Carlo Allegri/Reuters
Sentença de Harvey Weinstein será anunciada em Nova York Carlo Allegri/Reuters

Harvey Weinstein é condenado a 23 anos de prisão

O produtor de cinema Harvey Weinstein havia sido condenado, no final de fevereiro, por estupro e agressão sexual

Redação, O Estado de S. Paulo

11 de março de 2020 | 12h07

Ex-produtor de cinema e ex-magnata de Hollywood, Harvey Weinstein foi condenado a 23 anos de prisão. A sentença foi anunciada nesta quarta-feira, 11, em um tribunal de Nova York, em sessão que contou com a presença de Weinstein. Ele podia pegar entre 5 e 29 anos de prisão.

Aos 67 anos, Harvey Weinstein foi condenado por estrupro e agressão sexual no dia 24 de fevereiro, passou mal após o término do julgamento, foi submetido a uma cirurgia cardíaca e encaminhado ao presídio de Rykers Island, no Bronx, no dia 5 de março.

Esta é a primeira vitória na Justiça do movimento #MeToo, que chacoalhou Hollywood e a indústria do entretenimento como uma todo. Veja a cronologia do caso Harvey Weinstein.

O júri considerou Weinstein culpado de agressão sexual em primeiro grau por praticar sexo oral forçado na ex-assistente de produção Mimi Haleyi, em julho de 2006, e por estupro em terceiro grau da ex-atriz Jessica Mann em março de 2013. Ele foi inocentado de outros dois delitos mais graves, que poderiam levá-lo à prisão perpétua: estupro em primeiro grau de Mann e de ser um predador sexual.

Mimi Haleyi e Jessica Mann foram aplaudidas na entrada do tribunal.

Haleyi caiu no choro quando ela disse ao juiz James Burke que o ataque de 2006 a assustou muito, fez com que ela considerasse se queria mesmo seguir na carreira de atriz e a deixou paranoica e com medo de retaliação. Ela disse ainda que evita relacionamentos com medo de magoar a outra pessoa, deixá-la constrangida ou afastá-la quando ela souber o que aconteceu. "Acredito que se Harvey Weinstein não tivesse sido condenado por esse júri, isso aconteceria de novo e de novo", disse.

Ela relembrou o momento em que, durante o julgamento, ela deixou a sala e seus gritos, em uma sala adjacente, puderam ser ouvidos dentro do tribunal. "O dia em que meus gritos foram ouvidos de dentro da sala de testemunhas foi o dia em que minha voz voltou." Ela disse ainda que foi uma vítima da "paralisia do estupro" e que não podia lutar. "O estupro não é só o momento da penetração, ele dura para sempre."

Os advogados de Weinstein pediram leniência por causa de sua saúde frágil. O ex-produtor disse aos jurados que os homens que estão enfrentando acusações após o movimento #MeToo estão sendo acusados de "coisas que ninguém entende", dizendo também que estava confuso quanto ao caso de estupro que o colocou na prisão. "Milhares de homens estão perdendo por causa do processo. Estou preocupado com este país", disse o ex-magnata depois que duas de suas vítimas o confrontaram no tribunal.

Já os procuradores disseram que o ex-titã de Hollywood merecia uma pena dura por conta de todas as acusações feitas e que remontam aos anos 1970. / COM AP E AFP

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Quem é Harvey Weinstein?

Casos de abuso sexual por parte do poderoso produtor de cinema vieram à tona depois de denúncias comprometedoras de atrizes, modelos e profissionais da indústria

Guilherme Sobota, O Estado de S. Paulo

11 de outubro de 2017 | 14h36

O nome de Harvey Weinstein invadiu os noticiários da área de cultura e entretenimento nos últimos dias depois de sérias acusações relacionadas a violência sexual. O produtor de 65 anos foi acusado por atrizes, modelos e profissionais da indústria do cinema de cometer atos sexuais forçados (estupro), ameaças físicas e verbais contra mulheres e assédio sexual.

+ Lúcia Guimarães: Precisamos falar sobre o Harvey

Linha do tempo das acusações

5/10/2017

O The New York Times publica uma reportagem com acusações de que Weinstein pagou várias pessoas para manter denúncias de assédio sexual fora do alcance do público durante vários anos.

No mesmo dia, ele anuncia o seu desligamento da The Weinstein Company, e diz que vai processar o The New York Times.

7/10/2017

A advogada Lisa Bloom abandona a defesa de Weinstein. 

8/10/2017

A fundadora do site The Wrap publica um artigo acusando o New York Times de não publicar uma matéria parecida em 2004, depois de ligações de Matt Damon e Russell Crowe para o jornal.

Weinstein é demitido da The Weinstein Company.

9/10/2017

Famosos continuam a compartilhar histórias e reações às notícias.

10/10/2017

Gwyneth Paltrow e Angelina Jolie falam abertamente ao The New York Times sobre suas próprias histórias envolvendo as práticas abusivas de Weinstein. 

