ADOLPHO VELOSO
ADOLPHO VELOSO

Guia Sundance 2021: descubra os melhores filmes da competição

Agora que o festival de cinema ficou virtual, você pode assistir a tudo como se estivesse lá, mas por onde começar?

Jason Bailey, The New York Times

02 de fevereiro de 2021 | 11h00

Ir ao Festival de Cinema de Sundance nunca foi tarefa fácil. As entradas são caras, as acomodações são ainda mais caras, o aeroporto mais próximo fica a quase uma hora de distância e você acaba esperando nas longas filas (em Utah, em janeiro) para as sessões - quer dizer, para as sessões que não esgotaram (e a maioria esgota).

Mas, assim como tantos outros festivais de cinema da era covid, o Sundance, que começou na quinta-feira, 28,  ficou virtual este ano. Então, embora isso signifique que não há chance de encontrar celebridades aleatoriamente no banheiro (bem, há menos chance), significa também que qualquer pessoa com US$ 15 - preço de uma única entrada - pode participar. Você não precisa nem vestir as ceroulas e as botas de neve, a menos que seu zelador esteja sendo especialmente mesquinho com o aquecimento.



Mas então, o que assistir? Mesmo reduzida, a programação do festival está um tanto avassaladora: 73 longas-metragens e 50 curtas. E não é como se você pudesse fazer suas seleções com base em críticas ou comentários, porque a maioria desses títulos nunca foi vista. Mas, se você é o tipo de espectador que quer assistir ao festival virtual de Sundance, provavelmente é o tipo de espectador que já gostou de filmes de festivais anteriores, então aqui vão algumas recomendações da lista deste ano que lembram grandes filmes que já passaram por Sundance. O festival vai até quarta-feira. Os ingressos e outros detalhes estão em sundance.org.


Se você gostou de The Rider - Domando o Destino, experimente Jockey’

O sério e poderoso drama de Chloé Zhao, The Rider (que estreou na Mostra Spotlight do festival de 2018), fala sobre um peão de rodeio que se vê afastado do trabalho que ama e sem saber para onde a vida o levará. Em Jockey, de Clint Bentley (que está na Mostra Competitiva deste ano), o versátil ator Clifton Collins Jr. (Capote) estrela como um jóquei de corrida que enfrenta um dilema semelhante: depois de fazer a última corrida de um campeonato, a chegada de um jovem jóquei que afirma ser seu filho força o velho atleta a pensar em quem será quando não estiver mais montando.

Se você gostou de Me Chame Pelo Seu Nome, experimente Ma Belle, My Beauty

A adaptação de Luca Guadagnino do romance de André Aciman foi um dos destaques do Sundance de 2017, e por um bom motivo: a beleza de suas luminosas paisagens italianas se fez acompanhar pela ternura da dramatização de um primeiro amor (e primeira perda). O filme Ma Belle, My Beauty, da cineasta estreante Marion Hill (na Mostra Next deste ano) tem um tom semelhante, misturando lindas locações europeias - desta vez, as vistas deslumbrantes do sul da França - com uma história sofisticada sobre envolvimentos românticos, quando um casal recém-casado recebe em casa a visita surpresa da mulher que ambos amaram.

 


Se você gostou de Donnie Darko, experimente We’re All Going to the World’s Fair

O público no Festival de Cinema de Sundance de 2001 sabia que estava vendo algo especial quando se deparou com Donnie Darko, o mergulho profundo e alucinante de Richard Kelly em viagens no tempo, buracos de minhoca, juízo final e tédio suburbano. É tão estranho e diferente que é quase incomparável, mas essas vibrações enervantes também estão presentes na estreia da diretora e roteirista Jane Schoenbrun, We’re All Going to the World’s Fair. Concentrando-se na jornada de uma adolescente solitária num RPG on-line de terror, é mais uma história emocionalmente ressonante da identidade adolescente, com generosas porções de terror e ficção científica misturadas.

 


Se você gostou de Fred Rogers: o padrinho da criançada, experimente Street Gang: How We Got to Sesame Street

Um dos maiores títulos de Sundance 2018, Fred Rogers: o padrinho da criançada, de Morgan Neville, foi um documentário comovente sobre a vida e o legado do apresentador infantil mais querido da televisão pública, Fred Rogers. A adaptação de Marilyn Agrelo do livro de Michael Davis explora um território histórico e emocional semelhante, detalhando como educadores e artistas uniram forças no final dos anos 1960 para colocar em prática na Vila Sésamo novas ideias sobre ensino e aprendizagem. E, assim como Neighbourhood, Street Gang está cheio de clipes de arquivo e canções para despertar nostalgia no coração até mesmo do espectador mais resistente.

