Guillermo del Toro fala da origem de seu universo cheio de criaturas

Guillermo del Toro fala da origem de seu universo cheio de criaturas

Melhor diretor no Globo de Ouro 2018, ele diz que o mundo fantástico de seus filmes foi construído em seus primeiros 11 anos de vida

AFP

08 Janeiro 2018 | 06h00

O diretor mexicano Guillermo del Toro diz que o mundo fantástico de seus filmes foi construído em seus primeiros 11 anos de vida. As criaturas, os vampiros, os super-heróis, tudo vêm à mente de uma criança que amava perambular pelos esgotos da sua natal Guadalajara e derreter lesmas com sal, que tinha um lobisomem de pelúcia e que, aos 5 anos, pediu de Natal uma planta mandrágora para fazer magia negra.

E o destino permitiu que ele representasse tudo isso no cinema. “Tenho 52 anos, peso 110 quilos e fiz mais de 10 filmes”, disse ao receber o Leão de Ouro em Veneza por A Forma da Água – ele também ganhou o prêmio de melhor direção com o longa no Globo de Ouro, realizado na madrugada de domingo, 7, para segunda, 8.

Del Toro, que já completou 53 anos, disse em um encontro com jornalistas em Paris que este é “seu primeiro filme adulto”. O longa é otimista, com a história de amor entre a zeladora de um laboratório ultrassecreto do governo dos Estados Unidos e uma criatura anfíbia presa em um tanque de água. 

O Labirinto do Fauno e A Espinha do Diabo foram mais sombrios, explorando temas como a perda e a nostalgia. Embora algo permaneça intacto: a distinção entre as criaturas e os monstros. As primeiras são retratas “com empatia”, e as segundas respondem sempre a um ser humano, “que acaba sendo o verdadeiro monstro”, explicou o próprio cineasta em Paris.

Del Toro cresceu em uma família muito católica. Sua mãe era uma poetisa amadora que jogava tarô, e seu pai, um homem de negócios que ganhou na loteria e montou um império de concessionárias de automóveis. Nascido em 9 de outubro de 1964, cresceu em uma mansão junto a serpentes, um corvo e ratos brancos, com os quais às vezes dormia abraçado, segundo um perfil do diretor publicado pela revista The New Yorker.

“Tudo o que sou, no sentido da compulsão artística e das histórias que conto, vem dos meus primeiros 11 anos”, disse à revista Gatopardo. “Acredito que quem somos na essência se forma nesses primeiros anos, depois passamos a vida remendando o que se rompeu e construindo o que não.”

Sua avó foi uma de suas grandes influências. “Não sei o que diria Freud, mas foi importantíssima”, disse nessa entrevista. Não por acaso, a relação entre crianças e idosos é muito presente em sua obra. É vista, por exemplo, no filme Cronos (1993), que conta a história de um atípico vampiro idoso que não quer a vida eterna e de sua neta que o esconde em um baú. Este foi o único filme que ele dirigiu no México.

Sua primeira experiência em Hollywood foi Mutação (1997), na qual, segundo contou, viveu um inferno enfrentando as intromissões e pressões dos produtores.

Já consagrado, hoje faz cinema “com sua própria assinatura”, disse à AFP A.P. González, professor universitário e ex-membro do comitê latino no Sindicato de Diretores. “É um verdadeiro artista."

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