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Hillary Swank aprende a voar para viver Amelia

Em entrevista, atriz fala sobre experiência de interpretar a pioneira da aviação e defensora das mulheres

Elaine Guerini, especial para o Estado,

25 de março de 2010 | 19h58

Assim que aceitou o papel de Amelia Earhart, Hilary Swank percebeu que não bastaria cortar os cabelos, adotar guarda-roupa com toque masculino e imitar o sotaque de Kansas da pioneira da aviação nos EUA. "Não daria para interpretar Amelia e não aprender a voar. Seria um erro dos grandes", disse a atriz de 35 anos, ao receber a imprensa no aeroporto Essex County, de Fairfield, New Jersey, sentada ao lado de um avião Lockheed Electra Junior fabricado nos anos 30. O mesmo avião prateado usado na filmagem da cinebiografia Amelia', em cartaz a partir de hoje nos cinemas.

 

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Intensa em tudo o que faz, a vencedora de dois Oscars (por Meninos Não Choram e Menina de Ouro) precisava "sentir o gosto pelo perigo e pela aventura para entender o que a sua personagem tanto amava na aviação. Foi essa paixão que levou Amelia a se tornar a primeira mulher a pilotar um avião sozinha sobre o Oceano Atlântico em 1932. E a tentar dar a volta ao mundo, em 1937, quando o seu Lockheed L-10 Electra desapareceu no Oceano Pacífico, nas proximidades da Ilha Howland. Como os destroços jamais foram encontrados e são muitas as teorias sobre o acidente (incluindo falta de combustível no Electra), a morte de Amelia permanece como um dos maiores mistérios na história da aviação.

 

"Fiz 19 horas de voo. Só não continuei e tirei a minha licença de piloto porque não me deixaram voar sozinha antes de terminar as filmagens, por questões de seguro. Aposto que agora, assim que acabar a divulgação do filme, eles deixam", contou a atriz, rindo. O que mais impressionou Hilary foi a quantidade de cálculos que o piloto precisa fazer para voar. "Me senti de volta às aulas de matemática. Não sou de suar muito. Mas, ao aterrissar depois de uma aula de duas horas, minhas costas ficavam molhadas de tanto que eu tinha de me concentrar."

 

Dirigido pela indiana Mira Nair, o longa revive a trajetória da aviadora desde 1928, quando Amelia ganhou fama mundial, tornando-se amiga da primeira-dama Eleanor Roosevelt, até 1937, ano de sua morte, aos 39 anos. "Ainda que todo mundo saiba o fim da história, é muito inspirador ver como Amelia viveu do jeito que queria. E nunca se desculpou por ser livre e correr atrás dos seus sonhos. Se isso até hoje é mais complicado para as mulheres, dá para imaginar como era nos anos 20, quando nós tínhamos acabado de conquistar o direito de votar, e nos anos 30?"

 

O estilo independente e arrojado também marcou a intimidade da aviadora, conhecida por lutar pelos direitos femininos. O publicitário George Putnam (interpretado por Richard Gere) precisou pedi-la em casamento seis vezes para finalmente convencê-la a subir ao altar. E Amelia só disse sim após deixá-lo ciente, ao lhe entregar uma carta esclarecendo que ela não respeitaria "nenhum código medieval de fidelidade". Isso explica o love affair que ela viveu abertamente com Gene Vidal (Ewan McGregor), o piloto e empresário que mais tarde seria pai do escritor Gore Vidal.

 

"Se todas nós fôssemos tão diretas e sinceras sobre nossos sentimentos, desejos e necessidades quanto Amelia, poderíamos controlar melhor as expectativas numa relação. Ela não saía por aí magoando as pessoas, justamente por já ter deixado claro o que queria", disse Hilary, lembrando que Amelia e Vidal continuaram amigos mesmo quando o caso acabou. "Um grande aprendizado nesta vida é descobrir como podemos ser verdadeiramente honestos. Principalmente com nós mesmos."

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