Gushiken diz que crise na Cultura foi mal-entendido

Os ministros da Cultura, Gilberto Gil, e da Secretaria de Comunicação de Governo (Secom), Luiz Gushiken reuniram-se durante toda a tarde de hoje com um grupo de artistas, entre eles o cineasta Cacá Diegues, o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto e a atriz Marieta Severo, no Palácio Gustavo Capanema, no Rio de Janeiro, para tentar um entendimento. A reunião foi uma exigência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que interveio pessoalmente para conter a crise aberta entre o governo e a classe artística, sobre a concessão de incentivos fiscais federais a projetos culturais.Uma das seis determinações contidas num documento que Gushiken distribuiu na reunião é a de que o ministro vai sugerir às estatais a supressão em seus sites na internet dos textos sobre critérios para a concessão de patrocínios até que o novo modelo seja definido a partir do diálogo com o Ministério da Cultura e profissionais da área. Entre essas estatais está a Eletrobrás, a primeira a divulgar sua política cultural por esta via.O documento distribuído por Gushiken sugere também que os contratos já firmados sejam cumpridos para que a produção não seja interrompida e que as estatais atuem em conjunto para evitar que determinadas áreas sejam atendidas por uma única empresa (como o cinema que praticamente recebe patrocínio integral da BR Distribuidora) e que outras áreas tenham superposição de patrocínios. Gilberto Gil deixou a reunião antes do fim."Estou satisfeito, porque essa reunião reconduz o Ministério da Cultura à frente da política Cultural", disse Gil. "As coisas voltam a seu caminho. A conversa, o diálogo e a construção da política cultural será feita em conjunto pelo Ministério da Cultura, pela Secom, pelas estatais e pelos artistas", disse o ministro antes de seguir para o Aeroporto Internacional do Rio, onde embarcou para o Chile e Peru. Lá ele terá reuniões de trabalho para fechamento de acordos culturais.Gushiken afirmou que "a incumbência de formular política cultural não cabe à Secom (secretaria de comunicação) mas ao Ministério da Cultura". Ele disse que ocorreu um grande mal-entendido, e que na reunião esclareceu aos presentes como funciona o governo. "Tudo aquilo de supeição, de dirigismo cultural, acho que foi absolutamente eliminado", afirmou. Ele afirmou ter se comprometido a procurar os presidentes das estatais, para que discutam com o Ministério da Cultura os critérios de patrocínio e que viabilizem os projetos com contratos já firmados. A crise foi detonada por uma entrevista do cineasta Cacá Diegues - publicada pelo jornal O Globo, no sábado - na qual o governo era acusado de fazer "dirigismo cultural" ao mudar as regras para as estatais fornecerem patrocínio para projetos artísticos. O diretor de Deus é Brasileiro chegou a afirmar que a atitude do PT lembra a prática da extinta União Soviética, onde obras de categoria duvidosa recebiam patrocínio do Estado simplesmente porque estavam ideologicamente engajadas como determinava o regime.Alguns artistas acham que é apenas uma reedição da velha queda-de-braço entre cineastas paulistas e cineastas cariocas para ver quem é que influi mais na divisão das verbas das estatais. Outros vêem uma disputa de poder entre ministros - Gilberto Gil contra Luiz Gushiken. Mas o fato é que poucos cineastas e artistas conseguiram passar ao largo da discussão que se abriu no caso do chamado "dirigismo cultural".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.