Gwyneth Paltrow solta a voz no road movie "Duets"

Gwyneth Paltrow não é nenhuma Kim Carnes, mas não desafina cantando Bette Davis Eyes. Essa recém-descoberta qualidade da atriz é explorada em Duets - Vem Cantar Comigo, a partir desta sexta-feira nos cinemas. Quem dá a chance para Gwyneth soltar a voz é o seu pai, Bruce Paltrow, que se encarrega da direção. Se bem que a carreira dele, roteirista e produtor de séries televisivas como St. Elsewhere e The White Shadow, precise muito mais de um empurrãozinho do que a dela.Os dotes vocais da atriz, vencedora do Oscar pelo papel de heroína romântica em Shakespeare Apaixonado, garantem o entretenimento nessa comédia sobre os habitués de karaokês. Como a narrativa é pontuada por números musicais, Gwyneth ainda faz um dueto com o cantor Huey Lewis em Cruising, eternizada na voz de Smokey Robinson. De tão elogiada, a gravação chegou às lojas no exterior em single - chegando a ocupar a segunda posição entre os discos mais vendidos na Austrália.A sempre lacrimosa Gwyneth interpreta uma garota do interior que só conhece o pai no enterro da mãe. Liv, sua personagem, passa a perseguir o pai, um espertalhão que foge das responsabilidades e ganha a vida cantando em karaokês. Como o sujeito é um profissional (não é à toa que o personagem é vivido por Huey Lewis), ele anda de bar em bar tentando se passar por cantor de primeira viagem. Só assim pode concorrer aos prêmios.Concebido como um road movie, Duets conta a história de seis personagens, apresentando-os (como o título sugere) em duplas. E duplas pouco prováveis. A história da filha que corre atrás do pai se desenrola paralelamente a duas outras tramas. Todas elas são ambientadas parcialmente em karaokês, usados na história como metáfora para a descoberta da liberdade e a realização dos sonhos.Um dos duetos é formado por um vendedor (Paul Giamatti, em ótima atuação) em crise de rebeldia e por um fugitivo (Andre Braugher), para quem o primeiro dá carona. Na outra dupla figuram uma ambiciosa garçonete (Maria Bello), que costuma pagar as contas com favores sexuais, e um taxista tímido com vocação religiosa (Scott Speedman, da série Felicity).Por meio desses personagens, o espectador penetra no divertido e por vezes ridículo universo dos karaokês. Vale tudo para ganhar "os três minutos de fama". Pelo menos é isso o que pensa um dos personagens anônimos, um sujeito muito acima de seu peso que sobe ao palco vestindo camisa havaiana. Adivinhem que música ele escolheu para cantar? Uma dica: o refrão diz "Copa... Copacabana...".

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