Hanson volta ao Brasil

Nos últimos tempos, Curtis Hanson tem vindo com freqüência ao Brasil. Veio mostrar o thriller Los Angeles, Cidade Proibida, que lhe valeu o Oscar de roteiro adaptado, depois veio participar de uma oficina de roteiros promovida pelo Sundance Institute e há uns quatro meses voltou para a pré-estréia de Eu Tu Eles, de Andrucha Waddington, de cujo roteiro, escrito por Elena Soárez, ele foi justamente o adviser (consultor), no tal laboratório. Hanson descobriu o talento dos escritores e diretores brasileiros, descobriu a caipirinha. E foi com caipirinha que ele regou a feijoada de confraternização do Festival do Rio BR 2000, realizada no sábado no Caesar Park, em Ipanema. Fernanda Fernandes/AE"Filmes são janelas que nos ajudam a entender as pessoas e a época em que foram feitos"Hanson está de volta ao País para mostrar Garotos Incríveis. O filme com Michael Douglas e Tobey Maguire está sendo exibido no festival carioca. O diretor teve problemas inesperados nesta vinda ao Brasil. Voou de Madri para o Rio, chegou sem visto. Teve de ir a Buenos Aires para conseguir um visto de entrada no País. Superado o incidente, aproveita a estada no Rio para fazer contatos, ver filmes. Foi ver Bufo & Spallanzani, que Flávio R. Tambellini adaptou do livro de Rubem Fonseca, no sábado à noite. Foi dos que aplaudiram, no final. Seu filme teve sessão oficial hoje à noite. Quem o conhece, sabe que Hanson é do "bem", um amigo do cinema brasileiro. Não tenta impingir conceitos hollywoodianos a quem faz cinema no Brasil. Ele próprio tenta fugir dos esterereótipos que o estilo americano de filmar consagrou.Mas já os seguiu. Quando fez A Mão Que Balança o Berço ou O Rio Selvagem, não era mais que um técnico habilidoso seguindo fórmulas. O sucesso desses filmes deu-lhe cacife para tentar uma experiência mais pessoal. E fez Los Angeles, Cidade Proibida, que marcou o surgimento de um autor. Supervisionou, mas não escreveu o roteiro de Garotos Incríveis, que Steve Kloves, o diretor e roteirista de Os Baker Boys, adaptou de um livro de Michael Chabon. O primeiro tratamento desse roteiro lhe foi enviado pelo agente de Michael Douglas, com a informação adicional de que o astro estava interessado em fazer o papel principal.É a história de um escritor em crise. Escreveu um livro que foi considerado grande, depois enfileirou uma série de outros que não fizeram sucesso de público nem de crítica. Agora, o editor lhe cobra um novo romance e ele sabe que precisa acertar. O filme trata de sua relação com um jovem talentoso. E há mais personagens. A amante que está grávida, o editor. Hanson foi atraído pelo material por causa da natureza dos personagens, mas também por causa do humor. "Não é uma comédia rasgada, mas não consegui parar de rir", conta.Acha que conseguiu fazer um retrato honesto de um certo meio intelectual americano. Sente-se próximo do personagem de Douglas, esse homem que sente o tempo passar e precisa dar uma virada em sua vida. Hanson sabe o que é isso. Embora o projeto lhe tenha chegado por meio de Douglas, o astro precisou convencê-lo de que poderia fazer o papel. "Disse-lhe que ele não seria tratado como astro, que teria de ser filmado, vestido e iluminado em condições desfavoráveis; ele topou". No Rio, participou também do debate sobre preservação de filmes. Como diretor do arquivo de cinema e TV da UCLA, a Universidade da Califórnia, como artista, cinéfilo ou, simplesmente, espectador, quer que cada vez mais os filmes sejam conservados. "São janelas que nos ajudam a entender não só as pessoas, mas a época em que foram feitos", resume.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.