Heath Ledger e a história do Oscar póstumo

Academia concedeu raros prêmios póstumos para as categorias de interpretação

Teresa Ribeiro, do estadao.com.br, com agências internacionais,

27 de janeiro de 2009 | 12h33

Heath Ledger, que morreu há um ano, é candidato a um Oscar como pelo seu papel como o vilão Curinga, de Batman, o Cavalheiro das Trevas, na 81.ª edição do Oscar, podendo ser o primeiro ator a conquistar um troféu póstumo na categoria de melhor ator coadjuvante. Antes dele, Peter Finch, ganhou o Oscar de melhor ator por Rede de Intrigas, em 1976. Em 2005, Ledger disputou o prêmio da Academia de Hollywood como melhor ator por seu papel como o vaqueiro gay em Brokeback Mountain. Perdeu para Philip Seymour Hoffman, o vencedor por Capote. Desta vez, é Hoffman que deve perder para Ledger. Disputam o prêmio deste ano Seymour Hoffman (A Dúvida), Robert Downey (Homem de Ferro), Josh Brolin (Milk) e Michael Shannon (Foi Apenas Um Sonho). Ledger, por sua interpretação do Curinga recebeu os maiores elogios por parte da imprensa especializada desde que a Warner Bros. exibiu o filme em sessões de pré-estreias antes da estreia em julho de 2008. "Só posso ter superlativos para Ledger, que cria um louco, alucinado, incendiário e brilhante Curinga", disse Pete Travers, da revista Rolling Stone.   Christian Bale, que dá vida a Batman no filme, somava elogios em uma entrevista à EFE: "Rouba a cena por completo. É fantástica sua atuação fala por si mesma, é incrível, algo nunca visto até agora, é uma tremenda celebração de seu talento".   Para muitos, sua composição do "agente do caos', com a anarquia de rosto desfigurado de maquiagem branca, com os olhos injetados de ira e a voz rouca e ameaçadora, faz a gente se esquecer do até então marcante Curinga criado por Jack Nicholson no Batman de Tim Burton, em 1988.   Nos 81 anos de história dos prêmios da Academia, um total de 53 pessoas recebeu 70 indicações ao Oscar de forma póstuma e apenas 13 delas foram vitoriosas.   Entre os vencedores póstumos estão Sidney Howard, que ganhou o prêmio de melhor roteiro por ...E o Vento Levou (1939), Victor Young, pela trilha sonora de A Volta ao Mundo em 80 Dias (1956); William Horning, pela melhor direção artística em Gigi (1958) e por Ben-Hur (1959); Sam Zimbalist, produtor de Ben-Hur (1959) e Eric Orbom, com a melhor direção artística por Spartacus (1960).   Também ganhou Walt Disney, na categoria melhor curta de animação por Ursinho Puff e o Dia da Ventania (1968); Raymond Rasch e Larry Russel, pela melhor trilha sonora em Luzes da Ribalta (1952); Peter Finch, como melhor ator por Rede de Intrigas (1976); Geoffrey Unsworth, pela fotografia de Tess (1979) e Tomas Goodwin, na categoria de melhor documentário em curta-metragem por Educating Peter (1992).   Completam a lista Howard Ashman, na categoria de melhor canção por A Bela e a Fera (1991) e Conrad L. Hall, pela melhor fotografia em Estrada para Perdição (2002).   Dessas 70 indicações póstumas, apenas seis foram para intérpretes: Jeanne Eagels, como melhor atriz por A Carta (1929); James Dean, por Vidas Amargas (1955) e Assim Caminha a Humanidade (1956); Spenser Tracy, por Adivinhe Quem Vem para Jantar (1967), Peter Finch, por Rede de Intrigas (1976) e Massimo Troisi, por O Carteiro e o Poeta (1994).   Somente Finch ganhou, apesar do forte favoritismo de Robert De Niro, por seu memorável alienado social Travis Bickle em Taxi Driver. Mas, o protagonista de Rede de Intrigas, que morreu dois meses antes da cerimônia, foi o premiado da vez.   Tão surpreendente como essa decisão foi o voto dos membros da Academia que decidiram em 1968 romper tabus e entregar a estatueta a Sidney Poitier por No Calor da Noite (1968), deixando de mãos vazias Spencer Tracy, apesar de já se saber que sua interpretação ao lado de sua mulher Katharine Hepburn em Adivinhe Quem Vem Para Jantar, era uma despedida. Ele faleceu meses depois.   Em compensação, Ledger chega às portas do Oscar com vários prêmios embaixo dos braços: o Globo de Ouro, o prêmio do Sindicato dos Atores dos EUA, assim como distinções procedentes de distintas associações de críticos do país.   Hoje, o ator australiano leva a história ser reescrita. E talvez volta a fazer isso em 22 de fevereiro, data da entrega do Oscar.

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