Harrison Ford vai às linhas inimigas. E com sotaque

Aos 60 anos, Harrison Ford desfruta deuma posição mais do que privilegiada em Hollywood: trabalhaquando quer, sempre ganhando salários invejáveis, e tem controlesobre vários aspectos dos filmes em que aparece. "Posso aprovaro elenco, o roteiro e a equipe, o que é típico de alguém naminha posição", diz ele. Em seu tempo livre, dedica-se a causasecológicas e sociais, aproveita a vida em um rancho no estado deWyoming, pilota o próprio avião e, nos últimos tempos, ajuda acuidar do filho da namorada, Calista Flockhart, de 34 anos. Aseparação do ator de sua mulher Melissa Mathison, com quem foicasado durante 22 anos, e o relacionamento com a atriz de AllyMcBeal viraram o assunto preferido dos tablóides americanosnos últimos tempos.O herói de Guerra nas Estrelas teve poucos desapontamentosno cinema e foi indicado ao Oscar por A Testemunha e aoGlobo de Ouro por O Fugitivo, Sabrina e A Costa doMosquito. Nos últimos anos, apareceu em Encontro Acidental, Força Aérea Um e Jogos Patrióticos e, depois de anos deinsistência de Steven Spielberg, concordou em trabalhar noquarto filme da série Indiana Jones. "Minha participaçãosempre esteve condicionada ao roteiro", diz ele. "Agora queencontramos uma história que agrada a todos, o projeto vai sairdo papel."Em K-19: The Widowmaker, que estréia amanhã, ele faz o papel do frio capitãoAlexei Vostrikov, que levava a tripulação do submarino nuclear aníveis impensáveis de tensão apenas para testar a resistência deseus homens. Leia a seguir os principais trechos da entrevistaconcedida por Ford em Nova York à Planet Pop, poucos dias antesda estréia do filme nos Estados Unidos.Quais são suas lembranças sobre a época do incidente políticoentre os Estados Unidos e a União Soviética em 1961?Harrison Ford - Eu fazia faculdade em Chicago durante o auge da Guerra Fria e lembro que havia mísseis a postos na cidade e metralhadorascontra aviões instaladas em parques. Como todo mundo, eu tinhamedo de um ataque nuclear, mas tinha certeza de que não iriaacontecer apesar da sede dos russos em dominar o mundo, eu tinhamedo de um acidente. Nunca aceitei que o outro lado era mau sópor estar no outro lado, entendia a motivação política eeconômica dos Estados Unidos, mas sempre fui contra a guerra.Nunca entrei na onda de desumanizar o inimigo.Como foi encontrar com os sobreviventes da história real?Eles estão com cerca de 70 anos e se emocionam muito em falarsobre a perda dos companheiros e o que significou o episódio navida deles. É interessante também ver que, como umsubmarino tem compartimentos separados, há diversas versões da mesma história. Eles concordaram em fornecerinformações, mas estavam desconfiados de nossas intenções - commedo de que contaríamos a história sob o ponto de vistaamericano e que faríamos os russos aparecerem como vilões.Como surgiu a idéia de fazer os personagens falarem inglês comsotaque russo?Parecia óbvio que deveríamos ter um sotaque russo já que ospersonagens são de lá. Meu principal colega de elenco, LiamNeeson, é irlandês e eu cresci achando que os russos tinhamsotaque britânico, porque todos os filmes que vi quando eracriança vinham da Inglaterra - era ridículo. Achei que ajudariaprincipalmente o público americano a entender.Seu envolvimento com este filme fez com que mudasse sua opiniãoem relação ao uso de energia nuclear?Sempre tive uma opinião bem definida sobre o uso de forçanuclear e trabalhar em um filme como este foi como abrir umacaixa de pandora - e é difícil colocar a tampa de volta. Com aenergia nuclear, não há benefício sem um alto preço a ser pago.E o problema com armas nucleares é mantê-las longe de pessoasque você não quer. É um pesadelo do mundo moderno.Como está sendo para você virar alvo dos tablóides novamente,por causa do romance com Calista Flockhart?Eu respondo a isso apenas fechando minha boca. Não tenhointeresse em revelar detalhes sobre minha vida pessoal. O que aspessoas falam, em geral, não é verdade. Não fico ferido com oque dizem por aí, mas não gosto do lixo e das mentiras que sãopublicadas. Não há responsabilidade deste tipo de jornalismo,não há confirmação de fatos, é loucura. A internet só veiopiorar isso, porque você não tem mais que colocar sua reputaçãoem jogo para publicar alguma coisa, não importa se a notícia éverdadeira ou falsa - o importante é alimentar o monstro.Quais são seus próximos projetos?Estou ajudando um amigo a escrever o roteiro de um filme que porenquanto está sendo chamado de The Untitled Cop Project,co-estrelado por Josh Hartnett. Em janeiro, vou trabalhar com umdiretor jovem chamado Joe Carnahan, que fez um dos melhoresfilmes que vi na minha vida, Narc. E espero começar a rodarIndiana Jones em 2004.

Agencia Estado,

29 de agosto de 2002 | 15h51

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