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Harrison Ford pode ser visto hoje em Firewall

Não fosse pelas locadoras, a geração que passou a freqüentar as salas de cinemas no início deste século jamais conheceria o policial do futuro niilista de Blade Runner, o herói aventureiro de Indiana Jones e outros tipos memoráveis que Harrison Ford fez nas telas e ajudou a arrecadar fortunas, como o rebelde Hans Solo da série Guerra nas Estrelas, de George Lucas.Parece que a virada do século só fez mal para a desenvoltura artística de Ford. Todos os seus últimos trabalhos não escapam da fórmula de bom moço, pai zeloso, marido exemplar - mesmo que tenha que matar por amor (Infidelidade)-, e vez ou outra, presidente dos Estados Unidos, reunindo todas estas qualidades em um só homem.Hoje, nas telonas, lá vem ele na pele de mais um desses homens de família de classe alta, daqueles tipos conservadores de bairros milionários de Nova York. Em Firewall - Segurança em Risco, ele é Jack Stanfield, executivo que criou um avançado sistema de segurança computacional antifraude.Mas nem a mais alta tecnologia consegue imunizá-lo de um sujeito como Bill Cox (Paul Bettany), que estudou durante meses a rotina de Jack e sua família - claro, ele tem uma bela mulher e filhos exemplares - para poder seqüestrá-los e, assim, levar uma fortuna da empresa onde ele trabalha. Como é Jack o homem que conhece todo o esquema de segurança, não seria difícil para ele entrar nas contas da empresa e roubar uma grana sem ser imediatamente notado.O filme começa bem, em um ritmo lento, com uma grande dose de tensão, em parte por não deixar claro o porquê da presença do personagem de Bettany. Após o seqüestro da família dentro da própria casa e do passeio pela empresa com o seqüestrador na sua cola, Firewall ainda promete, mas na reta final, o longa derruba as expectativas, com Ford incorporando um heroísmo de cartilha, como fez em Air Force One. Mas isso não invalida a diversão da legião de fãs do galã que leva seus filmes a faturamentos altíssimos (nos EUA, Firewall já arrecadou US$ 42 milhões).O filme é todo Harrison Ford. Paul Bettany até que tenta, mas seu criminoso vai se revelando aguado demais ao longo da história. Até Virginia Madsen (Sideways) fica de escanteio no roteiro, decorando a tela apenas como a bela mulher que protege os filhos debaixo das asas enquanto contém as lágrimas. Talvez a figura mais forte do filme depois de Ford seja sua secretária Janet Stone (Mary Lynn Rajskub), que o ajuda a escapar do seqüestro. Mary empresa ao personagem sua figura pateta, meio perdedora, de trabalhos como Legalmente Loira 2 e Veronica´s Closet.Harrison Ford, 63 anos, é famoso por dispensar dublês nas cenas de ação. Desta vez, porém, encarou quase tudo - queda na escada, pulo da janela - mas recrutou seu dublê nas partes mais difíceis. Afinal, ele pode ser bom pai, bom marido e bom homem. Mas não dá para ser jovem e atlético para sempre.

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