A revista The New Yorker publica uma matéria resultante de uma investigação de 10 meses em que outras 13 mulheres compartilham histórias de abuso por parte de Weinstein. Três delas, entre elas a atriz Asia Argento, disseram que Weinstein as estuprou forçando sexo oral ou vaginal.

Em uma gravação divulgada pela revista, Weinstein admite ter apalpado uma modelo.

Em nota, Weinstein afirma que "inequivocamente nega" as alegações de sexo não-consensual.

A esposa de Weinstein por 10 anos, Georgina Chapman, anuncia a separação do produtor.

Mas quem é Harvey Weinstein?

Nascido em março de 1952 em Nova York, ele se formou em Buffalo nos anos 1970 e começou sua carreira no show biz ao produzir shows de rock na região na época. Em 1979, ele fundou, ao lado do irmão Bob Weinstein, a Miramax, que até 1993 se destacou como produtora e distribuidora de filmes independentes.

Em 1993, a Disney adquiriu a companhia, mantendo os irmãos à frente, e no ano seguinte a empresa lançou Pulp Fiction, de Quentin Tarantino, o que marcaria o início da expansão para se tornar uma das mais importantes produtoras e distribuidoras de Hollywood.

Em 2005, os irmãos decidiram deixar a empresa e fundar sua própria produtora: The Weinstein Company, que lançou alguns hits de bilheterias e muitos filmes premiados aos longo dos últimos 12 anos (veja as listas abaixo).

eus métodos de trabalho são conhecidos como duros, agressivos e muitas vezes rudes. Histórias de agressões verbais e físicas contra homens e mulheres em desacordo com suas crenças são conhecidas no show biz.

Harvey Weinstein venceu o Oscar de melhor filme em 1999 por Shakespeare Apaixonado, e foi indicado ao mesmo prêmio em 2003 por Gangues de Nova York. Desde 2005, ele é indicado com regularidade ao Emmy pelo reality Project Runaway, e também venceu ao longo da carreira sete Tony Awards, por suas produções de peças de teatro e musicais.

Em 2004, ele recebeu uma Ordem do Império Britânico honorária por sua contribuição ao cinema, e em 2012 uma honraria semelhante do governo da França lhe foi atribuída.

Ele também é conhecido por seu engajamento em questões sociais como combate à pobreza, prevenção a AIDS e pesquisas relacionadas a outras doenças, bem como na luta pela regulamentação das armas e do sistema de saúde nos EUA.

Weinstein contribuiu com campanhas de candidatos do Partido Democrata americano, incluindo Barack Obama, Hillary Clinton e diversos senadores.

Filmes produzidos pela Miramax na época dos irmãos Weinstein (1979-2005 - entre muitos outros)

Pulp Fiction (1994)

Tiros na Broadway (1994)

Kids (1995)

Um Drink no Inferno (1996)

Gênio Indomável (1997)

Shakespeare Apaixonado (1998)

Gangues de Nova York (2002)

Fahrenheit 11 de Setembro (2004)

Filmes produzidos pela The Weinstein Company (entre outros)

Vicky Cristina Barcelona (2008)

O Leitor (2008)

Bastardos Inglórios (2009)

O Discurso do Rei (2010)

O Lado Bom da Vida (2012)

Django Livre (2012)

Lion: Uma Jornada Para Casa (2016)

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Donald Trump e Bill Cosby comentam condenação de Harvey Weinstein

Trump ressaltou não ser um 'admirador' de Weinstein, insistindo na proximidade dele com os democratas

Redação, O Estado de S.Paulo

25 de fevereiro de 2020 | 12h33

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, considerou a condenação do ex-produtor de Hollywood, Harvey Weinstein, por agressão sexual e estupro como sendo "uma grande vitória" para as mulheres, além de passar "uma mensagem muito forte", disse nesta terça-feira, 25.

"Do ponto de vista das mulheres, acredito que simbolizou algo importante", disse Trump durante uma visita de Estado à Índia. "Foi uma grande vitória e passa uma mensagem muito forte", afirmou.

Trump ressaltou não ser um "admirador" de Weinstein, insistindo na proximidade dele com os democratas. "Michelle Obama o adorava, Hillary Clinton também", disse.

Em Berlim para a exibição de uma série documental dedicada a ela durante o festival de cinema, a ex-secretária de Estado americana declarou que já estava na "hora" do produtor hollywodiano "prestar contas".

"O veredicto do júri realmente fala por si só e é algo que as pessoas acompanharam com atenção, porque era já era hora de prestar contas", disse Clinton.

Ela, que foi muito criticada pela proximidade com o réu, acrescentou que "é fato que ele contribuiu com todas as campanhas democratas, de Barack Obama, John Kerry, Al Gore", reconheceu a ex-secretária de Estado americano.

Clinton acrescentou que a condenação do produtor não é um motivo para não participar do financiamento das campanhas políticas, mas sim "colocar um fim a esse tipo de comportamento" que o fez ser condenado.

