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História oral de ‘Legalmente Loira’: de roteiro picante a clássico feminista

Ao longo do caminho, as piadinhas adultas foram editadas, Jennifer Coolidge teve dificuldade com o 'abaixar e chacoalhar' e o final foi alterado pelo menos três vezes

Ilana Kaplan, The New York Times

14 de julho de 2021 | 09h00

Em 2001, Reese Witherspoon já estava pronta para virar um nome famoso. Mas seria a obra-prima feminista Legalmente Loira que viria a consolidar seu status como estrela de Hollywood.



Adaptado do romance de mesmo nome de Amanda Brown, Legalmente Loira segue a trajetória de Elle Woods (Witherspoon) de fútil socialite de irmandade a estudante de Direito, num esforço para reconquistar seu ex-namorado Warner (Matthew Davis). Mas o que acontece a seguir surpreende a todos, incluindo ela mesma: a loira toda risonha, com seu minúsculo Chihuahua chamado Bruiser e uma queda pelo rosa-choque, descobre que, na verdade, foi feita para os tribunais.

Já se passaram vinte anos desde que, contra todas as probabilidades, Elle passou em Direito na Universidade de Harvard, rechaçou os avanços de um professor e saiu em defesa jurídica de uma ex-aluna. Ela continua sendo um emblema por desafiar estereótipos e abraçar o empoderamento feminino diante da misoginia. Ao refutar o tropo da “loira burra”, Elle se tornou uma personagem muito amada por sua sinceridade e sua insistência em ser ela mesma.

Em 2021, Legalmente Loira está mais relevante do que nunca. Anos antes dos movimentos #MeToo e Time’s Up, a comédia dirigida por Robert Luketic abordava a má conduta sexual no local de trabalho e a dinâmica do poder. Fãs famosas como Ariana Grande e Kim Kardashian (que prestaram homenagem ao filme em vídeos) impulsionaram seu legado, assim como uma sequência de 2003 (e um terceiro filme que deve sair no ano que vem), além de uma adaptação para a Broadway.

 


Pouco antes do aniversário de seu lançamento, em 13 de julho, conversei com as estrelas do filme (entre elas Jennifer Coolidge, Jessica Cauffiel e Matthew Davis), os roteiristas e outros sobre como fazer o “abaixar e chacoalhar”, o vídeo-ensaio de Elle para Harvard e o legado do filme. Aqui vão alguns trechos editados de nossas conversas.

 

O roteiro original era muito mais picante

KIRSTEN SMITH (roteirista): Recebemos um manuscrito de ficção de Amanda Brown das mãos de alguns produtores diferentes, e Marc Platt foi um deles. Imediatamente nos pareceu uma das maiores ideias de filmes de todos os tempos, e nós a apresentamos como uma mistura de As Patricinhas de Beverly Hills com O Homem que Eu Escolhi, um daqueles filmes de faculdade de direito dos anos 1970. Acho que usei muito rosa na reunião.

JESSICA CAUFFIEL (Margot, uma das melhores amigas de Elle): O primeiro roteiro era muito mais atrevido, para dizer a verdade, muito mais no estilo American Pie. O que hoje conhecemos como Legalmente Loira é totalmente diferente do projeto inicial do filme. Deixou de ser uma sucessão infinita de tiradas adultas para se transformar nesta história universal de superação das adversidades sendo você mesma.

KAREN McCULLAH (roteirista): Havia algumas diferenças no manuscrito. Não era um julgamento de assassinato, e ela acabava com o professor, então fizemos umas mudanças. Era uma questão de refinar os detalhes e adicionar alguns personagens, como Paulette e sua amizade.

JESSICA CAUFFIEL: Originalmente, havia uma fala da (sua amiga) Serena: “Qual é a única coisa que sempre nos faz sentir melhor, não importa a situação?” E eu digo: “Uma chupada”. Era uma fala do filme, de verdade. Fomos para a estreia achando que iríamos ver aquela edição mais ousada e obscena.

 

Reese Witherspoon sempre foi a primeira escolha para Elle, mas outros grandes nomes foram sondados

KIRSTEN SMITH (roteirista): (Reese) foi a primeira pessoa que leu o roteiro. Parecia que ela estava na beira da fama. Não mandamos o roteiro para nenhuma outra pessoa.

JOSEPH MIDDLETON (diretor de elenco): Nós fizemos No Mundo da Lua e Viagem ao Grande Deserto quando ela era muito jovem, então, quando Marc estava trazendo os nomes e um deles era o da Reese, eu já acreditava muito nela.

KAREN McCULLAH (roteirista): Christina Applegate já disse alguma coisa sobre como ela tinha recusado (o papel de Elle). E certa vez Marc chegou a mencionar a Britney Spears, e eu disse, “Não, não é uma boa ideia”. Acho que ela tinha apresentado o ‘SNL’ na noite anterior, e os filhos dele gostavam dela, então ele sugeriu o nome dela.

JENNIFER COOLIDGE (Paulette, a nova amiga e manicure de Elle): Eu ouvi rumores, e não sei se eles eram verdadeiros, que Courtney Love estava pronta para fazer o meu papel. Ouvi dizer que Kathy Najimy também estava pronta.

SMITH: Eu me lembro de falar sobre trazer a Chloë Sevigny para interpretar a Vivian (uma rival na faculdade de Direito). Não deu certo e acabamos com nossa rainha Selma Blair. Selma e Reese eram próximas, porque elas tinham feito Segundas Intenções juntas. Então a amizade delas foi uma ótima âncora para tudo.

ALI LARTER (Brooke, uma instrutora de ginástica em julgamento por assassinato): De início, eles queriam que eu fosse uma das irmãs da irmandade. Mas quando li (o roteiro), simplesmente amei a Brooke.


 

Raquel Welch, interpretando a ex-esposa do marido morto de Brooke, queria uma iluminação especial

ANTHONY RICHMOND (diretor de fotografia): Ela sabia como queria ser iluminada. Eu tinha dois conjuntos de luzes: um conjunto onde eu queria e um conjunto onde ela queria, para que ela pudesse se olhar no espelho. Eu diminuía o brilho de um conjunto lentamente e aumentava o brilho do outro, para que ela nunca soubesse que as luzes estavam mudando.

DE RAKOFF: Ela era obcecada por luz. Quando eu fiz a prova na casa dela, ficamos conversando sobre a cena do tribunal e ela disse: “Preciso usar este chapéu”. Era um chapéu preto, imenso. Dentro daquela aba gigante havia uma segunda camada de palha branca que a luz refletia para que ela pudesse obter mais reflexo no rosto. Ela basicamente criou seu próprio chapéu com uma camada de reflexo embutida.

JENNIFER COOLIDGE (Paulette, a nova amiga e manicure de Elle): Tudo o que sei é que ela não precisava de sua própria iluminação. Ela parece estranhamente jovem e sexy. Seu rosto, suas mãos, ela fez um pacto com o diabo. Ela é espetacular. 


 Tradução de Renato Prelorentzou

Este artigo foi originalmente publicado no New York Times

 

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