História de Tom Clancy chega às telas

Quantas vezes você já ouviu que ocinema está morrendo ou já morreu? Às vezes dá até paraacreditar. Diante de filmes como Infidelidade, de AdrianLyne, ou A Soma de Todos os Medos, de Phil Alden Robinson,por exemplo. Ambos estréiam nesta sexta-feira. A Soma baseia-se nolivro de Tom Clancy, que é produtor executivo. Pulverizou osnúmeros de Homem-Aranha e Star Wars - Episódio 2: O Ataquedos Clones, o que não quer dizer que seja melhor do que asaventuras de Sam Raimi e George Lucas. O que a Soma prova éque Hollywood ainda vai ganhar dinheiro por muito tempo. Suareceita: manipular as emoções do público. Dá certo desde que ocinema virou indústria. A Soma de Todos os Medos estourou nas telas dos EUAno vácuo dos terríveis acontecimentos de 11 de setembro.Hollywood baniu o fato, você sabe. As torres gêmeas foramapagadas de Homem-Aranha (e o filme ganhou um acréscimo debandeiras americanas no desfecho), a aventura em que ArnoldSchwarzenegger enfrenta terrorista colombiano que matou suamulher e o filho não estreou nos EUA por ser considerada muitotraumática (mas passou no Brasil e em outros mercados dominadospor Hollywood porque, afinal de contas, é preciso recuperar oinvestimento). Neste quadro, a Soma só podia produzirimpacto, mesmo. E olhem que o filme até poderia incitar à indulgência. Éum filme sobre terrorismo que pode ser considerado politicamentecorreto, na medida em que tenta não ofender ninguém. Aparecemuns pobres árabes no começo, mas não são vilões da história. Osverdadeiros vilões de A Soma são os nazistas, que todo mundoaceita e reconhece como inimigos da humanidade. Logo no início,uma bomba atômica israelense perde-se no quadro da Guerra doKippur, em 1973. Quase 30 anos mais tarde, é descoberta evendida a um nazista que quer restaurar o Reich. Esse personagem, interpretado por Alan Bates, um atorimportante dos anos 1960 (foi O Homem de Kiev), diz lá pelastantas que Adolf Hitler não era louco, mas burro. Tentoucombater os EUA e a União Soviética, quando faria melhorlançando um contra o outro. É o que ele tenta fazer, usando abomba atômica achada no deserto. Só que não é fácil. Afinal, opresidente americano tem um assessor que ainda reza na cartilhado kennedysmo, interpretado por Morgan Freeman, e esse contrataum certo Jack Ryan, que você já conhece de outros filmesbaseados em Tom Clancy (Caçada ao Outubro Vermelho, JogosPatrióticos, Perigo Real e Imediato), só que agora surgena pele de Ben Affleck, em mais um esforço de Hollywood parafazê-lo virar galã. Jack Ryan entende os russos, sabe que nãosão terroristas nem comedores de criancinhas. O filme nãoconsegue ser nem bem-feito. Mas, como provocou uma comoção noImpério, é lícito imaginar que também renderá fortunas aqui. Serviço - A Soma de Todos os Medos (The Sum of All Fears) Ação.Dir. Phil Alden Robinson. EUA/2002. 12 anos.

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