Bill Cosby sai em defesa de Weinstein

Após a condenação do produtor de cinema por agressão sexual e estupro, ocorrida nesta segunda-feira, 24, o comediante americano Bill Cosby, também condenado por crimes sexuais em 2018, fez declarações nas redes sociais em defesa de Weinstein, por meio de seu porta-voz,. Ele afirmou ter sido um "dia muito triste para o sistema judicial americano" e defendeu que "de nenhum jeito, alguém poderia acreditar que o senhor Weinstein receberia um julgamento justo e imparcial". Segundo o comunicado, o juri estaria influenciado por "manchetes da imprensa e pelos sentimentos da opinião pública". / COM AFP

 

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Harvey Weinstein é condenado por estupro e abuso sexual

Veredicto sela a queda do magnata de Hollywood depois do movimento #MeToo; júri o considerou inocente pela acusação mais séria

AP e NYT, O Estado de S. Paulo

24 de fevereiro de 2020 | 14h24

O produtor Harvey Weinstein foi declarado culpado pelos crimes de violação e abuso sexual, selando a queda do magnata de Hollywood depois do movimento #MeToo. Ele foi condenado por acusações de abuso sexual ocorrido em 2006 e de um estupro em 2013. O júri considerou Weinstein inocente pela acusação mais séria, agressão sexual predatória, que poderia resultar em uma sentença de prisão perpétua.

Weinstein deve aguardar na prisão a sentença, que será divulgada em 11 de março, informou o juiz James Burke. A defesa do produtor anunciou que irá recorrer da decisão.

O produtor, de 67 anos, será sentenciado por Burke com uma pena mínima de cinco anos e uma máxima de 25 anos por agredir sexualmente a assistente de produção Mimi Haleyi, em 2006, e pelo estupro da ex-atriz Jessica Mann, em 2013.

Weinstein parecia resignado quando o veredicto chegou e foi visto conversando com seus advogados logo depois.

O veredicto chega após três semanas de depoimentos dolorosos envolvendo acusadoras que falaram de violações, sexo oral forçado, masturbação e propostas indecorosas justificadas em Hollywood como parte da cultura do "teste do sofá".

A condenação foi vista como um esperado ajuste de contas, depois que anos de rumores sobre o comportamento de Weinstein se converteram em 2017 em uma torrente de acusações que destruiu sua carreira e deu lugar ao #MeToo, o movimento global para incentivar mulheres a se pronunciar e denunciar homens poderosos por conduta sexual inapropriada. 

As mulheres que acusaram Harvey Weinstein de agressão sexual ou estupro "mudaram o curso da história", disse o promotor de Manhattan na segunda-feira, Cyrus Vance, após o veredicto. Weinstein também foi acusado em janeiro de dois ataques sexuais em Los Angeles, pelos quais ele ainda deve responder à justiça. Também é alvo de vários processos civis.

Cronologia do caso Weinstein

As acusações de má conduta sexual contra o produtor de cinema Harvey Weinstein em Nova York e Los Angeles surgiram bem antes de ele ser acionado judicialmente em Manhattan.

Abaixo uma cronologia do caso envolvendo Weinsten que culminou com a sentença.

27 de março de 2015: promotores em Manhattan se negam a levar Weinstein a juízo

A modelo italiana Ambra Battilana comunicou à polícia de Nova York que Weinstein tocou os seus seios durante uma reunião de negócios no escritório dele em TriBeCa, em Manhattan. No dia seguinte, trabalhando com os investigadores, ela visitou Weinstein no Tribeca Grand Hotel e secretamente gravou uma conversa em que ele se desculpou pelo ocorrido no encontro.

Mas duas semanas de investigação realizadas por promotores designados para investigar crimes de caráter sexual, o responsável pelo ministério público do distrito de Manhattan, Cyrus R. Vance Jr, anunciou que as provas não sustentavam a acusação contra Weinstein, que seria um delito menor.

Agosto de 2017: Weinstein contrata investigadores para saber quem estava conversando com jornalistas

À medida que começaram a circular notícias de que jornalistas vinham examinando alegações de que Weinstein havia assediado um grande número de mulheres durante décadas, o produtor contratou uma agência de detetives particular, Black Cube, para investigar o que qualificou como “sinais de alerta” - ou pessoas que, Weinstein suspeitava, estavam falando sobre ele para repórteres de jornais.

Entre essas pessoas estava Annabella Sciorra, atriz conhecida pelo seu trabalho na série Família Soprano, que afirmou que Weistein a estuprou no apartamento dela no bairro de Gamercy Park, em Manhattan, em 1993 ou 1994.

5 de outubro de 2017: O The New York Times e a New Yorker trazem detalhes das acusações de que Weinstein havia molestado mulheres.

O The New York Times publicou uma investigação detalhando relatos de várias mulheres afirmando que o produtor abusou delas ou as assediou em incidentes ocorridos já nos anos 1990.

