Harvey Keitel encarna Elvis Presley

Harvey Keitel ficou conhecido pelas escolhas audaciosas que resultaram em performances arrebatadoras, como em O Piano, Vício Frenético e Fogo Sagrado ? para citar apenas três filmes. Só que em Um Estranho Chamado Elvis, a partir de hoje em cartaz na cidade, o ator camaleão exagera na medida, tentando se passar pelo mito Elvis Presley.Sem qualquer semelhança com o ídolo do rock, ou mesmo habilidade para copiar seus trejeitos no palco, o ator não convence com sua imitação.Ainda que o filme não tenha a pretensão de retratar a vida de Elvis, essa qualidade ajudaria a produção a ganhar um pouco de credibilidade junto ao espectador.Elvis, seu personagem, é um sujeito que tenta convencer todos que cruzam o seu caminho de que ele é o Rei. Uma dessas vítimas é o jovem viúvo Byron (Jonathon Schaech, de The Wonders - O Sonho Não Acabou, que dá carona ao protagonista até Graceland, a lendária mansão de Elvis.Enigma insolúvelNo caminho, a dupla encontra vários outros imitadores de celebridades musicais ? incluindo Ashley (Bridget Fonda), uma cópia pouco convincente da estonteante Marilyn Monroe. A convivência ainda resulta em uma previsível troca de papéis. Ao longo da trama, o filme deixa transparecer que, na verdade, é o imitador quem está levando o viúvo para casa ? Memphis, cidade que Byron não visita desde a morte da mulher.O roteiro peca por sugerir, mas não ir fundo na questão da troca de identidade. O motivo que leva o protagonista a se passar pelo ídolo permanece um enigma mesmo após as quase duas horas de projeção, notadamente arrastadas.Um Estranho Chamado Elvis é um daqueles filmes para o qual o espectador não encontra uma boa justificativa. Na falta de um propósito cinematográfico, o título dirigido pelo estreante David Winkler soa como uma tentativa de promover um revival Elvis. Até porque Priscilla Presley, viúva do mito, assina a produção executiva.

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