"Hannibal", o primeiro arrasa-quarteirão de 2001

Começa no final do mês a campanha maciça de promoção de Hannibal, a seqüência para O Silêncio dos Inocentes. O filme, que estréia nos Estados Unidos em 9 de fevereiro, é um dos mais aguardados deste ano nas telas. Fãs do canibal Hannibal Lecter esperaram dez anos por sua volta e devem fazer fila na porta de 5 mil salas de cinema na América do Norte.O estúdio MGM aposta tudo em Hannibal, até porque não tem um hit desde 007 O Mundo Não É Suficiente (de novembro de 1999). O estúdio teria planos de gastar US$ 30 milhões na promoção do filme, que inclui uma campanha de marketing especial para a imprensa. Jornalistas americanos já receberam gravadores em que o canibal anuncia sua volta e livros de culinária (The Joy of Cooking) com os cumprimentos do serial killer. Outra susto do canibal estaria a caminho da mídia.A campanha para o público ganha impulso no dia 28, quando vai ser exibido pela primeira vez na TV o comercial de promoção do filme. O anúncio vai ser veiculado no intervalo do Super Bowl, o tradicional jogo de futebol americano que é anualmente o programa de TV mais assistido nos Estados Unidos. Por 30 segundos, o estúdio pagou a fortuna de US$ 2,3 milhões. A idéia é que o filme fature pelo menos US$ 30 milhões em seu fim de semana de estréia e seja o primeiro blockbuster de 2001. A vantagem é que a fita chega às telas em um fim de semana sem nenhum concorrente importante. O custo do projeto, de acordo com rumores que circulam em Hollywood, foi de US$ 100 milhões. O original custou US$ 22 milhões, faturou US$ 130 milhões no mercado americano e ainda garantiu Oscars de melhor filme, roteiro adaptado (Ted Tally), diretor (Jonathan Demme), atriz (Jodie Foster) e ator (Anthony Hopkins). Destes, apenas Hopkins está de volta, no papel do vilão. Julianne Moore ficou com o papel de Clarice Starling, a agente do Federal Bureau of Investigation (FBI) que vai atrás do assassino e tem um envolvimento pessoal com ele. A direção, desta vez, é de Ridley Scott. A equipe original não voltou porque achou muito violento o livro de Thomas Harris que deu origem à história. O roteirista do novo filme, Steve Zaillian, teria cuidado do problema, com a criação de um final completamente diferente do que está no livro. Secretíssimo, por sinal.O novo filme tem o canibal como personagem principal. Ele trabalha como restaurador de arte e leva uma vida relativamente pacata em Florença, na Itália. O problema é que uma vítima (Gary Oldman) do serial killer está à procura de vingança e usa a agente do FBI como isca para atraí-lo. Lecter vai atrás de Starling nos Estados Unidos, onde boa parte da trama do filme é passada.Se o filme fizer mesmo o sucesso esperado, os fãs do canibal podem não precisar esperar dez anos por outro capítulo da série. O produtor Dino De Laurentiis tem os direitos do primeiro livro do autor sobre o personagem, Dragão Vermelho (1981), e pretende fazer uma "prequel", ou seja, um filme em que a história vai ser passada antes do filme original. Tally já estaria com as mãos no roteiro do terceiro filme e Hopkins já mostrou interesse em interpretar o personagem novamente. De acordo com o jornal inglês Sunday Times, Hopkins teria recebido uma proposta salarial de US$ 20 milhões para fazer o filme. Como a história é passada muito tempo anos antes do filme atual, De Laurentiis pretende usar uma nova tecnologia da informática chamada Erasure. Com ela, vai ser possível fazer com que Hopkins pareça mais novo, eliminando digitalmente um pouco de seu peso, mudando sua fisionomia e colocando mais cabelos em sua cabeça, por exemplo. Dragão Vermelho é sobre o crime que Lecter cometeu e a maneira como ele foi preso, fatos que não ficam claros em O Silêncio dos Inocentes. Em 1986, o produtor fez uma versão do filme, chamada Manhunter, dirigida por Michael Mann (de O Informante) e estrelada pelo ator inglês Brian Cox (como Lecter). Na história, o canibal ajuda o agente do FBI Will Graham (William Petersen) a encontrar outro serial killer. O filme foi um fracasso absoluto no mercado americano, com faturamento de apenas US$ 8,6 milhões.

Agencia Estado,

16 de janeiro de 2001 | 12h51

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