Esses artigos deram impulso ao movimento #MeToo e aumentaram a pressão para as autoridades investigarem o produtor. Dentro de um mês, o departamento de polícia de Nova York anunciou que estava preparando um dossiê consistente de acusações contra ele.

19 de março de 2018: o governador de Nova York ordena uma revisão da decisão tomada em 2015 de não processar Weinstein a julgamento  

O governador Andrew M. Cuomo ordenou à promotoria do Estado de Nova York uma investigação das razões pelas quais Vance não aceitou as acusações feitas contra Weinstein no processo iniciado por Battilana em 2015. Recentemente ficou esclarecido que Vince recebera doações de campanha de alguns dos advogados de Weinstein. A investigação colocou em foco a decisão adotada por Vance.

25 de abril de 2018: Vance nomeia um novo promotor encarregado da investigação

Cyrus Vance substituiu o promotor que foi designado inicialmente para investigar Weinsten por uma promotora da área de homicídios, Joan Illuzzi. A mudança refletiu uma tensão entre o departamento de polícia e o gabinete do ministério público de Nova York sobre a maneira de tratar o caso.

28 de maio de 2018: Weinstein é preso

O produtor foi indiciado e se entregou na 1ª Delegacia de polícia em Manhattan, acusado de estupro e conduta sexual criminosa.

A acusação de estupro foi proveniente de um suposto abuso de uma mulher, não nomeada, no Doubletree Hotel no centro de Manhattan em 2013. Mais tarde foi revelado que se tratava de Jessica Mann, uma atriz principiante de uma pequena cidade de Washington.

A acusação de conduta sexual criminosa envolveu Lucia Evans, uma executiva de marketing que declarou aos investigadores que foi forçada por Weinstein a fazer sexo oral durante uma reunião de elenco em seu escritório em TriBeCa em 2004.

O advogado de Weinstein na época, Benjamin Brafman, afirmou em defesa do seu cliente que embora ele tenha tido “um mau comportamento”, não havia cometido nenhum daqueles crimes.

2 de Julho de 2018 - Promotores adicionam novas denúncias

Os promotores anunciaram que estavam adicionando novas denúncias ao processo de Weinstein, com acusações de sexo oral forçado no apartamento dele em julho de 2006, feitas por uma mulher não identificada. Posteriormente foi revelado que se tratava de Miriam Haley, ex-assistente de produção do programa de TV Project Runway.

As novas denúncias incluíam abuso sexual predatório, o que exige que os promotores provem que o réu cometeu um delito grave contra duas pessoas e implica uma pena de prisão perpétua.

11 de outubro de 2018: Juiz rechaça as acusações

Um juiz rechaçou a acusação de sexo oral forçado feita contra Weinstein na ação envolvendo Lucia Evans, depois de os promotores admitirem que a detetive que assumiu o caso não os informou sobre uma testemunha que colocara em dúvida o relato feito por Evans.

Três meses antes do indiciamento o detetive Nicholas DiGaudio soube por uma testemunha, amiga de Lucia Evans, que ela havia afirmado que estava disposta a fazer sexo oral com Weinstein em troca da promessa de um contrato para atuar como atriz.

DiGaudio nunca informou os promotores sobre esse relato contraditório o que despertou dúvidas sobre a viabilidade de todo o processo.

17 de janeiro de 2019: Weinstein muda os advogados, retardando seu julgamento

Brafman, advogado de Weinstein, retirou-se do caso, o que atrasou a data do julgamento. Brafman declarou ter descoberto vários e-mails trocados entre o produtor e suas acusadoras, o que sugeria que aspectos das relações foram consensuais.

11 de julho de 2019: Weinstein contrata uma equipe de advogados

O terceiro grupo de advogados do produtor que o representa no processo realizou uma coletiva de imprensa em Manhattan para anunciar seu trabalho. Eles assumiram o caso depois de Weinstein contratar e demitir uma segunda equipe de advogados.

A advogada que lidera o novo grupo, Donna Rotunno, de Chicago, disse na coletiva que Weinstein havia sido “levado de roldão” pelo movimento #MeToo.

26 de agosto de 2019: Sciorra é adicionada ao caso

Para respaldar suas acusações, os promotores obtiveram novo indiciamento contra Weinstein, convocando Sciorra, atriz da série Sopranos, como testemunha.

Segundo ela relatou, um alegado encontro com o produtor ocorreu quase 30 anos antes - um tempo muito longo para ele ser acusado numa ação separada de estupro com base na lei estadual de Nova York. Mas ela teve permissão de depor como testemunha porque suas declarações apoiariam as acusações de agressão sexual predatória.

6 de janeiro de 2020: Weinstein é indiciado em Los Angeles

Numa decisão surpreendente, o ministério público de Los Angeles acusou Weinstein de estupro de uma mulher, e de apalpar e se masturbar na frente de uma outra em questão de dois dias, em fevereiro de 2013.

As acusações na Califórnia foram apresentadas quando as partes em Nova York se se reuniam no primeiro dia de julgamento do produtor, em Manhattan.

