"Harry Potter" promete novas façanhas nas telas

Em duas semanas, entra em cartaz o filme que deve virar o novo recordista de faturamento na história de Hollywood. É assim que a terra docinema tem lidado com a produção de estréia da franquia Harry Potter, que tem tudo para ultrapassar a bilheteria mundial deUS$ 1,8 bilhão de Titanic (1997). O truque não é fácil, mas o pequeno mágico britânico é o único que tem o poder de fazê-lo.Os quatro livros que foram lançados até agora pela autora J.K.Rowling já foram traduzidos para 47 línguas e tiveram mais de116 milhões de cópias vendidas desde 1997.Com o filme Harry Potter e a Pedra Filosofal, os números também já são impressionantes. A fita, que tem sua pré-estréiamundial neste domingo em Londres, vai estrear no dia 16 na Grã-Bretanha e nos Estados Unidos. Uma semana depois é a vez do Brasil. O lançamento é quase simultâneo em nada menos do que 130países, com versões em 40 línguas diferentes. Uma curiosidade: na Inglaterra, o filme tem o título de Harry Potter and the Philosopher´s Stone (nome do livro original), enquanto naAmérica a fita vai ser chamada de Harry Potter and the Sorcerer´s Stone. Exatemente a mesma coisa, mas em "americanês".Nos Estados Unidos, o filme deve estrear em até 4 mil cinemas. O recorde atual é de Missão Impossível 2, que chegou aomesmo tempo às telas de 3.653 salas de cinema em maio de 2000. Previsões preliminares de especialistas da indústria do cinemaapontam para um arrecadação de US$ 250 milhões apenas no mercadoamericano. No mercado internacional, o faturamento deve ser ainda maior, já que os livros infantis são best-sellersmundiais.O estúdio Warner Bros., que bancou US$ 125 milhões para rodar ofilme (a maior parte em efeitos especiais), pode chegar afaturar até US$ 1 bilhão em arrecadação de bilheterias, vendasde VHS e DVDs, direitos de transmissão pela TV Sem falar emmerchandising em geral (centenas de produtos, lançados por 90empresas), videogames, CDs, atrações de parques temáticos Eestes são apenas os valores do primeiro filme. Experts ponderamque estas previsões podem até ser modestas. O fenômeno popHarry Potter tem potencial para ganhar muito dinheiro. Bastao filme ser bom, por exemplo.O filme foi mostrado recentemente para audiências de teste dosdois lados do Atlântico e teria feito muito sucesso, segundo aWarner Bros. Tanto que o estúdio e o diretor resolveram manter aduração original da fita, de 2 horas e 33 minutos (para um filmeinfantil, talvez seja longo demais). "Quem leu o livro ficoudeslumbrado com a fita; quem não leu ficou com vontade de ircomprá-lo logo", disse o diretor. O filme deve mesmo fazer comque a série de livros ganhe novos fãs. Espera-se que milhões decópias sejam vendidas nas semanas seguintes ao lançamento dafita. A expectativa em torno da nova onda do fenômeno HarryPotter é tão grande que muita gente acha que apenas sua mágicapode salvar este Natal do comércio de uma provável criseeconômica generalizada. Harry Potter e a Pedra Filosofal é estrelado pelo novatoDaniel Radcliffe. No elenco, também estão os atores mirinsRupert Grint e Emma Watson, além dos veteranos Maggie Smith,Robbie Coltrane, Richard Harris, John Cleese, Julie Walters eAlan Rickman, entre outros. Harry Potter e a Câmara Secretacomeça a ser rodado à toque de caixa em 18 de novembro (e temprevisão de estréia para novembro de 2002). O diretor ChrisColumbus quer que os atores mirins da franquia crescem ao mesmotempo que seus personagens.Os planos não páram por aí. A Warner Bros comprou (pela pechincha de US$ 2,5 milhões) os direitos para o cinema dos quatro livros iniciais da série e tema preferência para pegar os próximos três que a autora pretendeescrever. O roteirista Steve Kloves começou a fazer o roteiro doterceiro, Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, que deveser lançado entre novembro de 2003 e o primeiro trimestre de2004.Harry Potter e a Pedra Filosofal é também o grande projetoinicial da era dos megaconglomerados de mídia (nova e velha). Oestúdio Warner Bros. faz parte do grupo Time Warner, que foicomprado recentemente pela AOL. Várias unidades do conglomeradovão tentar tirar proveito do produto. Do portal de Internet (comseus 31 milhões de usuários no mundo) às revistas Time,Fortune, People e Entertainment Weekly (entre muitasoutras), sem esquecer os canais de TV a cabo CNN, HBO e o grupoTurner Broadcasting System (que inclui, por exemplo, a TNT e aCartoon Network).

Agencia Estado,

31 de outubro de 2001 | 13h03

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