"Harry Potter" chega às lojas em vídeo e DVD

É um DVD duplo, com mais de seishoras de programação. Além de trailer original e datradicional seleção de cenas e escolha de idiomas, vocêencontra uma parafernália de extras. Há todo tipo de brincadeirapara quem quiser navegar no lançamento da Warner Home Vídeo quejá está nas locadoras e lojas especializadas. O lançamento deHarry Potter e a Pedra Filosofal é simultâneo, em DVD evídeo. No primeiro, você poderá navegar por Hogwarts, pelo BecoDiagonal, misturar poções, participar da disputa pelo pomo deouro. E mais: encontrará informações especiais para CD-ROM, detal maneira que poderá colecionar os cards dos bruxos, fazerdownloads de extras específicos (do tipo papel de parede elembrol), receber mensagens da coruja e até ser indicado pelochapéu seletor. Qual é a surpresa? Ao contrário de O Senhor dos Anéis -A Sociedade do Anel, que Peter Jackson adaptou da saga eruditade J.R.R. Tolkien e que propõe uma rara experiência humana eestética, provando que o cinema-espetáculo pode ser grande arte,Harry Potter é só um objeto de consumo, uma máquina de fazerdinheiro. J.K. Rowling não é certamente uma autora da estaturade J.J.R. Tolkien, mas seria absurdo negar o que é evidente: suasérie de livros com o bruxinho virou um fenômeno mundial. Umfenômeno primeiro editorial e depois cinematográfico. O livrovendeu feito água. Quase 100 milhões de exemplares, 850 milsomente no Brasil, o que transforma a autora numa das maisbem-sucedidas de todos os tempos. A Internet e o cinemamultiplicaram os números do sucesso. O site oficial de HarryPotter recebe mais de 1 milhão de visitantes diários e o filmeteve a melhor bilheteria de abertura da história de Hollywood. Isso significa que, no primeiro fim de semana, bateu orecorde de Titanic, embora, no cômputo geral ainda esteja atrásdo épico romântico de James Cameron, instalado no segundo lugarentre as maiores bilheterias da história do cinema. Esse recorde na verdade, talvez dure pouco, porque Homem-Aranha, aoestrear nos cinemas norte-americanos, faturou ainda mais do queHarry Potter no fim de semana da estréia. O que isso tem aver com cinema? A rigor, nada. São números indicativos deconsumo, não de qualidade. Neste mundo globalizado, a únicaliberdade de que as pessoas dispõem é a de escolher. Mas não éuma liberdade assim para valer. A máquina da propaganda (e dosestúdios) cria falsas necessidades. Você tem de ver Titanic,Harry Potter e O Homem-Aranha, mesmo que esses filmeslhe acrescentem pouca coisa e um ou outro até não acrescentenada. A exceção é O Homem-Aranha, uma fantasia legal. Sam Raimi conseguiu. Até quando se afasta do personagemcriado por Stan Lee satisfaz o autor e seus fãs. O filme tropeçaem certos pecadilhos, claro. Assim como a imagem do World TradeCenter teve de ser apagada, todo aquele final com a bandeiranorte-americana foi claramente produzido depois do 11 desetembro e enxertado na versão que está chegando aos cinemas.Não chega a comprometer. O Homem-Aranha é claramente um herói deNova York. Teria de ficar triste por sua cidade. E quanto abandeiras tremulando, qual é o herói de comics que não épatriota? O Homem-Aranha talvez até seja menos. Possui certaambivalência que o diretor Raimi respeita e até amplia. Mas,enfim, o assunto não é a fantasia de Raimi e sim a de ChrisColumbus, que assina Harry Potter e a Pedra Filosofal. Chris Columbus? Ele possui experiência no ramo do cinemainfantil. Arrebentou nas bilheterias com a violência cartunescade Esqueceram de Mim (1 e 2), no qual transformou oraquítico Macaulay Culkin numa espécie de Rambinho capaz depraticar as maiores atrocidades com aquele olharzinho inocentede quem não tem culpa de nada. Columbus assumiu o projeto deHarry Potter depois que Steven Spielberg caiu fora. Vocêpode até achar que Spielberg estava louco. Poderia teracrescentado R$ 1 bi à sua conta bancária, mas preferiu ir fazerA.I. - Inteligência Artificial, que não foi nada bem nabilheteria. Na verdade, Spielberg já tem tanto dinheiro que nãoquis, nem com a proposta de duplicar a fortuna, ter J.K. Rowlingna sua cola. Como mãe zelosa, ela sempre teve a última palavrana confecção de Harry Potter e a Pedra Filosofal, o filme. Harry é um menino de 11 anos que se inicia na prática dafeitiçaria. Descobre que sua vocação é enfrentar o pior de todosos bruxos e, para isso, vai aprimorar seus dons numa escolamuito especial, no mundo paralelo, onde vivem os feiticeiros. Ogaroto que interpreta o papel, David Radcliff, é um achado e amelhor coisa do filme. Que se ressente de um problema muitosério: sendo um filme sobre mágicos (e magia), Harry Pottersoterra sua fantasia sob toneladas de efeitos especiais, que nemsão tão bons. Tanto isso é verdade que, na última distribuiçãode prêmios da Academia de Hollywood, Harry Potter concorriaa vários Oscars técnicos. Perdeu sempre para O Senhor dos Anéise nem obteve, apesar de todo o seu megassucesso, a distinção deser indicado para o prêmio na categoria principal, de melhorfilme. Ou seja: até Hollywood sabe que Harry Potter pode serótimo como máquina de fazer dinheiro, mas como filme capaz dealimentar a fantasia de adultos e crianças, com certeza, não é. Serviço - Harry Potter e a Pedra Filosofal. EUA,2001. Direção de Chris Columbus. Lançamento em vídeo e DVD daWarner. Já nas lojas. O segundo é duplo e custa R$ 44,90.

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