23 de janeiro de 2020: Sciorra depõe

Perante o tribunal, Sciorra declarou que Weinstein entrou à força no apartamento dela no início dos anos 1990, depois de dar a ela uma carona na saída de um jantar e obrigou-a a ir para a cama.

“Tentei afastá-lo”, disse a atriz com a voz tomada pela emoção. “Eu o golpeei, dei pontapés”, mas Weinstein a dominou e “ficou em cima de mim e me estuprou”.

27 de janeiro de 2020: Haley, que foi assistente no programa Project Runaway, também depõe

Em seu depoimento, Miriam Haley afirmou que o produtor a forçou a ir para a cama e fazer sexo oral no seu apartamento em TriBeCa, em julho de 2006, apesar dos seus protestos. “Fui estuprada”, disse ela.

Ela acrescentou que “fiquei em tal estado de choque que simplesmente fui embora”. Haley disse ter mantido sexo com ele duas semanas depois do primeiro encontro em um hotel “e não resisti fisicamente”.

Ela admitiu que, depois disto, continuou a aceitar presentes e a se corresponder com ele, enviando-lhe e-mails amigáveis.

31 de janeiro de 2020: Mann, uma atriz novata, presta testemunho

Mann, em seu depoimento, acusou Weinstein de estuprá-la num quarto de hotel em Manhattan, tendo impedido que ela deixasse o quarto. Ela disse que ele ordenou que ela tirasse a roupa e injetou um medicamento em sua genitália, acrescentando que “nesse momento, eu cedi”.

Mann admitiu que antes já havia feito sexo consensualmente com o produtor e que depois do alegado estupro, seu último encontro foi em 2016.

Ela começou a chorar quando revelou no tribunal que foi abusada sexualmente quando era mais jovem. Isto quando leu uma carta que escreveu para um namorado em que descreveu Weinstein como “um pseudo-pai”, que lhe havia dado “toda a aprovação que eu necessitava”.

18 de fevereiro de 2020 - Júri inicia suas deliberações

Os cinco homens e sete mulheres do júri começaram a deliberar depois de um julgamento que durou um mês e incluiu o depoimento de seis mulheres que acusam Weinstein, como também de especialistas e outras testemunhas.

Os jurados se defrontaram com questões difíceis. Eles tinham de decidir se os relacionamentos entre as mulheres e Weinstein eram consensuais e em troca de alguma coisa, como seus advogados sugeriram. E se o sexo consensual entre Weinstein e algumas das mulheres prejudicava as acusações de que, em outras ocasiões, ele as agrediu sexualmente. /Tradução de Terezinha Martino

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Espiões, ameaças e spam: Como Harvey Weinstein intimidou quem tentou denunciá-lo

Filho de Woody Allen e Mia Farrow, jornalista Ronan Farrow relata em livro as estratégias da 'indústria do silêncio' por trás dos assédios

Alessandra Monnerat, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2020 | 11h21

Foram décadas de silêncio até que o produtor de cinema Harvey Weinstein fosse levado ao banco dos réus, acusado por inúmeras mulheres de assédio sexual e estupro. O figurão de Hollywood era a baleia branca de vários repórteres, que tentaram – sem sucesso – trazer a série de abusos cometidos por ele à tona. Esses casos só seriam revelados em 2017, em reportagens do The New York Times e da New Yorker. Mas por que a verdade demorou tanto a aparecer? Um dos repórteres responsáveis por expor Weinstein, o vencedor do prêmio Pulitzer Ronan Farrow, se dedica essa pergunta no livro Operação Abafa – Predadores Sexuais e a Indústria do Silêncio. E a resposta tem várias camadas.

Uma parte da explicação é digna de um thriller de espiões. Weinstein contratou uma empresa de inteligência israelense chamada Black Cube para investigar os jornalistas que estavam escavando seu passado – o que inclui Farrow e as repórteres do Times Jodi Kantor e Megan Twohey. Entre as táticas empregadas pela agência para obter informações sobre Farrow, estava o envio de mensagens spam para o celular do jornalista – alertas de previsão do tempo, por exemplo. Mais tarde, essas comunicações provariam ser parte de um esquema para roubar os dados do repórter. 

A Black Cube também se valia de técnicas mais tradicionais. Farrow começou a reparar em um carro Nissan Pathfinder que sempre estacionava perto de seu prédio – eram os agentes contratados para segui-lo. O autor conta se sentir paranoico, a ponto de colocar os resultados da apuração sobre Weinstein em um cofre com o bilhete: “Caso algo aconteça comigo, faça essa história ser publicada”. A atriz Rose McGowan, que acusou Weinstein de estupro, foi outro alvo da Black Cube. Por meses, uma mulher chamada Diana Filip se aproximou dela e ganhou sua confiança. Depois, se descobriria que Diana, na verdade, se chamava Stella Pechanac, uma ex-soldado da Força Aérea Israelense treinada em operações psicológicas e contratada para descobrir os segredos da atriz. 

