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'Histórias Assustadoras para Contar no Escuro' provoca mal-estar sem grandes sustos

No longa produzido por Guillermo Del Toro, garotos têm de decifrar caderno para evitar carnificina

Luiz Carlos Merten, O Estado de S. Paulo

12 de agosto de 2019 | 03h00

São histórias assustadoras para contar no escuro – o título promete, mas o longa produzido por Guillermo Del Toro e baseado em histórias de Alvin Schwartz não entrega. Vamos por etapas. Del Toro é produtor e diretor conhecido, vencedor do Oscar (por A Forma da Água) e autor de fantasias tão complexas e fascinantes quanto A Espinha do Diabo e Labirinto do Fauno, que possuem subtextos políticos inquietantes. O escritor, morto em 1992, foi muito popular, com uma extensa obra de mais de 50 títulos, a maioria voltados para o público infantojuvenil.

Histórias Assustadoras para Contar no Escuro mistura elementos de três livros que Schwartz lançou entre 1981 e 91, terminando a publicação pouco antes de morrer. No filme, uma garota que sonha ser escritora se envolve numa confusão com três amigos na noite do Halloween. O trio vai parar num casa com fama de assombrada – e um quarto personagem (um garoto que foge de quê?), incorporado à trama. Lá descobrem um caderno – essa é uma vertente específica do horror. O livro é possuído por um espírito maligno. Stella, a garota, folheia o caderno e as páginas vão sendo preenchidas com sangue. Contam histórias de pessoas ligadas a ela e que vão morrer. Você pode imaginar que Stella e seus amigos vão correr contra o tempo para evitar o que pode virar carnificina. Mas, para isso, será preciso decifrar o segredo do caderno – como interromper a invocação do mal?

Não, Histórias Assustadoras não tem nada a ver com a franquia famosa. Trata-se de liberdade poética do repórter, mas também de um lamento. Ao contrário de Invocação, as páginas dessas histórias não chegam a ser assustadoras de verdade. Del Toro, no cinema, é mais fantástico que outra coisa qualquer – gótico. Schwartz adorava os jogos de palavras para quebrar expectativas, e desconcertar. As histórias assustadoras provocam certo mal-estar, até porque o diretor norueguês Andre Ovredal é do ramo, conforme demonstrou em A Autópsia, de 2016. Mal-estar, sim. Grandes sustos? Não, ou em termos. 

Na origem de tudo está uma mulher que atraía crianças com suas histórias, e elas desapareciam. Histórias é aposta do mercado. Entrou em extenso circuito, com a possibilidade de estourar na bilheteria.

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