrar o relógio paterno no outro, tem o mesmo sentido. Macondo pode não ser um grande filme, mas é bom, e tem a cara de Berlim – criança, imigração, problemas sociais –, tudo isso e mais qualidade estética, bem como a Berlinale gosta. Outros filmes também tratam do tempo e do rito da passagem de jovens: Grand Hotel Budapest, de Wes Anderson, ou Boyhood, de Richard Linklater. E, claro, o Resnais. Três casais num cenário teatralizado e artificial. Quem leva o Urso? A resposta sai na noite de sábado. Pela diferença de horário, à tarde, no Brasil, a partir das 16 horas.

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