Greve ameaça parar Hollywood à meia-noite

Os produtores de Hollywood tentam hoje chegar a um acordo de última hora com os roteiristas para evitar que eles comecem à meia-noite a maior greve jamais vivida no mundo dos espetáculos nos Estados Unidos. A sede do Sindicato dos Roteiristas em Los Angeles virou centro das atenções. Lá continuam reunidos hoje produtores e escritores em busca de um acordo sobre os US$ 100 milhões que ao que parece separam ambos os setores. Reunidos a portas fechadas para evitar vazamento de informações que possam colocar em perigo as negociações, o ambiente que os rodeia é de nervosismo diante da proximidade do final do acordo vigente que expira à meia-noite de hoje, 1.º de maio, em Los Angeles (5 horas, em Brasília).Caso não haja um acordo com os sete grandes estúdios e as cinco maiores emissoras americanas, os profissionais que criam os diálogos de filmes e séries de TV colocarão seus computadores e laptops em stand by por tempo indefinido.Até o prefeito de Los Angeles Richard Riordan envolveu-se nas negociações e reuniu-se com ambas as partes na segunda-feira e por fim declarou-se "otimista" em relação a um acordo que será de "profunda importância para a população de Los Angeles", afirmou.Há esperanças de que se chegue a um acordo com a assinatura de um contrato temporário e há rumores de que as negociações estejam progredindo. O motivo mais forte das discussões entre sindicatos e os grandes estúdios de Hollywood é o aumento do pagamento dos residuais para atores e roteiristas. Residual é o termo usado na indústria do show biz para os pagamentos que escritores e atores ganham por subseqüentes exibições de seus trabalhos após a estréia oficial de um filme ou série de TV, ou seja, quando ele é lançado em vídeo, DVD ou volta aos cinemas cinco, dez anos depois do lançamento original."O acordo tem que ser justo e beneficiar a todos, porque a indústria tem vivido momentos de riqueza que tem que compartilhar", admitiu o produtor Jeffrey Katzenberg, fundador dos estúdios DreamWorks, um dos negociadores neste conflito. Reina uma relativa calma entre os 11 mil roteiristas representados pelo sindicato, que receberam uma mensagem enviada pela Internet dizendo que eles deveriam continuar seu trabalho a menos que "se convoque e se autorize" uma greve. O sindicato tem que conseguir a autorização de seus membros para convocar a greve em uma votação que teria que ser organizada a nível nacional, o que levaria um certo tempo. "Estamos trabalhando duro com a esperança de que não tenhamos que pedir aos roteiristas que tomem a decisão de autorizar uma parada total", indica o mesmo comunicado. Apesar das esperanças de que o conflito possa ser evitado, os observadores locais asseguram que a prorrogação do prazo só ocorrerá se existirem claros progressos para um acordo. O clima é de incerteza trabalhista no setor. Os estúdios Disney anunciaram recentemente a rescisão de contrato de 4 mil funcionários. Há ainda a possibilidade de a possível greve dos roteiristas receber o apoio dos atores e atrizes, que com reivindicações semelhantes, poderiam somar-se à paralisação dos roteiristas no próximo dia 30 de junho. Leia também: Uma guerra de quase 70 anos agita Hollywood Estrelas apóiam greve em Hollywood

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