 


Se você gostou de Ponto Cego, experimente On the Count of Three

A comédia dramática de Carlos López Estrada foi um dos filmes da noite de abertura de Sundance 2018 - e um dos mais memoráveis: uma história pulsante e estimulante sobre dois melhores amigos de longa data lidando com as mudanças nas suas vidas e no mundo ao seu redor. O filme se pautava na relação entre seus protagonistas (interpretados pelos corroteristas Rafael Casal e Daveed Diggs). Uma relação semelhante, com riscos ainda maiores, está no centro de On the Count of Three, em que o ator e comediante Jerrod Carmichael (fazendo sua estreia na direção) e Christopher Abbott são melhores amigos ligados por um pacto suicida.

 


Se você gostou de Basquete Blues, experimente Captains of Zaatari

Um dos documentários mais aclamados da história de Sundance - e da história do cinema não-ficcional - é o épico esportivo de 1994 ‘Hoop Dreams’, que acompanha dois jogadores de basquete do ensino médio por um ciclo de quatro anos de esperanças e decepções. O diretor estreante Ali El Arabi também traça o perfil de dois jovens fanáticos por esportes: Fawzi e Mahmoud, melhores amigos obcecados por futebol, mas presos num acampamento jordaniano para refugiados sírios. E assim como os protagonistas de Basquete Blues, Fawzi e Mahmoud veem seu esporte não apenas como um hobby, mas como um caminho para sair de sua realidade sombria rumo a um futuro melhor e mais brilhante.

 


Se você gostou de Swiss Army Man, experimente Cryptozoo

Amando ou odiando, ninguém que viu o vencedor da mostra competitiva de 2016, Swiss Army Man, esqueceu a história de um homem esquecido numa ilha deserta que faz amizade com um cadáver flatulento. Esse mesmo espírito de narrativa nonsense e vale-tudo volta a todo vapor no longa de animação para adultos de Dash Shaw, que se concentra num zoológico secreto que abriga animais raros e imaginários (como o unicórnio e o baku) e nós humanos, atraídos para dentro de sua órbita.

 


Se você gostou de American Teen, experimente Homeroom

As provações e tribulações típicas do último ano de um aluno do ensino médio foram transformadas em drama envolvente no documentário de Nanette Burstein no Sundance de 2008, American Teen, que teve como foco cinco alunos na pequena cidade de Indiana. O diretor Peter Nicks (que também fez o vencedor do prêmio Sundance 2017, The Force) captura uma época muito mais tumultuada em seu documentário Homeroom, que acompanha a turma de 2020 da Oakland High School durante um último ano abalado por apelos para a eliminação da força policial do distrito e depois atravessado pela pandemia.

 


Se você gostou de Brick, experimente First Date

Um dos filmes fictícios de ensino médio mais notáveis de Sundance foi o vencedor do Prêmio Especial do Júri de 2005, Brick, de Rian Johnson, que apresentou os arquétipos e motivos da narrativa de ensino médio através das lentes do filme noir. First Date, de Manuel Crosby e Darren Knapp, também é uma espécie de releitura, cruzando a comédia clássica sobre namoro no colégio com uma ação influenciada pelos anos 80 e pelo surrealismo do filme Repo Man - A Onda Punk, um gênero misturado e divertido com muita pulsação.

 


Se você gostou de Estranhos no Paraíso, experimente El Planeta

A impassiva comédia de Jim Jarmusch, Estranhos no Paraíso, foi um dos primeiros sucessos indie e, portanto, uma das primeiras grandes descobertas de Sundance (onde ganhou o Prêmio Especial do Júri em 1985). O longa continua entre os filmes independentes mais influentes de todos os tempos, por isso não é surpreendente ouvir seus ecos na estreia na direção da artista Amalia Ulman, El Planeta, mais uma comédia absurdista em preto e branco sobre sobrevivência. Mas o filme também segue um rumo maravilhosamente pessoal, com Ulman não apenas escrevendo e dirigindo, mas também estrelando no papel de uma estudante desesperada tramando pequenas trapaças com a mãe (interpretada pela mãe de Ulma, Ale Ulman.

 


TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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