Hermafrodita procura identidade no premiado longa 'XXY'

Drama argentinode Lucía Puenzo ganhou o prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes em 2007

Alysson Oliveira, da Reuters,

08 Fevereiro 2028 | 11h28

O drama argentino XXY, que estréia em São Paulo e no Rio de Janeiro nesta sexta-feira, 29, aborda uma crise típica da adolescência, a da identidade.  Veja também:Trailer de 'XXY'  A diretora e roteirista Lucía Puenzo encontra um diferencial ao trazer à tona o conflito interno de seu personagem central, a adolescente Alex (Inés Efron), que é uma hermafrodita. XXY ganhou o prêmio da Semana da Crítica no Festival de Cannes em 2007 e foi escolhido como representante da Argentina na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme em língua estrangeira - mas acabou não sendo selecionado. Lucía, que estréia na direção, apresenta a personagem e sua família, o pai biólogo marinho Kraken (Ricardo Darín, de O Filho da Noiva) e a mãe Suli (Valeria Bertuccelli). A família mudou-se para a região litorânea do Uruguai e, só mais tarde, descobre-se que isso tem a ver com a condição especial de Alex. Alex chegou à adolescência, hora de tomar uma decisão séria sobre sua sexualidade. Se nessa fase da vida qualquer pessoa costuma viver conflitos e inseguranças, no caso dela, essas aflições são ainda mais complexas. Além de tudo, ela tem que enfrentar o preconceito da maioria de seus conhecidos, quando descobrem a verdade sobre ela. Recentemente, Alex envolveu-se numa briga com o melhor amigo, Vando (Luciano Nobile), e quebrou o nariz do rapaz. A situação da família fica mais instável com a chegada dos amigos de Suli, o cirurgião plástico Ramiro (German Palacios), Erika (Carolina Pelereti) e o filho deles, Alvaro (Martin Piroyanski). É normal que Alex se aproxime do rapaz, já que os dois são praticamente da mesma idade. O que ela não sabe é que ele também tem sérios conflitos, inclusive sexuais. Aos poucos, XXY confronta dois mundos distintos: o dos adultos e o dos adolescentes. O primeiro é calcado em rivalidades, estranhamentos e pouca aceitação. Os jovens mostram-se mais flexíveis em relação às suas identidades e ao mundo que os cerca. A diretora não se esquiva de fazer um retrato da intolerância e da incompreensão. Lucía - filha do veterano diretor argentino Luiz Puenzo (A História Oficial) - sabe como imprimir nuances, em especial a seus personagens. Ela conta também com dois atores sensíveis o bastante para explorar com veracidade os dilemas de seus personagens.

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