Heitor Dhalia e 'À Deriva' são bem recebidos em Cannes

O francês Vincent Cassel, que atua em português no longa, diz que quer filmar mais no Brasil

Flávia Guerra, O Estado de S. Paulo

22 de maio de 2009 | 14h59

O diretor Heitor Dhalia, a atriz Débora Bloch, o francês Vincent Cassel, a atriz Laura Neiva e Cauã Reymond. Foto: AP

 

CANNES - Enquanto o público de Cannes se desaponta com a falta de Johnny Depp (que era esperado para a première de O Imaginário do Doutor Parnassus, de Terry Gilliam), último filme estrelado por Heath Ledger cuja sessão de gala ocorre nesta sexta-feira, 22, a trupe brasileira teve uma tarde atribulada. Heitor Dhalia e equipe conversaram com a imprensa mundial que cobre o festival. "Foi um dia muito positivo. Ontem, após a sessão, os aplausos foram muito calorosos, mas, como as sessões do Um Certo Olhar são sempre misturadas, com público, convidados e crítica juntos, hoje pudemos sentir a reação da imprensa. E os jornalistas internacionais receberam muito bem o filme", contou Dhalia.

 

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O ator francês (que já se define como um franco-brasileiro) Vincent Cassel concorda e acrescenta : "Este é um filme que tem todo o potencial para viajar o mundo. Não só fazer sucesso em outros festivais, mas também fazer um bom público. À Deriva é, antes de tudo, um filme que quer dialogar com as pessoas."

 

Mais conhecido pelo grande público em papeis em filmes como Irreversível ou como "o marido da Monica Bellucci", Vincent se apaixonou pelo cinema brasileiro de tal forma que já cogita ate se mudar para o Brasil. "Quem sabe não passo a viver mais 'la embaixo' mesmo. Adoro o país e a cultura. E quero filmar mais com diretores brasileiros. É algo que nunca imaginei na minha vida. E que estou adorando ", disse o ator em ótimo português durante a festa de comemoração do filme, na concorrida casa noturna Jimmy'z Club, ao lado do Grand Palais, na Croisette.

 

Além de Vincent, Débora Bloch (que está impecável no papel de Clarice, mulher de Mathias), Laura Neiva (Filipa, a filha do casal), Cauã Reymond e a namorada Grazi Massafera também festejaram a boa acolhida do filme. A comemoração contou ainda com a presença dos produtoras do filme Bel Berlinck, Andrea Barata Ribeiro, da O2 Filmes, e do restante da equipe, como a diretora assistente Joana Mariani e o produtor executivo Matias Mariani.

 

Laura Neiva

 

Se Vincent diz que ainda tem muito a aprender com o cinema brasileiro, quem ainda tem muito o que filmar é Laura Neiva. A garota, que foi descoberta pela equipe do filme no Orkut, tem apenas 16 anos e já é candidata a nova musa do cinema nacional. Sua atuação em À Deriva foi elogiada e muito aplaudida no final da sessão de quinta-feira. "Eu quero voltar para São Paulo agora e estudar muito para ser atriz. Jamais pensei em seguir esta carreira, mas, depois de À Deriva, percebi que é isso que eu quero fazer", contou Laura, que neste fim de semana viaja para o interior da França. "Quero conhecer melhor o país. Nunca pensei que Cannes fosse tão especial e que o festival fosse tão incrível. Até mesmo foto com o Robert Pattinson (o vampiro teen mais famoso do cinema atual) eu tirei", brincou a jovem atriz.

 

Já Dhalia, além da ótima estreia em Cannes, também comemora sua mais nova empreitada. O diretor acaba de abrir (em parceria com Tatiana Quintella e Patrick Siaretta) um braço da francesa Celluloid Dreams no Brasil. Produtora de peso no "mercado de filmes de arte para grande publico", a Celluloid Dreams tem no currículo filmes como Persépolis e um dos favoritos à Palma de Ouro neste ano, O Profeta, de Jacques Audiard. "É uma aposta no novo cinema brasileiro. Vamos tanto investir em novos talentos como abrir as portas do mercado internacional para estes jovens diretores ", explicou Dhalia.

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