Guel Arraes lança olhar kitsch sobre o Nordeste

Guel Arraes não queria falar sobre a seca nordestina. Tampouco lhe interessava mostrar o Nordeste de Gabriela Cravo e Canela e seu vestido de chita. A fome, o artesanato e qualquer outro tema desgastado - desses que voltam à tona sempre que cineastas resolvem montar histórias ambientadas na região - ficaram de fora do roteiro de Lisbela e o Prisioneiro, filme que Arraes rodou a partir da obra homônima de Osman Lins.A estréia do longa está marcada para o próximo dia 22. Esta semana, diretor e elenco se reuniram para uma sessão prévia, dedicada a convidados. "O filme traz um Nordeste misturado, um universo popular que pode ser identificado em qualquer canto do terceiro mundo", explica Arraes. O vilão Frederico Evandro (Marco Nanini) é o melhor exemplo do olhar kitsch de Arraes sobre o Nordeste: jeito de bicheiro, óculos de motorista de caminhão e visual à la Reginaldo Rossi fazem dele um vilão atípico, quase simpático. "Queremos quebrar o preconceito contra o mau gosto", brinca Arraes.O filme - orçado em R$ 5 milhões, incluindo a produção - conta a história do malandro Leléu (Selton Mello) que se apaixona por Lisbela (Deborah Falabella), noiva de Douglas (Bruno Garcia). Revoltado, o moço contrata Evandro para matar Leléu. Mello repete a performance divertida de O Auto da Compadecida, também de Arraes. "Meu maior orgulho é estar fazendo um herói brasileiro, sobretudo em um momento em que estamos soterrados por Bruce Willis, Panteras e tramas do gênero", diz Mello.Quem perder a temporada de Lisbela no cinema terá chance de acompanhar a história na telinha. Arraes já anunciou que pretende levar o filme para a Globo, assim que ele sair de cartaz. Propaganda nos intervalos comerciais da Globo e merchandisings culturais em novelas e programas da rede serão a chave para a divulgação desse trabalho.

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