Farrow sabe que tem uma história cinematográfica em mãos, e conduz a narrativa com ritmo preciso e algumas notas de bom humor. Aos poucos, ele pinta um quadro de “nós contra eles”, uma cena de batalha liderada por algumas mulheres e jornalistas corajosos contra um grande complô. Em sua própria versão de Todos Os Homens do Presidente, Farrow tem até seu próprio Garganta Profunda. É Sleeper, uma fonte anônima misteriosa, que trabalhava na Black Cube e resolveu vazar vários documentos da firma para o repórter. “Realmente acredito que Weinstein é um criminoso sexual e tenho vergonha, como mulher, de estar participando disso”, diz Sleeper no livro. 

Mas a história por trás do silêncio que protegia Weinstein não é só sobre espionagem. O autor expõe ainda elementos de uma conspiração maior e mais nociva: a cultura de cumplicidade que envolvia setores da política, da mídia e da indústria do cinema americano. Farrow lembra ao longo do livro que alguns dos que se calaram a respeito dos abusos continuaram a ser celebrados sem grandes questionamentos. Hoje, o favorito a ganhar o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante, Brad Pitt, disse saber do assédio contra sua ex-noiva, Gwyneth Paltrow. O diretor de Era Uma Vez… Em Hollywood e indicado a receber a estatueta por Melhor Roteiro Original, Quentin Tarantino, confessou “saber o suficiente para fazer mais” do que fez. 

Os dois não eram os únicos. Weinstein garantiu financiamento e premiações a uma boa parcela de Hollywood – e também trabalhou na arrecadação para campanhas democratas, como a de Hillary Clinton. Mas a lealdade ao produtor em setores considerados progressistas não se explica apenas com dinheiro e poder. O que Farrow dá a entender é que muitos dos que protegeram o predador sexual também tinham esqueletos no armário. O autor conta como sua investigação sobre Weinstein, feita em parceria com o produtor, Rich McHugh foi embarreirada por mais de um ano pela NBC – onde Farrow trabalhava antes de levar sua apuração para a New Yorker. A emissora tinha fechado seus próprios acordos de confidencialidade para abafar casos de abuso sexual cometidos por homens em seu alto escalão. 

Um dos casos revelados no livro é o da ex-produtora da NBC Brooke Nevils, que disse ter sido estuprada por um dos principais nomes da casa, o apresentador Matt Lauer. O relato de Brooke é o mais contundente em Operação Abafa. Ela conta que, durante a cobertura da Olimpíada de Inverno de Sochi, em 2014, Lauer a forçou a fazer sexo anal quando ela estava bêbada. “Quando acordou, havia sangue por toda a parte, empapando a calcinha, empapando o lençol”. Ao menos outras dez ex-colegas de Lauer registraram conduta inapropriada do apresentador, que nega as acusações.

Como narrador dessas histórias, Farrow tem uma posição curiosa. Ao mesmo tempo que, como jornalista, tem um olhar de fora, ele é filho de duas importantes e controversas figuras do cinema: a atriz Mia Farrow e o diretor Woody Allen. A crônica da família é marcada por uma acusação de abuso sexual. A irmã adotiva de Ronan, Dylan, diz que Allen a molestou quando ela tinha 7 anos de idade. O cineasta nunca foi indiciado criminalmente e nega as acusações. No livro, Ronan expressa seu distanciamento do pai e argumenta que ele contratou um time de detetives particulares para atrapalhar as investigações do caso. Essa posição de defesa da irmã e da mãe tornou o jornalista uma figura mais confiável para algumas de suas fontes, como Rose McGowan. Antes de entrevistar a atriz, o repórter pediu conselhos a Dylan. “Diz pra ela que o negócio é segurar a barra. É igual arrancar um band-aid”.

O autor admite não ser um árbitro imparcial sobre a história de sua família. De qualquer forma, ele defende a importância de que relatos como o de Dylan sejam ouvidos. “Esse tipo de silêncio não é apenas injusto. Ele é perigoso.”

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Acusadora de Weinstein conta sobre a sua agressão em um quarto infantil

Se Harvey Weinstein for considerado culpado, ele pode ser condenado à prisão perpétua

Redação, AFP

28 de janeiro de 2020 | 09h05

Uma das principais acusadoras de Harvey Weinstein relatou nesta segunda-feira, 27, durante uma sessão do julgamento do ex-homem forte de Hollywood como foi agredida sexualmente em um quarto infantil no apartamento do produtor, em Nova York.

Mais de 80 mulheres, incluindo as atrizes Salma Hayek e Angelina Jolie, denunciaram Harvey Weinstein por assédio, agressão sexual ou estupro desde o surgimento do escândalo sobre seus supostos abusos em outubro de 2017, que deu origem ao movimento #MeToo.

No entanto, Harvey Weinstein responde judicialmente apenas por dois caos: por violentar a atriz Jessica Mann em 2013 e por agredir sexualmente a ex-assistente de produção Mimi Haleyi em 2006.

