Hilary Swank brilha no filme de terror <i>A Colheita do Mal</i>

Tudo em Hilary Swank ésuperlativo. Ela é muito alta, bem mais alta do que aparenta sernos filmes, mas é verdade que usa um salto muito alto. É magra,muito magra, um corpinho sonhado por top models de todas aslatitudes. E é bonita, muito mais bonita do que já apareceu emqualquer filme - quer dizer, exceto em A Colheita do Mal, queestréia nesta sexta-feira, 20, e foi justamente a produção que a levou àcapital do México para alguns encontros com jornalistas daAmérica Latina. Hilary é a primeira a reconhecer que, em AColheita do Mal, o diretor Stephen Hopkins lhe deu o papel maispróximo dela, fisicamente. "Não ando por aí vestida de homem nemlutando boxe", ela ri (e o sorriso é mágico), referindo-se aosdois filmes que lhe deram o Oscar, Meninos não Choram, deKimberly Peirce, e Menina de Ouro, de Clint Eastwood. No filme de Stephen Hopkins, Hilary faz essa antigamissionária cristã que perdeu a fé, depois que sua família foiexterminada e agora virou especialista em investigar (edesaprovar) fenômenos sobrenaturais. Catherine é seu nome e elavive uma experiência radical ao investigar as estranhasocorrências numa região da Louisiana, na qual parecem repetir-seas sete pragas bíblicas. Catherine busca respostas científicaspara o que está ocorrendo, mas o embate irracionalidade/fé dá otom do filme. Hilary pode ser a protagonista, mas há uma garotaque é a chave de tudo. "Se... não fosse boa, não haveria filme",diz, modestamente (e colocando-se em segundo plano, a estrela).Fisicamente, Hilary está na tela como é, na realidade.Emocionalmente, não. "Não tenho muitos pontos de identificaçãocom a personagem. Não sou ela, posso lhe dizer."Cinemão O que leva uma atriz duas vezes vencedora do prêmio daAcademia de Hollywood e conhecida por sua filiação ao cinemachamado ?de autor? a ingressar numa dessas histórias típicas docinemão, sem outro objetivo que provocar arrepios e, quem sabe,alguns gritinhos histéricos na platéia? "A diversão", elaresponde. "Nunca havia feito um filme desses e, quando Stephen(o diretor Hopkins) me apresentou o projeto, ele foi bastantepersuasivo." Hilary leu o roteiro no dia seguinte de seu segundoOscar. "Fiquei intrigada com a história e achei que seria umacoisa nova, para mim, participar de um filme cheio de efeitos."Em muitas cenas, ela contracenou diante da tela azul. Toda aintensidade de momentos como o ataque dos gafanhotos seriacriada depois, digitalmente. Havia alguns gafanhotos, mas nadadaquela nuvem aterradora. "É como voltar a ser criança. Eu tinhaminha caixa de faz-de-conta, que me abria um mundo depossibilidades. Stephen (de novo o diretor Hopkins) me dizia oque queria e eu entrava na viagem dele. Este é o tipo do filmeem que você se entrega na mão do diretor. Ele tem o filme nacabeça e você só vai saber o que era depois."Celebridade Dois Oscars, a celebridade, tudo isso mudou a vida deHilary Swank? "Não creio. Continuo sendo a filha de minha mãe,cuido da casa, levo uma vida perfeitamente normal." Onde estãosuas estatuetas da academia? "Como andei me mudando, elas nãoestão comigo. Estão com minha mãe." É a segunda referência deHilary à mãe durante a entrevista. "Devo muito à minha mãe. Elasempre acreditou em mim e me deu força, mesmo nos momentos emque eu estava prestes a desistir. Acho que todo mundo necessitade estímulo, e comigo não foi diferente. Um filme como AColheita do Mal trata do que podem ser milagres, mas milagre,para mim, é constatar até onde cheguei. E isso devo muito àminha mãe." Ela aproveita para contar que a produção de AColheita do Mal, baseada em New Orleans, teve de serinterrompida por causa do furacão Katrina. Diz que foiestimulante poder apoiar a população atingida pelos efeitosdevastadores da maior tempestade tropical que atingiu os EUA emépocas recentes. "Era apenas um filme, mas quando recomeçamos atrabalhar, o que ganhavam com A Colheita do Mal erapraticamente tudo o que as pessoas dispunham para sobreviver." É impossível conversar com Hilary Swank e não tocar noassunto Clint Eastwood. ela viu o díptico sobre a batalha de IwoJima? "Vi, claro. Cartas é maravilhoso." Seu comentário sobreo ator e diretor é sucinto. Hilary vai logo ao ponto. "Clint égênio, mas acho que a grande lição que ele nos dá é a suaousadia permanente. Ele não senta nos louros. Está semprequerendo se superar. Mais que uma lição de arte, acho que é umalição de vida." Já que a entrevista foi realizada no México, oque Hilary pensa do cinema latino atual? "Acho o que diretorescomo Alfonso Cuarón, Alejandro González Iñárritu e Guillermo delToro estão fazendo é muito interessante. Gostaria de trabalharcom qualquer um deles, ou com os três." E o cinema brasileiro?Ela hesita um pouco. O repórter provoca - Cidade de Deus("City of God")? "Oh, é muito forte. E a cena da galinha? MeuDeus, é maravilhosa!" Mas, a memória reavivada, ela faz aressalva. Gosta de Cidade de Deus, mas, de Fernando Meirelles,prefere O Jardineiro Fiel. O repórter viajou a convite da distribuidora WarnerA Colheita do Mal ("The Reaping", EUA/2007, 96 min.). Terror.Dir. Stephen Hopkins. 12 anos. Cotação: Regular

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