Mosfilm
Mosfilm

Greve: cinco filmes marcantes que abordam o tema

De Eisenstein a Hirszman, histórias de greve, tal como vistas pelo cinema

Luiz Carlos Merten, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2019 | 12h07

Com uma greve geral marcada para esta sexta-feira, 14, vale lembrar como o cinema tem abordado o tema. Confira cinco filmes – quatro ficções e um documentário – que retratam paralisações trabalhistas:

 

Greve/Stachka, de Sergei M. Eisenstein (1924)

O primeiro longa de Eisenstein compõe-se de seis atos. Inicialmente, foi planejado pelo cineasta para ser a primeira parte de uma série de sete filmes, mas os seis restantes foram cancelados. Recria uma greve na Rússia pré-revolucionária, numa fábrica, em 1903, e o tema pode ser resumido como o embate entre individualismo e coletivismo. Eisenstein celebrizou-se por suas inovações de linguagem. Sua teoria de montagem – de atrações - marcou um momento decisivo de evolução do cinema. Para mostrar os efeitos da repressão contra os operários, o cineasta utiliza imagens do gado no matadouro. Quase um século depois, o filme – mudo – mantém sua força e integridade artística.

 

Momentos de Angústia/The Angry Silence, de Guy Green (1960)

O inglês Green foi um grande cameraman, mas, como diretor, sua carreira foi mais modesta. Destacava-se de outros cineastas vindos da imagem por valorizar mais o roteiro, como neste drama social escrito por Bryan Forbes, que, logo-logo, também partiria para a direção. Na sua fase de ator, o futuro diretor Richard Attenborough, de Gandhi, fura a greve e sua vida vai para o ralo. Cenas fortes, elenco competente - além de Attenborough, também Pier Angeli, Bernard Lee e Michael Craig.

 

Norma Rae, de Martin Ritt (1979)

Sally Field recebeu o primeiro Oscar pelo papel como operária na indústria têxtil. As condições de trabalho na fábrica são péssimas, ela enfrenta problemas com o companheiro violento. Nesse quadro, chega o representante da federação nacional, que vem organizar a categoria. Na cena chave, Norma/Sally, demitida, rabisca num pedaço de papel 'Union' (sindicato) e as companheiras acollhem o chamado. As máquinas vão parando. Há 40 anos, o diretor Ritt fez história ao focar na greve do ângulo feminino. Ritt, vale lembrar, foi um dos esquerdistas históricos de Hollywood, tendo sofrido perseguição no macarthismo.

 

Braços Cruzados, Máquinas Paradas, de Roberto Gervitz e Sérgio Toledo (1979)

Em plena ditadura militar, as greves do ABC que fortaleceram a liderança de Luiz Inácio Lula da Silva no movimento sindical e levaram à criação do hoje demonizado PT. Independentemente disso, um documento histórico importante, sobre um momento decisivo na redemocratização do Brasil.

Eles não Usam Black-Tie, de Leon Hirszman (1981)

Hirszman, um dos nomes históricos do Cinema Novo, baseou-se na peça de Gianfrancesco Guarnieri para fazer este filme que, na época, colheu excepcionsal sucesso de público e crítica, vencendo o troféu da Fipresci e o Grande Prêmio Especial do júri em Verneza e o Gran Coral em Veneza. Uma família dividida pela greve, o pai é um dos organizadores do movimento que o filho fura. Desfecho antológico – Fernanda Montenegro, como a mãe, cata o feijão e descarta os grãos podres.

 

Tudo o que sabemos sobre:
grevecinema

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.