Nesta segunda-feira, Haleyi, de 42 anos, contou a sua versão do que ocorreu no apartamento de Weinstein no Soho, por onde passou para cumprimentar o produtor.

Descreveu um homem carinhoso que de repente mudou de comportamento sem qualquer sinal prévio. "Me abraçou e me acariciou", ela contou.

Quando estava dentro do apartamento dele, Haleyi disse que teve que "continuar andando porque ele me empurrava com seu corpo". Encurralada, ela chegou ao quarto infantil que havia no apartamento do produtor, que tinha desenhos de criança colados nas paredes.

"Durante esse tempo eu lhe disse que não queria nada disso", relatou. Segundo ela, o produtor então a empurrou sobre a cama.

"Cada vez que tentava me levantar, ele voltava a me empurrar", afirmou, em lágrimas. "Continuei dizendo-lhe que não fizesse isso. Disse que estava menstruada. Estou usando um absorvente", acrescentou.

Weinstein, na época um dos homens mais poderosos de Hollywood, retirou o seu absorvente e forçadamente fez sexo oral em Haleyi, contou a testemunha. "Tentei fugir, mas percebi que não adiantava nada" diante de um homem de mais de 130 kg, quase três vezes o seu peso. "Eu apenas desisti".

"Imaginei que ir a polícia não seria uma opção para mim", explicou a assistente do reality show Project Runway.

Ela tinha medo de Weinstein, a quem descreveu como um homem com poder e muitos contatos.

Em outro momento da sessão, o advogado de defesa, Damon Cheronis, mostrou ao júri uma mensagem enviada dois anos após o incidente testemunhado por Haleyi, na qual ela teria enviado uma mensagem amigável para o produtor.

A defesa busca atacar a credibilidade das acusadoras, e insiste que as duas tiveram relações amigáveis com Weinstein durante os vários anos após as supostas acusações.

O produtor argumenta que todas as suas relações foram consensuais. Se ele for considerado culpado pelos crimes dos quais é acusado, o ex-poderoso produtor de filmes enfrentará uma sentença máxima de prisão perpétua.

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Weinstein deu lista de nomes para detetive

O produtor queria investigar dezenas de mulheres para saber se elas contariam a jornais suas supostas agressões sexuais

AFP, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2020 | 06h00

O júri do julgamento de Harvey Weinstein soube na sexta, 24, que o produtor contratou um detetive particular para investigar dezenas de mulheres que suspeitava que pudessem contar para jornalistas suas supostas agressões sexuais. Dois meses antes do início do escândalo que deu origem ao movimento #MeToo em outubro de 2017, o ex-produtor de Hollywood enviou um e-mail com uma “lista negra” de pessoas que queria investigar a um detetive particular.

A lista inclui dezenas de nomes, alguns destacados em vermelho para indicar as pessoas que mais preocupavam o produtor, e quem contou isso ao tribunal foi o próprio investigador contratado, Sam Anson. Segundo o detetive, a lista tinha os nomes das atrizes Rose McGowan, que Weinstein afirma que estava tentando chantageá-lo, e a da série Família Soprano, Annabella Sciorra, que na quinta, 23, testemunhou sobre suposto estupro cometido por ele.

O ex-homem forte de Hollywood pode ser condenado a uma pena máxima de prisão perpétua se declarado culpado de violentar a atriz Jessica Mann em 2013 e de agredir sexualmente a ex-assistente de produção Mimi Haleyi, em 2006. Sam Anson falou à corte penal de Manhattan que recebeu o e-mail de Weinstein em 17 de agosto de 2017, mas não seguiu suas instruções.

Anson afirmou também que conversou por telefone com Weinstein na época. “Ele disse que estava preocupado que as reportagens sobre ele descrevessem seu comportamento sexual de modo negativo.”

O New York Times e a revista The New Yorker publicaram extensos artigos sobre alegações de agressão sexual contra Weinstein em outubro de 2017. Mais de 80 mulheres, incluindo as atrizes Salma Hayek e Angelina Jolie, denunciaram Weinstein por assédio, agressão sexual ou estupro desde o surgimento do escândalo sobre seus supostos abusos em outubro de 2017. Weinstein nega e diz que todos os seus relacionamentos foram consensuais.

Na sexta, a psiquiatra Barbara Liv foi chamada como testemunha pela promotoria para dissipar vários “mitos” sobre estupro e revelou ao júri que as vítimas de agressão sexual às vezes ficam em contato com o agressor por anos após o incidente.

Weinstein, que vestia um terno escuro, fez anotações enquanto ouvia o depoimento de Liv. Ela disse aos jurados que a maioria das agressões sexuais é cometida por alguém que as vítimas conhecem, e não por um desconhecido, como se acredita normalmente.

A psiquiatra, que foi chamada como testemunha em mais de 200 julgamentos de agressão sexual, incluindo do comediante Bill Cosby, afirmou que é errado acreditar que as vítimas sempre resistem aos agressores. Outra ideia equivocada, informou, é a de que as vítimas geralmente denunciam o ataque a amigos ou à polícia.

