Guel Arraes ironiza bastidores da TV em estréia 'Romance'

Wagner Moura e Letícia Sabatella vivem atores que se apaixonam durante montagem teatral de Tristão e Isolda

Neusa Barbosa, da Reuters,

08 de novembro de 2013 | 15h20

Diretor consagrado na TV, em séries como Armação Ilimitada (85) e O Auto da Compadecida (99), Guel Arraes brinca com o poder dos produtores da telinha em seu novo filme, Romance, que entra em circuito nacional na sexta-feira, 14.     Veja também: Trailer de 'Romance'  Com roteiro assinado por Arraes e Jorge Furtado (diretor de Meu Tio Matou um Cara), Romance tem como ponto de partida a montagem teatral da lenda medieval de Tristão e Isolda, amantes trágicos cuja história teria inspirado o Romeu e Julieta de William Shakespeare. No palco, estão a atriz Ana (Letícia Sabatella, de Não por Acaso) e o ator e diretor Pedro (Wagner Moura, de Tropa de Elite). A fronteira entre realidade e ficção começa a se romper quando Ana e Pedro se apaixonam tanto na peça, quanto na vida real. Sem maiores dramas, até o dia em que ela recebe um convite de estrelar uma novela. Aceitar o convite do produtor Danilo (José Wilker) significa entrar direto na ponte aérea - o teatro fica em São Paulo, a emissora de TV, no Rio. Mais do que esse problema geográfico, entre a novela e a peça, intromete-se o veneno do ciúme entre o casal. Ana faz sucesso na televisão e isso atrai multidões ao teatro. Mesmo assim, as diferenças crescem entre Pedro e Ana e eles se separam. Uma das brincadeiras a que o roteiro se permite em relação à TV é que sempre fica muito claro o quanto as novelas de Ana têm roteiros banais. Depois de uma série delas, por mais que esteja consagrada, a própria atriz acaba exigindo uma renovação. E surge daí um convite do produtor Danilo para que Pedro crie algo novo para Ana na TV. Desafiado a dirigir algo num meio que ele despreza, ele sugere uma minissérie sobre Tristão e Isolda, adaptada agora como uma saga nordestina. Nessa montagem na TV, Guel Arraes e o elenco de atores globais - Andréa Beltrão, Marco Nanini e Wladimir Brichta também a bordo - usam de sobra o seu conhecimento da televisão brasileira para criar situações irônicas, mas também para discutir algumas vaidades de sua própria classe. O melhor de tudo é que Romance, ao fazer sua própria metáfora, não perde de vista os sentimentos. Há momentos em que o filme genuinamente comove. Sua mistura de comédia, drama, romance e metalinguagem não é nada fácil de obter. Felizmente, o resultado é primoroso, num filme ao mesmo tempo sofisticado e divertido.

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