Selmy Yassuda|Estadão
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Guilherme Fontes fala sobre a estreia de 'Chatô, o Rei do Brasil'

Cineasta dispensa distribuidores e garante 40 cópias para Rio e São Paulo

Amilton Pinheiro, ESPECIAL PARA O ESTADO

28 Outubro 2015 | 04h00

A agenda e as salas exibidoras para o lançamento do filme Chatô, o Rei do Brasil já estão definidas, segundo revela, com exclusividade para o Estado, o diretor e ator Guilherme Fontes. Foi uma longa jornada de 20 anos – desde que comprou os direitos do livro homônimo de Fernando Morais, em 1995, passando pelos dois anos de captações, o início das filmagens, em 1999, as interrupções até a conclusão das últimas cenas, realizadas agora em 2015.

O filme será distribuído pelo ator, que declinou de duas distribuidoras, primeiramente nas duas principais capitais: São Paulo (25 cópias) e Rio (15), em 19 de novembro. Depois, virão Salvador, Belo Horizonte e Brasília, no dia 26 de novembro. Em 3 de dezembro, o filme deve estrear nas capitais do Sul e depois no restante do Nordeste e Norte.

Diferente do que aconteceu no passado, Guilherme Fontes revela-se hoje mais prudente em se tratando da expectativa em relação ao filme, agora nos cinemas. “O risco nas salas é tão grande quanto o risco da bolsa de valores. Estou na chuva e, por isso, tenho que me molhar”, brinca. “Não tem problema, já comprei meu guarda-chuva. Vou distribuir de uma maneira bem consciente para que possamos atingir nosso objetivo de bilheteria e de público. Poderíamos lançar agora em outras praças, além de Rio e São Paulo, mas, por prudência e por facilitação, escolhi essas duas cidades próximas a mim. Não quero dar um passo maior que as pernas.” Abaixo os principais trechos da entrevista.

Por que você decidiu distribuir o filme por conta própria? Não houve interesse por parte das empresas do setor?

Enfrentei as dificuldades que qualquer cineasta passa quando vai lançar seu filme, especialmente sendo um filme independente. As propostas que recebi foram legais, simpáticas. O que me deixou mais feliz foi o interesse deles por meu filme. Mas, tive de declinar desses convites por uma série de fatores, como questões financeiras e burocráticas. Achei que teria mais controle sobre o lançamento caso eu tomasse às rédeas da distribuição. Assumi e vou fazer parcerias pontuais em determinadas praças.

Não acha arriscado lançar o filme por conta própria?

Olha, o risco no cinema é tão grande quanto o risco da bolsa de valores. Estou na chuva e, estando nela, tenho que me molhar. Não tem problema, já comprei meu guarda-chuva (risos). Vou distribuir de uma maneira bem consciente para que possamos atingir nosso objetivo de bilheteria e de público. Poderíamos lançar em outras praças, além de São Paulo e Rio de Janeiro, mas por prudência e por facilitação, escolhi essas duas cidades próximas a mim. Não quero dar um passo maior que as pernas.

A parceria com a Globo Filmes ainda continua valendo?

Eu tinha um acordo com a Globo Filmes, que é antigo, do tempo em que a empresa estava começando. Mas espero restabelecer a parceira nas próximas semanas.

Qual é a opinião das pessoas que já assistiram ao longa? Você já tem alguma expectativa de bilheteria?

Apesar de ser um grupo conhecido, as cinquenta pessoas que viram o filme até agora foram unânimes: adoraram e ficaram entusiasmadas com o filme. Por conta dessas reações, estou otimista com o filme nos cinemas. Em cima dessa projeção, o meu filme fará sucesso se as pessoas ficarem emocionadas e se distraírem com ele, caso contrário, meu filme não fará sucesso de público.

Qual foi o grande aprendizado desses percalços todos?

Não vou negar que nunca imaginei que a trajetória desse filme fosse fácil. O que fiquei surpreso na época que comecei o projeto foi a rapidez e a facilidade com que levantei o dinheiro, o que terminou sendo meu maior “pecado”. Fico imaginando o que seria do meu filme se tivesse terminado ele em 1999. O que sei hoje é que os interesses são controlados por pessoas de caráter muito falho. Essas pessoas determinam o sucesso e o fracasso das pessoas que cruzam o caminho delas. Agora, você não pode fingir que não está vendo a bandidagem correr a solta. Como não gosto de me misturar com essa bandidagem tive que pagar um preço muito alto. Tem muito oportunismo por trás disso tudo.

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