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Harvey Weinstein recebe duas novas acusações formais por violência sexual

Promotoria de Los Angeles vai investigar ex-produtor com base em relatos de duas mulheres

Redação, AP

06 de janeiro de 2020 | 17h20

LOS ANGELES — Harvey Weinstein foi indiciado em novas acusações de crime sexual em Los Angeles, no mesmo dia que seu julgamento de outros casos começou em Nova York. O ex-executivo de Hollywood foi acusado de estuprar uma mulher e atacar sexualmente outra, em dois incidentes separados em 2013.

"Acreditamos que as evidências vão mostrar que o réu usou seu poder e influência para ter acesso às vítimas e então cometer crimes violentos contra elas", disse em um comunicado o promotor de Los Angeles Jackie Lacey. "Quero reconhecer as vítimas que se manifestaram e bravamente recontaram suas experiências. É minha esperança que todas as vítimas de violência sexual encontrem força e cura no futuro."

Weinstein supostamente estuprou uma mulher em um hotel no dia 18 de fevereiro de 2013, depois que entrou à força no quarto. Na noite seguinte, ele teria abusado sexualmente de outra mulher, esperada como testemunha no julgamento de Weinstein em Nova York.

A promotoria de Los Angeles vai investigar alegações de crimes sexuais contra Weinstein de três mulheres, disse Lacey. 

O ex-produtor encara até 28 anos de prisão se for condenado nas ações de Los Angeles.

A promotoria de Manhattan não quis comentar as novas acusações.

"Há uma situação em LA acontecendo", disse sua advogada, Donna Rotunno, à imprensa nesta segunda-feira, 6.

A seleção do júri vai começar na terça-feira, 7, mais de dois anos depois das primeiras alegações contra o produtor e que catalisaram o movimento #MeToo.

Weinstein se manifestou como inocente e diz que todas as relações sexuais foram consensuais. Ele pode ser condenado à prisão perpétua se algumas das acusações mais graves foram aceitas pelo júri.

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Acusado de abuso, Weinstein diz que foi consumido por 'busca pelo sucesso'

Produtor, que deve começar a ser julgado nesta segunda, 6, falou à CNN sobre o caso; se for considerado culpado, Weinstein pode ser condenado à prisão perpétua

Redação, EFE

06 de janeiro de 2020 | 07h00

O produtor de cinema Harvey Weinstein, que começará a ser julgado por abuso sexual nesta segunda-feira, 6, afirmou que os últimos dois anos de sua vida foram "extenuantes", reconheceu que estava "consumido" pela "busca por sucesso" e desejou reconstruir sua carreira se for inocentado.

A emissora CNN publicou neste sábado, 4, respostas de Weinstein a uma série de perguntas enviadas por e-mail, um dia depois de investigar a principal advogada do produtor, Donna Rotunno, às vésperas de um julgamento que gera grande expectativa nos Estados Unidos.

"Os últimos dois anos têm sido extenuantes e me deram uma grande oportunidade para a autorreflexão. Fui consumido pelo meu trabalho, minha empresa, por minha busca por sucesso", respondeu o produtor.

"Isso me fez descuidar da minha família, minhas relações e atacar as pessoas ao meu redor. Estou na reabilitação desde outubro de 2017, estive envolvido em um programa de 12 passos e meditação. Aprendi a me desprender da minha necessidade de controle", completou.

Perguntado se sentia empatia pelas mulheres que o acusaram de abuso sexual, Weinstein preferiu não comentar por orientação de seus advogados, mas criticou a imprensa por "fazer suposições" que "confundiram o público".

A CNN também questionou Weinstein sobre planos futuros caso seja inocentado no julgamento. Apesar de o estúdio The Weinstein Company, do qual ele era sócio de um de seus irmãos, Robert, ter declarado falência, o produtor disse ter esperanças de reconstruir a carreira no cinema.

"Se puder voltar a fazer algo bom e construir lugares que ajudem os demais a se recuperar e reconfortar, pretendo fazê-lo", afirmou o produtor, um dos mais poderosos de Hollywood até as denúncias.

Depois de se entregar às autoridades em maio de 2018 e ser libertado da prisão após pagar uma fiança milionária, Weinstein explicou que passa a maior parte de seu tempo lendo e conversando com os advogados para tentar provar sua inocência e limpar seu nome.

Na entrevista concedida à CNN, a advogada de Weinstein afirmou que o cliente seria o "primeiro a dizer que fez coisas ruins", mas negou que ele seja um criminoso.

"Ele enganou a esposa, não foi honesto, teve relações com várias mulheres em diferentes momentos e diria que essas foram decisões ruins. (...) Perdeu tudo por essas decisões ruins. Ninguém tenta dizer que ele é um santo e que nunca fez nada de errado. Mas não acredito que Harvey seja um estuprador", disse a advogada.

Caso seja considerado culpado, Weinstein pode ser condenado à prisão perpétua

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